Investigação

PC tem provas do envolvimento de dois policiais federais no atentado contra advogado em Goiânia

Delegado responsável pelo caso disse que perícias comprovam a participação deles no atentado que deixou sequelas em Walmir de Oliveira Cunha




A Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic) já não tem dúvidas sobre a participação dos agentes da Polícia Federal aposentados Ovídio Rodrigues Chaveiro e Valdivino Rodrigues Chaveiro no atentado a bomba que deixou sequelas no advogado Walmir de Oliveira Cunha, de 37 anos. A afirmação foi feita na manhã desta terça-feira (27) pelo titular da Deic, delegado Valdemir Pereira.

Irmãos, Ovídio e Valdivino foram presos temporariamente no início da manhã de hoje em uma operação que contou com a participação da Polícia Federal. A esposa e duas filhas de Valdivino também foram conduzidas de forma coercitiva à Deic a fim de prestarem esclarecimentos.

Bastante comedido no momento em que atendeu a imprensa, o titular da Deic apenas confirmou, sem entrar em detalhes, a informação repassada a uma rádio da Capital hoje pela manhã pelo Presidente da Sessão de Direito e Prerrogativa da OAB Goiás, Érlon Fernandes, que afirmou teria o crime sido motivado por uma disputa na área do direito da família. “Eu confirmo, mas não posso entrar em detalhes para não atrapalhar as investigações, até porque os dois suspeitos presos hoje cedo ainda estão sendo ouvidos”, relatou Valdemir Pereira.

O delegado disse ainda que a investigação está perto de ser concluída. “Foi um trabalho em conjunto com a Polícia Federal e com o Instituto de Criminalística, que produziu provas bem robustas. O que posso dizer é que em breve vamos apresentar, juntos, a conclusão desse trabalho que não deixa qualquer margem de dúvida sobre a participação dos suspeitos ora indiciados”, concluiu.

Em nota enviada à imprensa, o advogado Walmir Cunha confirmou a motivação do atentado como sendo parte de uma retaliação por conta de uma ação movida por ele na área do Direito de Família. “Após a tramitação com uma complexa ação judicial, obtive êxito em favor de meu cliente. Mas lamentavelmente, a parte derrotada, ao não aceitar a legítima decisão judicial, cometeu crime hediondo para promover uma retaliação contra minha vida e minha atividade profissional”, diz o texto.

Já a Polícia Federal informou, em nota, que colaborou com as investigações da Polícia Civil, inclusive, participando das prisões dos agentes. O órgão ainda afirmou que “repudia o ato e reafirma seu comprometimento no combate à criminalidade em todas as suas vertentes, em respeito ao Estado Democrático de Direito.”

O atentado

Walmir Cunha perdeu três dedos da mão direita e teve outros ferimentos pelo corpo quando, no final da tarde do último dia 15 de julho abriu, no escritório em que trabalha, na Rua 15 no Setor Marista, um pacote de presente que parecia ter dentro uma garrafa de uísque. Durante as investigações, a Polícia Civil conseguiu imagens do homem que contratou um mototaxista no Jardim Guanabara para levar a encomenda até o escritório.

O homem que aparece nas imagens entregando o pacote ao mototaxista se parece muito com um dos dois presos, mas o titular na Deic não confirmou quem seria ele. Com apoio de explosivistas do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da PM, a Deic concluiu também durante as investigações, que o artefato teria sido construindo por alguém que entendia de explosivos. “Um policial”, afirmou Valdemir Pereira durante coletiva concedida à imprensa em setembro passado.