CASO DO HELICÓPTERO

Prefeito de Iporá pode ser cassado por uso de helicóptero para espalhar santinhos

Naçoitan Leite diz não haver provas contra ele, mas que vai recorrer se decisão for desfavorável


Francisco Costa
Do Mais Goiás | Em: 24/07/2020 às 15:45:59

Prefeito de Iporá Naçoitan Leite (PSDB) (Foto: Divulgação)
Prefeito de Iporá Naçoitan Leite (PSDB) (Foto: Divulgação)

A chapa do prefeito de Iporá, Naçoitan Leite (PSDB), será julgada no Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO), nesta terça-feira (28), e pode ser cassada. O julgamento em segunda instância ocorre pela suspeita de o prefeito difamar um concorrente utilizando um helicóptero na eleição municipal de 2016.

Naçoitan diz que está tranquilo porque não há provas contra ele. “O caso já foi duas vezes ao TRE, voltou pra Iporá, a Polícia Federal já fez perícia e não tem prova”, afirma. O prefeito diz que o Ministério Público não concorda.

“Mas, justo agora, na pré-campanha, o processo vem à tona, quatro anos depois”, questiona. “No meu entendimento, pode ser manobra política. Já devia estar arquivado”, continua ao reforçar que recorrerá, caso haja decisão desfavorável. “Mas eu confio na justiça”.

Presidente da Câmara

Se Naçoitan for afastado do cargo, quem assume a prefeitura é o presidente da Câmara Municipal, vereador Samuel Queiroz (Progressistas). Na opinião de Samuel, apesar de ter havido uma decisão desfavorável ao prefeito em primeira instância, não há subsídios suficientes para condenação.

Segundo o Samuel, houve, de fato, um helicóptero que despejou “santinhos” difamatórios, mas ninguém viu quem foi ou de onde veio. A condenação, vale destacar, também afastaria o vice-prefeito Duílio Siqueira (PSDB). “A Câmara, então, aguarda a decisão da justiça”.

Denúncia

Ainda em 2016, o promotor de justiça Sérgio de Sousa Costa propôs uma ação de investigação contra a chapa de Naçoitan por uso irregular de um helicóptero na campanha. Naquele momento, o Ministério Público pediu que o diploma da dupla fosse cassado.

Uma fonte teria visto a aeronave que jogou os panfletos na propriedade rural do então candidato. No texto, é dito que ação constitui “uma ação criminosa, não razoável, absolutamente anormal no contexto de uma campanha eleitoral de uma pacata cidade do interior do Estado de Goiás, revelando, de fato, a exorbitância, o excesso, o abuso do poder econômico praticado pelo representado Naçoitan Leite”.

Caiado ditador”

Vale lembrar que Naçoitan já teve alguns embates com o governo estadual. À época do decreto de quarentena intermitente (14×14), o tucano disse que Ronaldo Caiado (DEM) não levou em consideração a opinião de prefeitos e as diferenças entre as regiões do estado.

Em maio, quando o governador falou em endurecer a quarentena, Naçoitan disse que na sua cidade não entrava “ditadura do Caiado”. Depois disso, ele acabou dizendo que seguiria o decreto.