Greve geral

PC-GO pode entrar em greve caso reforma da previdência estadual seja aprovada

Categoria critica a retirada de paridade e integralidade na nova legislação. Corporação cobra direitos iguais aos da Polícia Militar (PM)


Jessica Santos
Do Mais Goiás | Em: 18/12/2019 às 15:36:32

Greve geral em caso de aprovação da reforma da previdência estadual. É o que prevê o Sindicato dos Policiais Civis de Goiás (Sinpol-GO). (Foto: Divulgação/ PC)
Greve geral em caso de aprovação da reforma da previdência estadual. É o que prevê o Sindicato dos Policiais Civis de Goiás (Sinpol-GO). (Foto: Divulgação/ PC)

Greve geral em caso de aprovação da reforma da previdência estadual. É o que prevê o Sindicato dos Policiais Civis de Goiás (Sinpol-GO). Categoria critica a retirada de paridade e integralidade na nova legislação. Corporação também reivindica mais investimentos e afirma que “irá parar” se os direitos forem extintos. Entidade alega que o atual governo promove a destruição da polícia com ações chamadas de irresponsáveis. Votação da reforma deve ocorrer ainda esta semana.

Pela legislação atual, os policiais civis homens devem contribuir por 30 anos e as mulheres por 25 anos. Não há exigência de idade mínima. A corporação ainda tem direito à paridade (reajuste no salário de aposentados com base em servidores ativos) e integralidade (pensão igual à totalidade da remuneração do servidor). Com a reforma, porém, a contribuição fica estabelecida em 30 anos para ambos. E seria instituída idade mínima de 55 anos. Paridade e integralidade foram retiradas da proposta.

O presidente do Sinpol, Paulo Sérgio Alves de Araújo, afirma que a categoria vive um momento de revolta em razão “de uma crise que a PC nunca passou antes”. “Nossa briga não é nem pela questão da idade mínima para aposentar, nossa luta é pela continuidade da paridade e integralidade. Nosso trabalho é de intenso estresse, de risco e perigo. Então, devemos ter a possibilidade de uma velhice minimamente assistida. É uma recompensa e um direito por nosso trabalho que lida, diariamente, com a violência”.

Paulo Sérgio ressalta que representantes do sindicato têm ido às delegacias especializadas para convocar os policiais para a mobilização. Ele alega que a adesão à greve será de 100% e não terá previsão de volta. “Estamos chamando todos para comparecer à Assembleia Legislativa e acompanhar a votação. Em caso de aprovação, teremos greve geral. Todos estão revoltados e vão acatar a paralisação. Estamos ajustando todos os detalhes, mas já estamos conscientizando todos”, afirmou.

Diferenciação de polícias

Em entrevista ao Mais Goiás, o presidente do sindicato também criticou a diferenciação feita pelo governo estadual entre as Polícias Civil e Militar. Segundo ele, os militares contam com direitos como pensão de 100% à família em casos de morte, paridade, integralidade, diferentemente dos policiais civis.

“A proposta do senhor governador Ronaldo Caiado é irresponsável. Ele está criando duas polícias com direitos diferentes. Os militares são nobres e merecem sim todos os direitos. Não estamos criticando isso. O que queremos é uma isonomia. Nossa corporação também merece esse respeito”, disse.

Paulo Sérgio apontou, ainda, a falta de investimentos na instituição. Conforme expõe o servidor, a PC não possui equipamentos adequados e há déficit de pessoal. “Há cerca de 6 mil vagas criadas, mas só temos somente 3 mil servidores atuantes. Até nossa promoção, que deveria sair em julho, não saiu. Enquanto isso já houve a promoção da PM. Só queremos igualdade”.

Trabalho sem reconhecimento

Para o presidente do Sinpol, a Polícia Civil tem trabalhado de forma árdua sem nenhum reconhecimento do governo. “O governador tem usado como mote o trabalho da PC. Ele tem se promovido com as operações fenomenais que temos feito. Diminuímos as estatísticas de roubo a carro, desarticulamos organizações criminosas e combatemos diversos crimes. Porém, ao invés de auxiliar a corporação como tem falado por aí, Caiado promove a destruição da instituição”, criticou.

De acordo com o relato do servidor, a corporação tem atuado com contingente baixo. Cada servidor estaria trabalhado por três, quatro pessoas, ele conta. “Deixamos a família de lado para viver a PC e dar segurança ao Estado. O mérito não é do governador. Vivemos dias difíceis com Marconi Perillo e achamos que o Caiado seria diferente. Mas vemos que ele é um carrasco, que está apunhalando pelas costas quem tanto faz pelo Estado”.

Paulo Sérgio afirma que a greve vai servir para mostrar a importância da Polícia Civil e o quanto ela faz falta. “Chega de ficar trabalhando por um governo que nos trata como lixo. Ele discursa e fala que somos a melhor PC do Brasil. Então que nos trate como tal. Não vamos mais aceitar essa destruição”.

O Mais Goiás procurou a Secretaria de Segurança Pública (SSP) em busca de um posicionamento e aguarda retorno.