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Para evitar alagamentos, população e poder público precisam executar seus papéis, diz especialista

Goiânia tem 50 pontos de alagamento, sendo que 18 deles são considerados críticos. Ações simples da sociedade pode evitar os transtornos

É preciso apenas poucos minutos de chuva intensa para que pelo menos 50 pontos de alagamento sejam registrados em Goiânia. Além disso, existem outros 18 em que o caso é mais grave e, por isso, são monitorados com frequência e também sinalizados, como na Rua C-107, que tem cinco pontos de alagamento. O dado é da Defesa Civil de Goiânia.

O coordenador da Defesa Civil, Francisco Vieira, explica que estes locais são vistoriados por profissionais para evitar que bocas de lobo estejam entupidas, principalmente em período chuvoso. “Passamos relatórios para a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Seinfra) e eles organizam as intervenções estruturais, como expansão das galerias pluviais, se necessário”, explica Vieira.

Uma obra do tipo foi realizada recentemente na Avenida Senador Rodrigues de Morais Neto, no Parque Amazônia. Segundo o coordenador, não foi registrado alagamento no local durante ou depois da chuva de ontem (14). “O problema destes locais é a estrutura da cidade. Ali sempre foi um morro e a cidade foi construída em cima. O que a prefeitura pode fazer é cuidar para que as bocas de lobo sejam suficientes”, afirma o coordenador.

Em outros locais – como nas avenidas T-9 e César Lattes – a proximidade com córregos provocam os alagamentos. “É natural que após uma chuva intensa um córrego transborde e depois de alguns minutos volte ao normal. O nosso problema é que ao transbordar, a água invade ruas e avenidas”, explica Vieira.

Particulares

Arquiteto e Urbanista, Paulo Renato Alves afirma que 60% dos estragos causados pela chuva tem origem em atitudes da população. “As bocas de lobo são planejadas para receber parte da água da chuva, pois espera-se que os terrenos particulares tenham espaço para drenar o restante do volume, mas não é isso que acontece”, avalia o especialista.

Hoje, a Prefeitura de Goiânia exige que 25% dos terrenos sejam permeáveis, mas a fiscalização só acontece uma vez, quando a obra termina. “Pouco tempo depois de conseguir a autorização da prefeitura para morar no imóvel, o proprietário coloca cimento em toda a extensão de seus quintais. A desculpa é que jardim dá trabalho”, diz o arquiteto.

Ideias

Para amenizar o problema em Goiânia, Paulo Renato sugere que a prefeitura incentive a população a fazer uma obra simples em suas casas: uma cisterna de captação de água, que custa cerca de R$ 800 reais. “A prefeitura poderia dar desconto no IPTU para quem fazer a obra. Vai perder em arrecadação com o imposto, mas vai poupar em gastos com alagamentos, pois a água daqueles imóveis vai direto para lençol freático”, explica o especialista.

Segundo Renato, é difícil para a administração municipal cobrar determinadas atitudes da população, porque elas não são executadas pelo próprio poder público. “Nos bairros centrais, quando se faz uma praça ou algo assim, coloca-se piso tátil e até um tipo que permite que a água infiltre no solo, mas essa não é a realidade da periferia. Muitos bairros são asfaltados antes de receber as galerias pluviais”, conclui.