Apurações

Pivô de caso de tortura em Trindade, ex-namorado de agressora será ouvido nesta quinta

Delegada espera esclarecer as motivações para o ato das quatro adolescentes




O ex-namorado de uma das adolescentes suspeitas de torturarem uma jovem de 14 anos em Trindade, suposto pivô do crime, prestará depoimento à Polícia Civil nesta quinta-feira (6). “Vamos ouvi-lo para confirmar a questão da motivação”, explicou a delegada Renata Vieira, titular da Delegacia de Polícia de Apuração de Atos Infracionais (Depai) de Trindade.

O caso chocante de violência chegou ao conhecimento público na última segunda-feira (3). Um vídeo divulgado na internet mostra três adolescentes, com idades entre 13 e 16 anos, espancando a menor e a agredindo com golpes de facão e martelo. Outra jovem também estava envolvida no ato infracionlal, mas não participou de sua execução porque teria chegado atrasada.

A motivação para a ação seria ciúmes. Segundo apurado pela Polícia Civil, a vítima estaria organizando sua própria festa de 15 anos com a ajuda do ex-namorado de uma delas – o mesmo que será ouvido nesta quinta. A proximidade da jovem com o rapaz incomodou as adolescentes, que arquitetaram a tortura e assassinato da suposta rival.

As envolvidas foram apreendidas pela PM entre a última sexta-feira (30) e sábado (1º). Nesta terça, elas foram transferidas: duas para um centro de internação em Goiânia, e as outras duas para outro centro, em Formosa.

Segundo a delegada, elas foram separadas por falta de vagas no estabelecimento da capital.

Sem perdão

A mãe da garota torturada disse, em entrevista à TV Anhanguera nesta quarta (5), que não perdoa as agressoras e que não acredita na recuperação delas. “Elas vão sair pior do que entraram. Aí elas vão matar não só a minha filha como qualquer outra que olhar para elas de cara feia. Não tem perdão uma coisa dessas porque isso aí é desumano”, disse.

A mulher se viu obrigada a se mudar de casa com a filha porque moravam próximas às agressoras.

Crueldade

As agressoras planejaram todo o crime na última terça-feira (27), em reunião na casa de uma delas. A delegada conta que nesse dia elas – que estudavam na mesma escola que a vítima — ainda cavaram uma cova onde a garota seria enterrada. Para atrair a jovem, as meninas a convidaram para uma festa na quinta-feira à tarde.

Chegando ao local, a vítima foi agredida, amarrada e torturada. “Elas colocaram absorvente sujo na boca da vítima e a agrediram muito, com muita violência, com facão e martelo. Bateram com o martelo na cabeça da vítima, jogaram ela várias vezes na cova que elas tinham feito e cortaram um tendão no braço dela”, conta a delegada.

A vítima só conseguiu escapar por um descuido das adolescentes, que a deixaram sozinha enquanto foram lavar as mãos, sujas de sangue. A jovem pulou o muro e pediu ajuda a um vizinho, que chamou a polícia.

Quando a PM chegou ao local, apenas uma das agressoras estava no local. “Ela foi a que chegou atrasada na prática do ato”, disse a delegada.

Diante da gravidade do caso, a Polícia Civil expediu mandado de apreensão das meninas. A Polícia Militar então começou as buscas e apreendeu duas adolescentes na tarde de sexta-feira (30). Outras duas só foram encontradas na noite de sábado (1º). Na delegacia, elas confessaram o crime.