Cidades

PC encontra armas e dinheiro dentro de fundo falso de guarda roupas na casa de João de Deus

Uma das armas, uma garrucha, está com número de série raspado; documentação para as demais não foi encontrada. Dinheiro ainda não pode ser associado com R$ 35 mi expostos pelo Coaf. Defesa se mantém em silêncio


Hugo Oliveira

Do Mais Goiás | Em: 19/12/2018 às 13:24:46


Defesa não comentou armamentos e dinheiro encontrados em fundo falso de guarda-roupas na casa do médium (Foto: Hugo Oliveira/Mais Goiás)
Defesa não comentou armamentos e dinheiro encontrados em fundo falso de guarda-roupas na casa do médium (Foto: Hugo Oliveira/Mais Goiás)

Cinco armas, quatro de fogo, e um simulacro, além da quantia aproximada de R$ 405 mil foram encontrados pela Polícia Civil (PC) no fundo falso de um guarda-roupas na residência de João de Deus, em Abadiânia, na tarde de terça-feira (18). A detecção ocorreu durante o cumprimento de três mandados de busca e apreensão que também abrangeram o Centro Espírita Dom Inácio de Loyola e o prédio conhecido como  Casa da Sopa.

Policiais não encontraram documentos para determinar a legalidade do armamento, composto por munições, três revólveres, dois de calibre 22 e um 38; duas pistolas, uma calibre 380 e outra de airsoft; e uma garrucha com registro raspado. Além das cédulas de real, foram descobertas quantias não reveladas de dólares americanos, canadenses e australianos, bem como de peso argentino, franco suíço e euro.

De acordo com o delegado-geral da PC, André Fernandes, representante da defesa que acompanhou as diligências permaneceu calado diante dos itens apreendidos, de forma que a procedência das armas deverá ser investigada. “O registro raspado da garrucha pode resultar em um indiciamento por posse ilegal de arma de fogo. A origem e a finalidade das outras armas ainda não foi explicada”.

Segundo ele, o dinheiro ainda não pode ser relacionado aos R$ 35 milhões extraídos de contas e aplicações de João, expostos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) na semana passada e que, junto de um dos inquéritos por abuso sexual, ensejou o pedido e posterior cumprimento da prisão preventiva de João de Deus.

Delegado expõe detalhes das apreensões em coletiva de imprensa no auditório da Secretaria de Segurança Pública (SSP) (Foto: Hugo Oliveira/Mais Goiás)

“Apreendemos mais materiais, como documentos, mas é preciso manter sigilo sobre seu conteúdo para não expor vítimas ou prejudicar as investigações”, reforça André, que não nega a possibilidade de que outros mandados sejam solicitados à Justiça. “Se for do interesse das investigações, isso será feito”.

Durante a ação, agentes da Polícia Técnico-Científica utilizaram técnicas e equipamento nas referidas edificações para detectar vestígios de materiais genéticos – a exemplo de sangue e sêmen, nas dependências do médium. O resultado obtido com a inspeção, porém, não foi revelado. “A operação foi bem-sucedida e esperamos apresentar tudo com a finalização do inquérito na próxima sexta-feira (21)”.

O Mais Goiás tentou, sem sucesso, contato com o advogado Alberto Toron, líder da defesa do médium. O telefone da assessoria de imprensa estava fora de área até o fechamento desta matéria.

Denúncia

Mais uma denúncia foi formalmente recebida, na manhã desta quarta-feira (19), pela PC goiana por meio do telefone de denúncias da corporação, 197. Conforme expôs André, o novo caso foi detalhadamente compartilhado pela vítima, que não ocultou sua identificação. As informações ainda não foram repassadas à imprensa. Esta é a 17ª notícia-crime recebida pela PC contra o médium e ainda será analisada. “Ainda não tivemos tempo de apurar seu teor, mas deveremos dar atenção ao caso o quanto antes”.

A força-tarefa do Ministério Público (MP), por outro lado, já recebeu 506 denúncias contra o médium, vindas de mulheres de 17 estados e seis países diferentes. Na próxima semana, a PC deverá ter uma reunião no Consulado dos Estados Unidos em Brasília, onde autoridades estrangeiras compartilharão denuncias de vítimas daquele país. O médium também é investigado pela suposta venda de pedras preciosas falsas.