// // // Pela primeira vez, João de Deus é ouvido na Justiça em fórum de Abadiânia

Pela primeira vez, João de Deus é ouvido na Justiça em fórum de Abadiânia

Interrogatório referente a dois processos durou cerca de 2h. Líder espiritual está preso desde dezembro de 2018 acusado de cometer abusos sexuais


Jessica Santos
Do Mais Goiás | Em: 02/07/2019 às 16:47:19

(Foto: Walterson Rosa/Folhapress)
(Foto: Walterson Rosa/Folhapress)

O médium João Teixeira de Farias, 77 anos, foi ouvido na Justiça pela primeira vez na tarde desta terça-feira (2). Pela manhã, ele deixou o Núcleo de Custódia de Aparecida de Goiânia para participar de uma audiência no Fórum de Abadiânia. Conhecido como João de Deus, o réu é acusado de abusos sexuais e está detido desde dezembro do ano passado. Ele nega os crimes.

Iniciado por volta das 12h, o interrogatório referente a dois processos durou cerca de 2h. Além dele, foram ouvidas duas testemunhas: uma de acusação, indicada pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO) e uma de defesa, indicada pelos advogados do médium.

Após o interrogatório, os carros do Grupo de Escolta Prisional (GEP) que estavam dentro do Fórum saíram em direção ao Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia. O Mais Goiás procurou a Diretoria-Geral de Administração Penitenciária (DGAP) em busca de informações do retorno do detento e aguarda retorno. Mais cedo, o órgão informou que detalhes sobre horário, escolta e acompanhamento não seriam divulgados por se tratar de questões “restritas a segurança penitenciária”.

O nosso portal de notícias também tentou contato com a defesa de João de Deus, mas as ligações não foram atendidas até o fechamento desta matéria.

RELEMBRE O CASO

João de Deus foi preso no dia 16 de dezembro de 2018 acusado de abusos sexuais durante atendimentos espirituais. Na manhã do último dia 5 de junho, o Ministério Público de Goiás (MP-GO) apresentou ao Judiciário a décima denúncia contra o médium. Desta vez, por violação sexual mediante fraude contra dez vítimas.

De acordo com o documento, as práticas teriam acontecido durante atendimento coletivo na Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia, no local conhecido como “Sala de Entidade”, enquanto as vítimas passavam pela fila de atendimento. A defesa do médium afirma que ainda não teve acesso à denúncia.

Em maio, a força-tarefa do Ministério Público de Goiás (MP-GO) criada para investigar crimes sexuais supostamente praticados pelo médium apresentou a nona denúncia, em que ele é acusado de praticar estupro contra seis mulheres em condição de vulnerabilidade. Os crimes teriam ocorrido em sala privativa de atendimento individual, em Abadiânia, no Entorno do Distrito Federal. Além dos crimes sexuais, ele é investigado por posse ilegal de armas de fogo e munição, falsidade ideológica, corrupção de testemunha e coação de testemunhas.