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Paulo Guedes quer negociar oxigênio da Amazônia

Ele defendeu a criação de uma Bolsa mundial de oxigênio. Já o presidente Jair Bolsonaro, por sua vez, declarou que a Região Amazônica é a “mais rica do planeta” e pode ser a “alma econômica” do Brasil.


Agência O Globo
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Do Agência O Globo | Em: 26/07/2019 às 09:46:20

Ministro da Economia, Paulo Guedes (Foto: José Cruz/Agência Brasil)
Ministro da Economia, Paulo Guedes (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

O ministro da Economia, Paulo Guedes, propôs nesta quinta-feira, em Manaus, que o Brasil estude uma forma de negociar com outros países a propriedade sobre a produção do oxigênio da Amazônia. Ele defendeu a criação de uma Bolsa mundial de oxigênio. Já o presidente Jair Bolsonaro, por sua vez, declarou que a Região Amazônica é a “mais rica do planeta” e pode ser a “alma econômica” do Brasil.

— Queremos saber se os americanos reconhecem o direito de propriedade de oxigênio. Nós produzimos oxigênio para o mundo — afirmou o ministro, durante reunião do Conselho de Administração da Superintendência Regional da Zona Franca de Manaus (Suframa).

Guedes citou os EUA como parceiros nessa negociação, o que, segundo ele, colocaria o Brasil em “outro nível”:

— Nós brasileiros somos parceiros naturais dos americanos, mas queremos saber se eles reconhecem o direito de propriedade ao oxigênio que nós produzimos.

Em outro evento, o presidente também ressaltou as vantagens da região:

— Temos biodiversidade, riquezas minerais, água potável, grandes espaços vazios, áreas turísticas inimagináveis, para alavancar nossa economia partindo daqui — afirmou Bolsonaro, ao receber homenagem em um colégio militar em Manaus. — Ao casar desenvolvimento com preservação ambiental, nós seremos a alma econômica do Brasil.

Segundo o ministro, o governo quer que Manaus seja “um centro mundial de sustentabilidade e biodiversidade”. Ele disse ainda que a Amazônia teria prioridade no desenvolvimento sustentável, mas ressaltou que o governo tem de dar atenção a todas as regiões:

— O ideal seria que o Brasil fosse uma enorme zona franca, com impostos baixos.

Há três meses, Guedes afirmou, em entrevista à Globonews, que não iria comprometer o país por causa dos incentivos à Zona Franca de Manaus e defendeu que a região busque alternativas econômicas.