Do Mais Goiás

Policial diz que neblina, chuva e falta de internet atrapalham caçada a Lázaro

Caçada ao serial killer que aterroriza Goiás e DF chegou nesta quarta ao oitavo dia

Força-tarefa de policiais que caçam Lázaro Barbosa na região de Edilândia (Foto: Paula Coutinho/Mais Goiás)
Força-tarefa de policiais que caçam Lázaro Barbosa na região de Edilândia (Foto: Paula Coutinho/Mais Goiás)

Com colaboração de Paula Coutinho, direto de Girassol

Em entrevista ao Mais Goiás na manhã desta quarta-feira, um policial rodoviário federal que participa da caçada a Lázaro Barbosa na região do povoado de Edilândia, em Cocalzinho de Goiás, disse que a neblina cerrada, as chuvas e má qualidade do sinal de internet prejudicaram a busca pelo serial killer, que chegou ao oitavo dia. 

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“O clima atrapalhou. Teve dias em que choveu, teve neblina. Encontramos também dificuldade técnica com aparelhos de comunicação porque a internet daqui do local é praticamente inexistente”, afirma o policial, que pediu para não ser identificado. “Não existe sentimento de frustração [pela demora], é a rotina. É habitual. Às vezes, as pessoas acham que está demorando porque desconhecem a região. É um território extenso, difícil de rastrear, ainda que tenhamos tecnologia”. 

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Cerca de 200 agentes das polícias rodoviária, Civil (de Goiás e do DF) e Militar (dois dois estados) participam da operação contra Lázaro, que há oito dias matou quatro pessoas de uma mesma família em Ceilândia e depois disso cometeu crimes em povoados do Entorno do DF. 

“Outro problema é a demora dos moradores para chegarem até nós, para nos avisar das ocorrências. Às vezes também nos passam ocorrências equivocadas, inverídicas e errôneas, até fake news. Isso prejudica nosso trabalho. Só sei que iremos pegá-lo. E tranquilizo a população a respeito disso. Não sairemos daqui até pegarmos. Podem passar dias, ficaremos aqui. Iremos sim pegá-lo”, completa. 

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Linha do tempo

– Quinta-feira (9) – A onda de crimes tem início quando o suspeito invade uma casa em Ceilândia. Lá, ele teria matado o empresário Cláudio Vidal, 48; dois filhos dele, Gustavo Marques, 21; e Carlos Eduardo Vidal, 15; e sequestrado a mãe deles, Cleonice Marques, 43.

– Sexta-feira (10) – Polícia Militar do DF inicia buscas pelo suspeito.

– Sábado (12), à tarde – polícia encontra o corpo de Cleonice Marques. Cadáver estava próximo de um córrego na região de Sol Nascente (DF). Mulher estava nua, de bruços e apresentava cortes na região das nádegas.

– Sábado (12), à noite – Três pessoas são baleadas em uma casa na zona rural de Cocalzinho de Goiás. Suspeito teria forçado vítimas a fazer comida para ele enquanto as obrigava a fazer consumo de drogas. No local, Lázaro supostamente rouba duas armas de fogo e munições.

Feridos estão hospitalizados, dois deles em estado grave.

– Domingo (13), à tarde – Chácara é invadida em Cocalzinho de Goiás. Proprietário encontra imóvel revirado e dá falta do carro, um Corsa vermelho.

– Domingo (13), noite – veículo é abandonado na BR-070, após avistar bloqueio policial próximo à cidade de Edilândia. Suspeito foge à pé, supostamenete para região de mata. Investigadores ainda não confirmaram se responsável por abandonar carro é mesmo Lázaro.

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– Segunda-feira (14), manhã – Mais policiais se juntam à operação de captura. Agora, são 210 agentes da PM-GO, PM-DF e Polícia Federal (PF) que atuam para detectar e prender Lázaro. Secretário de Segurança Pública de Goiás, Rodnei Miranda acompanha os trabalhos in loco.

– Segunda-feira (14), noite – Lázaro pede comida em uma chácara em Edilândia, mas diante da negativa do caseiro atira com uma pistola contra a propriedade. O caseiro, que também estava armado com uma espingarda, revida, fazendo com que o procurado fuja do local correndo a pé.

– Terça-feira (15), tarde – Moradores de uma fazenda em Cocalzinho de Goiás afirma ter avistado Lázaro passando pela propriedade. Desesperados, eles orientam os policiais sobre o caminho que ele seguiu.

– Terça-feira (15), tarde – Três pessoas – uma mulher e duas crianças – foram mantidas reféns de Lázaro Barbosa em uma propriedade rural que fica a 5 km de distância do povoado de Edilândia. Os reféns foram libertados após troca de tiros com a polícia e o suspeito fugiu por um Rio próximo da fazenda.

– Terça-feira (15), noite – Lázaro teria retornado a uma propriedade que invadiu pela manhã em busca de alimentos. O proprietário encontrou a casa revirada e deu falta de produtos alimentícios.

– Quarta-feira (15), manhã – Secretário de Segurança Pública, Rodney Miranda diz que suspeito não agiu nesta madrugada e que o cansaço será a estratégia para capturá-lo.

O procurado

A série de crimes atribuída a Lázaro Barbosa, 32, teve início em entre 8 e 9 de abril de 2020, quando ele teria invadido uma propriedade rural de Santo Antônio do Descoberto. Quatro idosos estavam no local. Um deles foi atingido com golpe de machado na cabeça, mas sobreviveu, embora apresente sequelas, segundo a Polícia Civil goiana. Os outros idosos também foram agredidos, com menos gravidade. Lá ele roubou bens e celulares que depois foram recuperados pelos investigadores. À época ele foi indiciado por crime de roubo mediante restrição da liberdade das vítimas, emprego de arma branca e por tentativa de latrocínio.