Cinema

Paul Verhoeven acha perigoso refilmar Tropas Estelares durante governo Trump

Diretor acha que fazer um filme sobre fascismo e militarismo na atualidade pode ser mal-interpretado




O cineasta Paul Verhoeven, responsável por clássicos como a versão original de RoboCop e a versão de 1997 de Tropas Estelares, disse que acha perigoso fazer um remake do último na atualidade. O remake foi anunciado pela Columbia Pictures na semana passada e, nesta semana, o diretor se manifestou contra a ideia.

 

Segundo o LA Times, o diretor disse em uma palestra que: “eles disseram que vão voltar mais e mais para o romance original, enquanto no meu filme nós estávamos tentando ficar o mais longe possível dele, porque achamos o livro fascista e militarista”.

 

No livro, lançado em 1959, a trama acompanha o soldado argentino Juan “Johnny” Rico, que se junta à Infantaria Móvel da Federação. Neste futuro, apenas membros das forças armadas são cidadãos e possuem direito de voto em um monto perpetuamente em guerra com uma raça alienígena chamada simplesmente de “Insetos”.

 

O livro, polêmico até hoje, criticava os falidos governos fascistas da Europa, ao mesmo tempo que os justificava como uma aliança contra a ameça da União Soviética, já que foi lançado no auge da Guerra Fria. Além disso, para dar vivacidade à história de Rico, o autor Robert A. Heinlein usou muito de suas próprias memórias positivas na Marinha.

 

Por tudo isso, Verhoeven destacou que “retornar a essa visão do romance parece muito adequado a um governo Trump. Estamos vivendo um período muito assustador”. Para o autor – e acadêmicos – a força por trás do fascismo estava (e está) na capacidade de um líder carismático de unir o povo contra uma “ameaça” comum: vide os judeus na Alemanha ou os Insetos de Tropas Estelares