Política

Prefeito de Caldas Novas é preso em operação que investiga fraudes e pagamentos de propina

Também estão sendo cumpridos mandados de busca e apreensão de prisão nas cidades em Goiânia, Morrinhos, Itumbiara, Aruanã, Aparecida de Goiânia e no município mineiro de Santa Vitória


Joao Paulo Alexandre

Do Mais Goiás | Em: 13/09/2018 às 11:31:35


Prefeito será encaminhado para a sede o MP, em Goiânia (Foto: Reprodução)
Prefeito será encaminhado para a sede o MP, em Goiânia (Foto: Reprodução)

O prefeito de Caldas Novas, Evandro Magal (PP), foi preso na manhã desta quinta-feira (13) na Operação Negociata, deflagrada pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO).  A operação acontece com o apoio do Centro de Inteligência do MP-GO e das Polícias Civil, Militar e Rodoviária Federal.

Magal foi preso no Residencial Saint Paul, em Caldas Novas. O prédio da Prefeitura e do Poupa Tempo também foram alvo da operação, além de um gabinete de vereador, que não teve a identidade divulgada.

Segundo o MP, estão sendo cumpridos cinco mandados de prisão em Caldas Novas. Além da cidade turística, a operação ocorre simultaneamente em Goiânia, Morrinhos, Itumbiara, Aruanã, Aparecida de Goiânia e no município mineiro de Santa Vitória. No total, estão sendo cumpridos 32 mandados de busca e apreensão, e nove de prisão.

As investigações são para apurar fraudes em licitações, pagamentos de propina e lavagem de dinheiro envolvendo o Poder Executivo de Caldas Novas e alguns empresários,  que eram beneficiados com a atuação ilícita dos agentes públicos.

Ainda conforme relata o MP, os detidos serão encaminhados para a sede do órgão em Goiânia, com o auxílio da Polícia Rodoviária Federal.

Poupa Tempo também foi alvo da operação | Foto: MPGO

Abuso de Poder 

Em 17 de novembro de 2017, o prefeito teve a sua candidatura cassada pelo Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE), junto com o seu vice Fernando de Oliveira Rezende. A denúncia, à época, realizada pelo promotor Rafael Machado de Oliveira, seria para que os citados respondessem por abuso de autoridade, de poder político e de meios de comunicação social.

O promotor realizou a denúncia em setembro de 2016 e, conforme expõe os autos, de janeiro a agosto do mesmo ano, um jornal local publicou diversas matérias aonde a figura do mesmo era exaltada, assim como as suas ações. Essas veiculações ocorriam no período em que o mesmo concorria à reeleição ao cargo.

Para essas publicidades institucionais, o jornal teria recebido R$ 67,5 mil somente no primeiro semestre, sendo que, de acordo com outros anunciantes, o valor de um anúncio de página inteira seria de R$ 2,8 mil, ou seja, valor destoante do pago pela prefeitura para três anúncios em menor tamanho.

Ainda segundo o promotor, grande parte dessas notícias eram reprodução do conteúdo publicado no portal da prefeitura e no perfil do Facebook do próprio prefeito. Algumas delas, inclusive, foram produzidas pela Secretaria de Comunicação do município em período vedado e publicadas no perfil de Evandro, sendo reproduzidas pelo jornal.

Apesar disso, o prefeito e o vice reassumiram os cargos no dia 23 do mesmo mês, após uma liminar do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).