CASO JÚLIA

“Perdi um pedaço de mim”, diz mãe de Júlia, eletrocutada em praça de Caldas

Desabafo foi feito pela empresária Reijany Honória de Almeida em uma redes sociais; Júlia morreu após tocar em uma estrutura metálica da decoração natalina


Joao Paulo Alexandre
Do Mais Goiás | Em: 30/11/2020 às 13:21:11

"Eu perdi um pedaço de mim", diz mãe de menina morta em decoração de Natal (Foto: arquivo pessoal)

Em um desabafo emocionante nas redes socais, a empresária Rejainy Honória de Almeida falou da filha, Júlia Honória Franco, de 8 anos, que morreu eletrocutada na Praça Mestre Orlando, em Caldas Novas. A menina recebeu a descarga elétrica depois de tocar em uma estrutura metálica da decoração de Natal, na última sexta-feira(27).

“[…]Eu perdi um pedaço de mim. Meu chão foi deixado ali naquele cemitério, mas eu sirvo um Deus vivo, ele me deu um anjo para eu cuidar há oito anos, para trazer felicidade nos nossos corações, mas terminou o tempo dela aqui e hoje eu creio que ela está em um ótimo lugar”, desabafa.

Ainda na publicação, a empresária lembra como foram os últimos momentos ao lado da filha do meio. Segundo ela, depois de chegar do trabalho, ela decidiu chamar o marido para dar uma volta da cidade com os filhos, – além de Júlia, o casal tem mais duas crianças de 2 e 10 anos. Essa foi o primeiro passeio de toda a família desde o início da pandemia.

Reijany revela que, na noite da morte de Júlia, eles estacionaram o carro próximo à praça, jantaram na Feira do Luar e, ao retornarem para pegar o veículo, decidiram parar um pouco no espaço público para prestigiar a decoração natalina. Com isso, ela conta que conseguiu tirar a última foto da filha em vida.

"Eu perdi um pedaço de mim", diz mãe de menina morta em decoração de Natal

Foto de Júlia Honória Franco tirada pouco antes de morrer (Foto: arquivo pessoal)

“Minha filha ama tirar fotos e me pediu que tirasse uma dela próximo à árvore de natal que está sendo montada. Tirei. Que foto linda! Na praça tem bancos. Sentamos em próximo ao lugar onde que será montado um túnel de luzes e ali minhas três crianças brincavam alegre, pois, depois de dez meses, levei elas no centro”, conta.

No relato, Raijany conta que a filha mais velha quase foi outra vítima. A irmã notou que Júlia estava fazendo caretas e se aproximou no intuito de soltar a irmã da estrutura metálica. Ao receber o choque com menor intensidade, ela gritou para que Júlia largasse. Nesse momento, a empresária percebeu que a filha já estava caída ao chão.

“Em questão de segundos estava sentada no banco e tudo isso aconteceu do nosso lado, e, quando meu esposo pegou ela no colo, os olhinhos dela estavam virados, a boca fechada travando os dentes. Meu esposo tentou abrir a boca dela e logo pessoas já chegavam para tentar socorrê-la do choque.[…] Já liguei para o Samu e vieram até rápido, colocaram ela na ambulância, mas no trajeto da praça ao Hospital ela deu uma parada cardíaca, tentaram reanimar ela”, conta.

Agradecimento

No relato, a mãe agradece todo o empenho da equipe do Hospital Nossa Senhora Aparecida, local para onde a criança foi levada pelo Samu. A unidade de saúde, inclusive, foi aonde a empresária deu à luz a garota, em 2012.

“Quero aqui deixar meu obrigado a equipe do hospital Nossa Senhora Aparecida, onde todos se mobilizaram para salvar a Julia. Quero aqui agradecer uma médica que me chamou em uma sala para dar a notícia e ela chorou junto comigo, não sei seu nome, mas obrigado por você ter tentado salvar a minha Julia. Em fim todos da equipe médica que estavam ali presente. A  oito anos atrás eu tive a felicidade de ter a Julia ali e depois de uns anos ela morreu no mesmo hospital.”

A empresária descreve a filha como uma criança “que tinha sede de aprender a palavra de Deus”. “Hoje tenho a certeza que ela esta louvando para o senhor com aquela vozinha meiga e suave. Julinha era assim que ela gostava de ser chamada, eternamente Julinha. A todos que conheceram a Julinha, nunca se esqueçam dela, lembrem-se sempre dela.”

No final do desabafo, a mulher pede que Justiça pela morte da filha. “Eu sei que a Julinha não vai voltar mais, quero justiça, pois estava sim aquele poste com muita energia ao ponto de matar um anjo. Quero justiça para que as autoridades olhem o que está sendo feito, pois hoje minha família e eu não queremos que outra família passe pelo mesmo. Justiça!”, finaliza.

Investigação

A Polícia Civil (PC) instaurou um inquérito para investigar a causa da morte da garota. O responsável pela investigação é o delegado Rodrigo Pereira, da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). O Mais Goiás tentou contato com o investigador, mas foi informado que o mesmo trata o caso em sigilo e só irá se pronunciar após a finalização das investigações.

Porém, em uma nota publicada no último sábado (28), a corporação divulgou fotos que fios desencapados foram encontrados na estrutura. Na ocorrência da Polícia Militar (PM) consta que um eletricista da prefeitura foi ao local e constatou que “toda ferragem onde estavam instalados os anjos, [que fazem parte da decoração] em um percurso de aproximadamente 60 metros, estava energizada”.

O prefeito de Caldas Novas, Evandro Magal (PP), prometeu “transparência por parte da prefeitura” no fornecimento de todas as informações que forem solicitadas pela PC. Além disso, ele defendeu o trabalho dos responsáveis pela montagem da decoração.

“É uma equipe que faz isso há muitos anos e nunca tivemos um incidente naquele local. São servidores concursados e com diplomas de eletricistas. Não é nada improvisado. Se houve algo que fugiu do controle isso vai aparecer durante as investigações”, afirma.

Evandro ainda disse que vai prestar todo o apoio necessário à família de Júlia. “Quem é pai, e eu sou pai de três filhos, sabe a dor. Nós imaginamos o que essa família está passando neste momento”, disse o gestor.

Além disso, o Mais Goiás apurou que toda a decoração foi retirada para passar por uma fiscalização. A montagem do túnel de luzes natalinas que seria montado nas estruturas que a garota levou a descarga elétrica também não será mais realizada este ano.