TECNOLOGIA

Pesquisadores portugueses desenvolvem sistema que detecta fake news

Sistema utiliza mais de 100 indicadores psicolinguísticos e estatísticos para identificar uma notícia falsa


Da Redação
Do Mais Goiás | Em: 25/05/2020 às 13:21:54

(Imagem: Divulgação)
(Imagem: Divulgação)

Pesquisadores do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC) da cidade do Porto, em Portugal, estão debruçados sobre o projeto de criar um sistema que analisa posts nas redes sociais e detecta notícias falsas com alta probabilidade de acerto.

O sistema utiliza mais de 100 indicadores psicolinguísticos e estatísticos, que armazenam conhecimento pré-adquirido e que, de forma automática, aprendem a “classificar com ótimo nível de acerto se a nova publicação é ‘fake news’ ou não”.

“O problema das ‘fake news’ ganhou uma nova dimensão depois do impacto que elas tiveram nas eleições norte-americanas de 2016. O problema tornou-se bastante relevante e tanto as grandes empresas tecnológicas como a comunidade científica começaram a trabalhar numa solução”, afirma Álvaro Figueira, pesquisador do INESC TEC.

Além da detecção automática de informação falsa, o sistema pretende também auxiliar o usuário a filtrar o conteúdo mais relevante nas redes sociais.

“Temos como objetivo que o sistema funcione apenas com a mensagem do ‘post’ [publicação] ou com a mensagem e toda a outra informação associada à mesma, como os ‘likes’, ‘compartilhamentos’, ‘respostas e comentários’ e informação associada ao utilizador que publicou”, esclareceu Figueira, também docente na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP).

Desafio

Figueira afirma que um dos principais desafios que o sistema enfrenta é o da “mudança de domínio e o contexto temporal em que uma ‘fake news’ pode surgir”, como por exemplo, a atual crise sanitária.

“Por exemplo, uma ‘fake news’ num contexto político tem algumas propriedades textuais e lexicais de uma ‘fake news’ num contexto da saúde. Uma ‘fake news’ que foi publicada há um ano pode não ter as mesmas propriedades que uma que foi publicada hoje”, referiu, adiantando que a pandemia da covid-19 tem sido “um caso de estudo muito interessante no universo das ‘fake news’”.