Eduardo Pinheiro
Do Mais Goiás

Preciso seguir defendendo o legado do meu pai, diz Daniel Vilela

MDB deve romper oficialmente nesta segunda-feira com entrega coletiva de cargos de secretários indicados pelo partido

Daniel Vilela (Foto: Jucimar Sousa / Mais Goiás)

O presidente do MDB de Goiás, Daniel Vilela, defendeu, durante entrevista realizada na manhã desta segunda-feira (5), que o legado do pai, Maguito Vilela, é o principal ponto de rompimento do partido com o prefeito de Goiânia Rogério Cruz (Republicanos). O emedebista se reúne com secretários indicados pelo partido nesta segunda para oficialização do desembarque do Paço Municipal.

Segundo Daniel, há um desconforto em razão do que chama de uma “guinada” que o prefeito tem tomado em relação ao “projeto que os goianienses escolheram”. O emedebista disse que Rogério Cruz tem tomado decisões sem se comunicar com os secretários e atribuiu as decisões ao Secretário de Governo, Arthur Bernardes, indicado pela direção nacional do Republicanos.

Além disso, o presidente do MDB, em entrevista à Jovem Pan, apontou que houve quebra de comunicação entre ele o prefeito Rogério Cruz. Segundo explicou, as tratativas e o diálogo desde a campanha de 2020 foram feitas diretamente com o Republicanos nacional e o próprio candidato a vice. No entanto, nas últimas semanas esse diálogo direto foi quebrado em prol de uma comunicação com a direção nacional do partido. E chegou a não ser recebido pelo prefeito.

“O próprio prefeito reconheceu em entrevista que a direção nacional estava trazendo pessoas do grupo. Tentei dialogar e pacificar. Sempre entendi que era natural trazer gente de sua proximidade”, disse Daniel, que citou a continuidade de obras do prefeito Iris Rezende (MDB) como parte do projeto defendido por Maguito Vilela.

“No entanto, ele edita um decreto que paralisa todas as obras. Além disso, que todas as obras [com orçamento] a partir de R$500 mil devem passar pela decisão do secretário de governo e não do prefeito”, criticou.

Cisão

Os decretos publicados que suspendem todas as obras de asfalto em Goiânia, além de centralizar as decisões nas mãos do secretário de Governo, na semana passada, foram considerados por Daniel e pelo próprio secretariado como gota d’água em uma relação que vinha se desgastando desde a exoneração de Andrey Azeredo, em meados de março.

Na entrevista desta segunda-feira, Daniel apontou que se trata de decisões que foram tomadas de acordo com a direção nacional do Republicanos. Inclusive com indicação para os cargos chaves do Paço Municipal.

“Tem gente assumindo postos  importantes que sequer o prefeito conhece. Quem são essas pessoas? Quem está indicando? Ele também só conhece quando chega aqui. É esse voo às cegas, que deixa insegurança. Não sabemos quais são os interesses por traz disso”, apontou.

“Qual é a autonomia do prefeito? Quem é que tem a caneta para tomar decisões. De repente o prefeito muda substancialmente suas ideias. Edita decretos que muda radicalmente a prefeitura. Quem está nomeando essas pessoas?”, indaga. “O partido [MDB] tem que ter dignidade e defender o legado de um de seus líderes”, continuou Daniel.

Pelos menos 16 cargos devem ser entregues na manhã desta segunda: Alessandro Melo (Finanças); Agenor Mariano (Habitação e Planejamento); Carlos Júnior (Desenvolvimento); Pedro Chaves (Trânsito); Murilo Ulhôa (CMTC); Célio Campos (Desenvolvimento Tecnológico); Colemar Moura (Controladoria); Filemon Pereira (Direitos Humanos); Antônio Flávio (Procuradoria); Leandro Vilela (Extraordinário); Kleber Adorno (Cultura); Euler Morais (Relações Institucionais); José Frederico (Escritório de Prioridades Estratégicas); Gean Carlo Carvalho (Secretário Executivo); André Carneiro (Secretário Executivo).