Tráfico

Professora da UFG é presa após receber 1 kg haxixe pelos Correios

Doutoranda em psicologia, ex-coordenadora do curso de direito da UFG tem pesquisa: “Higiene social com a prática de homicídios cometidos pela Rotam”


Jairo Menezes
Do Mais Goiás | Em: 03/10/2018 às 18:10:22

Carro em que pesquisadora estava, sendo vistoriado por cães farejadores: 1kg de haxixe (Foto: PM-DF)
Carro em que pesquisadora estava, sendo vistoriado por cães farejadores: 1kg de haxixe (Foto: PM-DF)

A doutoranda em psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), R.A.B.N, de 45 anos, foi presa pela Polícia Militar do Distrito Federal com um quilo de maconha. A suspeita, que pesquisa homicídios cometidos pela Rotam de Goiás, havia acabado de sair, segundo a PM-DF, do Centro de Tratamento de Encomendas (CTE) dos Correios, no Setor de Indústria e Abastecimento (SAI), em Brasília. Um quilo de haxixe — droga extraída das flores da maconha — teria sido detectado pelo Raio X na hora da entrega da encomenda.

Imagens registradas pela PM-DF (veja no final da reportagem) revelaram o momento da abordagem policial. A mulher e um homem, que teve a identidade preservada pela corporação, estavam em um veículo Jeep Renegade, de cor vermelha, e já haviam chegado do lado de fora dos Correios, quando a polícia abordou.

Segundo o relato policial, a mulher autorizou que os policiais abrissem o pacote da encomenda, e dentro dele, a droga estaria em um pote fechado e lacrado. Todo o material foi encaminhado para a Polícia Federal no Distrito Federal (DF), que periciou e constatou, segundo a assessoria de comunicação, a substância ilícita. Ambos os detidos têm previsão de passar nesta quarta-feira (3) pela audiência de custódia na Justiça Federal brasiliense.

Carro em que pesquisadora estava, sendo vistoriado por cães farejadores: 1kg de haxixe (Foto: PM-DF)

Carro em que pesquisadora estava, sendo vistoriado por cães farejadores: 1kg de haxixe (Foto: PM-DF)

PESQUISADORA
Pesquisadora sobre comportamento psicológico social, do trabalho e das organizações, R.A.B.N defende a tese que aborda os estudos psicológicos de pessoas que legitimam (defendem) “grupo de extermínio da Polícia Militar de Goiás”, como apresenta a defesa de início de pesquisa dela, apresentada à Semana de Ciência e Tecnologia da PUC-GO de 2013. Ainda não houve publicação da tese por completa.

Nos relatos iniciais da pesquisadora, ela aponta que o estudo se baseia nas “práticas de higienização social promovidas pelas instituições de controle, notadamente a Polícia Militar”. A pesquisa também busca casos de mortes em confronto com equipes da Rondas Ostensivas Táticas Metropolitanas (Rotam), e que foram apresentadas pela Operação Sexto Mandamento.

Os policiais, presos na Operação Sexto Mandamento, desencadeada pela Polícia Federal em 2011, para prender uma suposta quadrilha fardada que gerenciavam um grupo de extermínio em Goiás foram absolvidos pela Justiça e não existe nenhum militar preso pelo caso.

Haxixe, droga extraída da flor da planta da maconha, encontrado no carro: encomenda pelos correios no nome da pesquisadora (Foto: PM-DF)

Haxixe, droga extraída da flor da planta da maconha, encontrado no carro: encomenda pelos correios no nome da pesquisadora (Foto: PM-DF)

QUEM É
Segundo a Plataforma Lattes, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), R.A.B.N é doutoranda em Psicologia pela PUC-GO, Mestre em Ciências Penais pela Universidade Federal de Goiás, pós-graduada em Criminologia pela UFG, pós-graduada em Direito Tributário pelo Instituto Goiano de Direito tributário da PUC-GO. É professora efetiva Assistente II da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Goiás (UFG) de Goiânia, concursada para ministrar aulas de Criminologia e Direito Penal.

Na UFG ela já ocupou, segundo os dados do Currículo Lattes, os cargos de coordenadora do Curso de Direito do Campus Cidade de Goiás, Sub-coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas (NEP) da Faculdade de Direito. O currículo ainda diz que ela é do Conselho Penitenciário do Estado de Goiás e do Conselho de Direitos Humanos de Goiás.

UFG
A UFG contesta a informação do Lattes da professora e informa que “R.A.B.N. foi aposentada por invalidez em 03 de março de 2017, conforme consta na Portaria 1.179, publicada no Diário Oficial”.