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PM é afastado após cegar homem com bala de borracha em ato contra Bolsonaro no Recife

Oito agentes investigados por excesso policial já deixaram funções enquanto são investigados pela corregedoria

Arrumador Jonas França, que ficou cego de um olho (Foto: redes sociais)
Arrumador Jonas França, que ficou cego de um olho (Foto: redes sociais)

O policial militar que acertou com um tiro de bala de borracha o olho do arrumador Jonas Correia de França, 29, durante ato contra o presidente Jair Bolsonaro no Recife foi afastado disciplinarmente, informou nesta quinta-feira (3) a Corregedoria da SDS (Secretaria de Defesa Social).

Tanto Jonas quanto o adesivador Daniel Campelo da Silva, 51, também atingido pela Polícia Militar no último sábado (29), perderam a visão de um dos olhos. Ambos disseram que estavam passando pelo local e que não participavam da manifestação.

A SDS afirmou que ainda investiga o responsável pelo disparo que cegou Daniel. Já o policial que feriu Jonas teve o armamento e a carteira funcional recolhidos e responderá a processo administrativo.

Oito agentes foram identificados e afastados de suas funções enquanto são investigados pela corregedoria, que apura a ocorrência de excesso policial no protesto contra Bolsonaro.

Cinco dias após a ação policial violenta, o Governo de Pernambuco ainda não informou quem deu a ordem para o ataque.

Em entrevista à TV Globo nesta quarta-feira (2), o governador Paulo Câmara (PSB) disse que a orientação não partiu da cúpula da segurança estadual, que monitorava o ato no momento em que policiais militares atacaram a manifestação.

Os policiais militares do Batalhão de Choque começaram a atirar às 11h44 contra os manifestantes que seguiam de maneira ordeira por uma avenida do centro do Recife. A vereadora Liana Cirne (PT) foi atacada com spray de pimenta após se identificar como parlamentar.

Imagens mostram policiais atirando nos manifestantes quase à queima-roupa. Não há registros de agressões por parte dos manifestantes contra a força policial.

Dois dias antes da manifestação, o Ministério Público de Pernambuco havia alertado o secretário de Defesa Social, Antônio de Pádua, sobre a necessidade de orientação do efetivo da Polícia Militar para evitar eventuais excessos no ato.

Na terça-feira (1), o comandante da PM de Pernambuco, Vanildo Maranhão, pediu exoneração do cargo. Pádua permanece na função.

Episódios em que policiais militares abusaram de suas funções para fazer valer posições favoráveis a Jair Bolsonaro acenderam o sinal de alerta entre líderes políticos acerca da tática do presidente para o ano eleitoral de 2022.

Na segunda-feira (31), um policial goiano parou um professor petista que trazia em seu carro uma faixa chamando Bolsonaro de genocida. Citando a contestada Lei de Segurança Nacional, criada na ditadura militar e já usada pelo governo federal contra críticos do presidente, o PM prendeu o professor.