Hugo Oliveira
Do Mais Goiás

Por vacina, motoristas do transporte coletivo aprovam greve a partir de sexta (9)

Categoria exige criação de um plano imediato de vacinação que contemple os trabalhadores da ativa

Ao todo, 21 motoristas já morreram por Covid-19. Greve é pressão para exigir vacina (Foto: Jucimar de Sousa/Mais Goiás)
Ao todo, 21 motoristas já morreram por Covid-19. Greve é pressão para exigir vacina (Foto: Jucimar de Sousa/Mais Goiás)

Motoristas do transporte coletivo metropolitano de Goiânia decidiram neste sábado (3) decretar greve no serviço operacional. A paralisação terá início a partir da meia-noite da próxima sexta-feira (9), de acordo com o presidente do Sindicato Intermunicipal de Trabalhadores no Transporte Coletivo Urbano de Goiânia (Sindicoletivo), Sérgio Reis.  A categoria exige que todos os trabalhadores da ativa que lidam diretamente com usuários da rede, entre motoristas, agentes de limpeza, controladores de tráfego e gerentes de terminais, sejam vacinados prioritariamente.

Segundo Sérgio, no que depender da entidade, o sistema de transporte público pretende parar 100% a partir da mencionada data. No entanto, ele ressalta que é a Justiça que vai decidir qual proporção de funcionários que deve parar de fato. Atualmente, de acordo com o presidente, são cerca de 2,3 mil motoristas e 1,7 mil funcionários de outras categorias representados pelo Sindicoletivo. “A notificação vai ser feita e a Justiça vai determinar. Nossa vontade é parar tudo, 100%, mas podemos avaliar a possibilidade de abrir mão de alguma coisa”.

Sérgio revela que a única reivindicação da paralização é a imunização dos profissionais. “Exigimos um plano de vacinação que contemple nossos trabalhadores da ativa urgentemente. Desde o início da pandemia já são 21 motoristas mortos em razão do coronavírus. Mas nossas famílias também vêm sofrendo. São esposas morrendo, filhos e familiares adoecendo. Perdi muitos amigos e colegas. Precisamos tomar essa atitude e vamos parar, caso governos municipal, estadual e federal não atendam nossas demandas. São nossas vidas em risco”, ressalta Sérgio.

O sindicato ressalta ainda que o movimento grevista não está associado e não recebe apoio de empresários e instituições. “Tratamos aqui do interesse único e exclusivo dos trabalhadores do transporte coletivo, não estamos recebendo apoio de ninguém”.

Decreto estadual deve manter embarque prioritário em transporte coletivo (Foto: Jucimar de Sousa/Mais Goiás)

(Foto: Jucimar de Sousa/Mais Goiás)

Máscaras e álcool do próprio bolso

No início da pandemia, o sindicato conseguiu obrigar na Justiça que empresas de ônibus fornecessem máscara N95 e álcool em gel. Porém, ele afirma que empresas agora só entregam os materiais depois que motoristas fazem pedido. “No começo da pandemia funcionou, mas agora é a gente que vem comprando do próprio bolso”, aponta Sérgio.

Nesse período, motoristas tiveram negado o pedido de suspensão da comercialização de bilhetes em dinheiro dentro dos ônibus. “Alegaram que tem pessoas que são de fora da cidade  e não possuem o cartão Fácil. De fato é uma verdade, mas o dinheiro é um vetor muito grave de contágio e nos coloca em risco também”.

O Mais Goiás aguarda posicionamento da Companhia Municipal de Transportes Coletivos (CMTC) e do Consórcio Redemob sobre a decisão.

Atualização

Por nota, a CMTC disse que acompanha e espera “que uma solução venha para que o serviço de transporte público continue atendendo sem prejuízo ao usuário”. Além disso, a companha informou que já conversou com a prefeitura de Goiânia sobre o pedido dos motoristas.