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Permissionários denunciam alta de casos de coronavírus na Ceasa

De acordo com relatos, 13 pessoas testaram positivo em apenas um dos depósitos, contrariando a informação da administração, que confirmou sete casos no total


Artur Dias
Do Mais Goiás | Em: 05/06/2020 às 19:38:24

Ceasa Goiás (Foto: Divulgação)
Ceasa Goiás (Foto: Divulgação)

Permissionários da Central Estadual de Abastecimento de Goiás (Ceasa) contestaram a informação de que sete trabalhadores do local estariam contaminados com o coronavírus (Covid-19). Eles afirmam que o número não para de crescer, sendo de 13 pessoas somente em um depósito, e que a central não está tomando medidas para evitar a disseminação.

É preciso esclarecer que os depósitos estão alocados dentro da central. Desta forma, todos que vão ao local passam por ali, o que justifica os pedidos de medidas de fiscalização por parte dos permissionários.

Os dados oficiais foram, recentemente, repassados pela Ceasa à imprensa. O órgão afirmou que existem muitas informações recebidas de maneira informal, que não são confirmadas. Alguns permissionários, entretanto, ressaltam que muitas pessoas têm medo de represálias e que a administração está preocupada em manter o local funcionando.

Uma das permissionárias, que não quis se identificar,  contestou a informação da administração da Ceasa, de sete contaminados. Em entrevista ao Mais Goiás, ela afirmou que teve que fechar as portas do seu estabelecimento, porque quase todos os seus funcionários foram infectados.

“Só na minha empresa foram 13 infectados. Temos os resultados aqui. Nós temos aquele depósito há 40 anos e nunca tivemos que fechar as portas. Isso não é brincadeira. A gente também pegou o vírus e contaminou as outras pessoas da família. Aqui em casa duas pessoas já estão hospitalizadas e com respirador. Não desejo isso para ninguém”, afirmou.

Além disso, ela afirma que a Ceasa não está tomando as medidas necessárias para conter a disseminação do vírus e que pessoas com mais de 65 anos continuam circulando livremente pelo local. “Eles começaram a medir a temperatura de quem entra, mas só nesta terça, depois que eu informei que havia testado positivo. Mesmo assim, eles só fazem nas pessoas que chegam entre as 3h e às 6h da manhã. Quem trabalha no administrativo não passa por essa medição”, ressaltou.

A permissionária afirma ainda ter recebido mensagens da administração. “Recebi ameaças de represália. Quiseram conversar e depois disseram que nós precisávamos deles”, completou.

“Tapando o sol com a peneira”

Angélica Marques de Souza também é permissionária e foi infectada pelo vírus. Ela está afastada desde o dia 22 e afirmou que a Ceasa não está dando a devida importância para o caso.

“Eu relatei a minha situação para a presidente, na época, e ela ignorou. Depois uma assessora entrou em contato e disse que o meu caso era o primeiro. Eu falei pra ela que tínhamos notícias de vários outros casos”, disse e continuou: “O que eles tem feito é medir a temperatura das pessoas. Mas é muito falho. Só fazem isso na entrada principal. Além disso, de 10 mil que entram, apenas uns 500 tem a temperatura medida. Recebemos um relato de uma pessoa que estava com febre e mesmo assim entrou normalmente.”

Angélica afirma que as pessoas temem falar sobre o assunto. “Ficam com receio. Muita gente está lá há muitos anos e tem medo de represálias. A impressão que fica é que eles estão tapando o sol com a peneira para manter o local funcionando”, concluiu.

Resposta

O Mais Goiás tentou agendar entrevista com a administração da Ceasa desde quinta-feira (4), mas não houve retorno. Por meio de nota, eles afirmaram que não possuem conhecimento sobre o número de casos atendidos nas unidades de saúde da região e que entraram em contato para apurar, mas a informação não foi confirmada.

A nota diz, também, que, até esta sexta-feira (5), apenas os sete casos foram confirmados à administração. “Todos os casos que tomamos conhecimento, mesmo que de maneira informal, averiguamos. Porém, não são confirmados.”

A Ceasa ressaltou que manteve os funcionários da administração que fazem parte do grupo de risco afastados, mas que nenhum deles possui sintomas da doença. Conforme o texto, os concessionários, permissionários e produtores, assim como os trabalhadores autônomos, possuem autonomia e responsabilidade na gerência de seus estabelecimentos e serviços.

Além disso, os empregadores são, também, legalmente responsáveis por garantir a integridade física de seus funcionários. Por fim, a nota confirma que houve um óbito funcionário de um dos boxes do entreposto e levanta uma série de medidas que, de acordo com a administração, são tomadas desde o início da pandemia. Eles ressaltam, entretanto, que “o sucesso no enfrentamento ao novo coronavírus só será alcançado com a participação de todos”.

Confira nota da Ceasa na íntegra

“A Ceasa-GO não possui conhecimento sobre o número de casos atendidos nas unidades de saúde da região. Entramos em contato para apurar, mas eles não nos confirmam essa informação. Até o dia de hoje, 05/06/2020, foi comunicado à administração 7 (quatro) casos com testes positivos para COVID-19. 

Todos os casos que tomamos conhecimento, mesmo que de maneira informal, averiguamos. Porém, não são confirmados.

Na administração, mantemos afastados das atividades os funcionários que fazem parte dos grupos de risco, porém, nenhum destes possuem sintomas ou foram testados positivo para a COVID-19. Ressaltamos que os concessionários, permissionários e produtores, assim como os trabalhadores autônomos possuem autonomia e responsabilidade na gerência de seus estabelecimentos e serviços, de acordo com o regimento interno da Ceasa-GO;

Os empregadores são, também, legalmente responsáveis por garantir a integridade física de seus funcionários;

Contudo, para evitar a disseminação da doença, a administração da Ceasa -GO tem tomado inúmeras providências, entre elas:

Campanhas educativas com faixas, cartazes e informações por meio da rádio interna;

Orientação aos permissionários, concessionários e produtores por meio de circulares e portarias, para criação de rodízio de funcionários, alteração do horário de atendimento, implantação de televendas e outras alternativas para reduzir a aglomeração de pessoas;

Instalação de tendas, ampliando o espaço de comercialização do Galpão do Produtor, reduzindo a aglomeração;

Instalação de pias e torneiras para higienização das mãos em diferentes pontos do mercado;

Disponibilização de álcool em gel na portaria principal e em outros pontos do entreposto;

Reforço na limpeza de banheiros;

Constante desinfecção de ruas e galpões com solução a base de hipoclorito de sódio;

Fiscalização para verificar o uso de máscaras, disponibilidade de álcool em gel, dispersar aglomerações a aplicação de outras medidas para evitar a disseminação do coronavírus em todo o mercado;

Medição de temperatura corporal na portaria da Ceasa; Quando necessário, é feita a medição do nível de oxigênio e encaminhamento para uma unidade de saúde quando a pessoa apresenta sintomas mais evidentes;

Contratação de equipe de enfermeiros para verificar e monitorar as condições de saúde dos trabalhadores do entreposto;

Campanha de vacinação contra a gripe influenza, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde.

Ainda, ao longo das semanas desde o início da pandemia:

Distribuição de 3 mil sabonetes individuais, sempre orientando o público para a importância de se higienizar bem as mãos;

Distribuição de mais de 7 mil máscaras de proteção.

Hoje, pessoas que sem o uso correto da máscara não podem permanecer no entreposto e os estabelecimentos que tiveram casos confirmados paralisaram suas atividades até que todos os funcionários fizessem os testes com resultado negativo.

Ressalto ainda, que a responsabilidade deve ser compartilhada, pois a Ceasa/GO é responsável pela gestão do entreposto que funciona semelhante a um condomínio. Ciente disso, nesta quinta-feira, três empresas adquiriram 160 testes rápidos para seus funcionários e a administração colocou um profissional de enfermagem dedicado a fazê-los. Isso precisa ser adotado por outros empresários e os orientamos neste sentido.

Ainda, lamento, mas confirmo a informação de um óbito. Trata-se de um funcionário de um dos boxes do entreposto.

Além dessas medidas, estamos, diariamente, buscando alternativas para minimizar a disseminação e ajudar a combater o coronavírus.

Essas medidas vêm sendo tomadas desde o início da pandemia, mas o sucesso no enfrentamento ao novo coronavírus só será alcançado com a participação de todos”.