Operação Sexto Mandamento

PMs acusados de participação em grupo de extermínio são absolvidos

Os quatro policiais foram a juri popular na tarde desta terça-feira (11). A decisão foi unânime pela absolvição dos réus


Larissa Lopes
Do Mais Goiás | Em: 11/06/2019 às 18:28:40

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Os quatros policiais militares (PMs) supostamente envolvidos na morte de Murilo Alves de Macedo, em 27 de agosto de 2010, em Goiânia, foram absolvidos. O julgamento ocorreu na tarde desta terça-feira (11) no Tribunal do Júri da 3ª Vara dos Crimes Dolosos contra a Vida, no Park Lozandes, na capital. Eles foram a júri popular, e a decisão foi unânime.

Os militares Vitor Jorge Fernandes, Cláudio Henrique Camargo, Alex Sandro Souza Santos e Ricardo Rodrigues Machado foram apontados como suspeitos de integrar um grupo de extermínio. Eles ainda foram acusados de homicídio, com qualificadora por motivo torpe, e recurso que impossibilitou a defesa da vítima e execução sumária após abordagem. Os militares foram presos no dia 15 de fevereiro de 2011 pela Operação Sexto Mandamento, da Polícia Federal (PF).

O juiz Jesseir Coelho de Alcântara presidiu a sessão que absolveu os quatro policiais. Na ocasião, os então réus foram absolvidos “mediante a tese negativa de autoria”, como consta a sentença. A defesa dos PMs alegou que eles agiram em legítima defesa.

Veja o vídeo da decisão:

Relembre o caso

Segundo a denúncia, no dia 26 de agosto de 2010, Murillo teria roubado um veículo carro e uma pistola de uma policial militar. No dia seguinte, os subtenentes lotados na equipe das Rondas Ostensivas Táticas Metropolitanas (Rotam), Fritz Figueiredo e Hamilton Naves, avistaram o carro roubado.

Por volta das 19h45, na chácara Caveira,  no Jardim Real, Fritz Figueiredo e Hamilton Neves teriam disparado contra Murillo Macedo. Conforme a denúncia, a equipe da Rotam, composta pelo tenente Vitor e os cabos Camargos, Alex e Machado, que também participaram do crime, chegaram no local às 19h53 e assumiram o suposto confronto.

À época, os telefones dos subtenentes estavam grampeados por indícios na participação de grupo de extermínio. O grampo permitiu que o Copom ouvisse a ordem de Fritz para que um dos ocupantes do carro parasse. Em seguida, ordenaram que ficassem com a mão na cabeça. Na sequência ouve-se um disparo. Logo após, foi possível escutar quando os militares perguntam a um segundo abordado pela arma e o que havia na bolsa. Neste momento, o Copom perde o sinal com os dois subtenentes.

Fritz Figueiredo, via telefone, mantém conversa com o cabo Camargos, orientando a equipe da Rotam comandada pelo tenente Vitor, a chegar no local do suposto confronto. A equipe dá cobertura aos subtenentes e assume a ocorrência. Os policiais, segundo a denúncia, alteraram a cena do crime e permitiram a saída de Fritz e Hamilton do lugar.

À PF, os militares omitiram a participação dos subtenentes e alegaram que Murillo havia resistido à prisão. Na ocasião, afirmaram que os disparos foram feitos “sob forte escuridão, poeira e distância do homem”. A perícia, no entanto, aponta que a trajetória dos projéteis foi descendente, o que reforça a hipótese de execução da vítima, inteiramente dominada, conforme o laudo. No local, a policial militar, dona do Honda Civic que havia sido roubado, constatou que nenhum dos disparos realizados pelos policias atingiu o veículo, o que contradiz a afirmação de fuga, resistência armada e confronto relatada pela equipe.