Guerra do tráfico

Polícia conclui que guerra entre duas gangues provocou 18 mortes

Com onze acusados presos, seis assassinados e apenas um foragido, delegado acredita que ações foram neutralizadas





//

A prisão de Lourismar Xavier Dias, capturado na semana passada com uma pistola importada Glock calibre nove milímetros equipada com kit de rajada era a peça chave que faltava para que a Polícia Civil pudesse elucidar 18 assassinatos ocorridos desde o ano passado nas Regiões Sudoeste e Oeste de Goiânia.

Entre as execuções, provocadas por gangues rivais que disputavam pontos de tráfico de drogas nas Regiões Sudoeste e Oeste de Goiânia, está o assassinato do ex-presidente da Torcida Organizada do Goiás Força Jovem, Evandro Rodrigues Cavalcanti, de 37 anos. Ele foi morto com vários tiros, na manhã do dia 22 de setembro do ano passado, perto da casa dele no Parque Santa Rita em Goiânia.

Os 18 assassinatos, segundo apurou a Delegada Myriam Vidal, adjunta da Delegacia de Investigações de Homicídios (DIH), foram cometidos pelas quadrilhas dos traficantes Thiago César de Souza, de 34 anos, o “Thiago Topete”, que está preso há três anos em Aparecida de Goiânia, e de Iterley Martins de Souza, de 32 anos, que após ficar seis anos foragido foi localizado e preso no último mês de setembro passado em Fortaleza no Ceará.

“Apuramos que todos eram parceiros, mas o roubo de uma arma deu início a uma verdadeira guerra. Após brigarem por pontos de vendas de drogas, eles começaram a executar pessoas simplesmente por pertencerem a bandos rivais. Em depoimento, alguns acusados confessaram que mesmo sem discussões ou ameaças, saíam de casa bem armados simplesmente para matar pessoas que pertencessem à outra quadrilha”, relatou Vidal.

Com a prisão de Lourismar, a polícia garante ter acabado com praticamente toda a quadrilha, uma vez que apenas um integrante do bando de Iterley, Alexandre Gonçalves de Deus, o “Nice”, segue foragido. No total, 11 bandidos estão presos, e outros seis foram mortos no prazo de dois anos. “O mais importante é sabermos que essas pessoas que foram mortas ou estão presas não deixaram sucessores, tanto isso é verdade que a prisão deles reduziu em quase 30% os assassinatos nos últimos meses nas regiões em que atuavam”, garantiu o titular da DIH, Delegado Murilo Gonçalves.

Além da execução do ex-presidente da Força Jovem, outro crime de repercussão, promovido pela guerra entre as duas quadrilhas, foi o assassinato da comerciante Maria das Dores Sampaio Rodrigues, de 51 anos, e do Cabo da Polícia Militar Fernando Alves Batista, de 44 anos.

Os dois foram mortos com vários tiros dentro do bar de propriedade de Maria das Dores no Residencial Santa Fé no último dia 18 de agosto. Pelo que apurou a Delegada Myrian Vidal, a comerciante foi assassinada porque deixou de traficar para Iterley e passou a vender drogas para Thiago Topete.

Na conclusão do inquérito, que será enviado ao Fórum na tarde desta sexta-feira, a delegada solicita ao Poder Judiciário que Iterley e Thiago sejam colocados no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) para que não continuem comandando crimes de dentro do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia.

Veja abaixo a relação das pessoas que segundo a polícia foram executadas pelas duas quadrilhas:

Bruceo Anjo Martins Santos Abreu Souza
Jheziel Gomes da Silva
Mizael dos Santos Silva
Carlos Divino do Nascimento Júnior
Marcelo Blanco de Oliveira
Jacirene da Costa Sobrinho
Renato Lourenço de Oliveira
Jairo Rodrigues Sobrinho
Wagner Carrijo Silveira
Alessandro Bernardino de Andrades
Kléber Manuel Alves Júnior
Matheus da Silva Magalhães Gomes
Walisson Alves Lopes
Evandro Rodrigues Cavalcanti
Rosângela Domingas de Jesus
Brandom Estefan de Oliveira
Fernando Alves Batista (PM)
Maria das Dores Sampaio Rodrigues