Do Mais Goiás

Pandemia e desinteresse podem aumentar abstenção na eleição em Goiânia

Cientistas políticos comentam cenário. Para Marcos Marinho, "não há fator novo que motiva e atrai as pessoas para a urna"; Itami Campos acredita que falta será maior entre os não obrigados a votar e prevê aumento de brancos e nulos

Advogado diz quando cota de 30% de candidatas é observada no pleito
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Goiânia pode ter uma abstenção superior à de 2016 nas eleições deste ano. É o que acredita o cientista político Marcos Marinho.

No pleito municipal passado, a capital teve 757.754 votos no primeiro turno, de um total de 957.161 eleitores, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Neste ano, são 971.221 pessoas aptas a votar.

Marinho, que é também professor e consultor de marketing político, não arrisca números, mas afirma que a redução de votantes será “considerável”. “A abstenção vai ser maior por causa da pandemia do novo coronavírus, uma vez que muitos não vão querer sair de casa, mas também pelo próprio cenário.”

De acordo com o professor, muitos já alimentam o desgaste em relação a política há bastante tempo. Além disso, ele afirma que, em Goiânia, não surgiu nenhum novo expoente capaz de mobilizar a população. “Então deve se manter essa linha branda de apoio popular. Não há fator novo que motiva e atrai as pessoas para a urna.”

Segmento

Ainda segundo Marinho, cada segmento será afetado pelos seus motivos, “mas os idosos devem se abster mais por medo da Covid-19”. Já os jovens, ele completa, “por não se sentirem motivados o suficiente”.

Também cientista político, Itami Campos diz que a maior abstenção será entre aqueles que não são obrigados: os maiores de 16 e menores de 18 e os idosos. “Como é obrigatória, e há prejuízos para quem não for, muitos dos demais irão. Contudo, o voto em branco e nulo será maior.”

Questionado sobre isso, ele afirma que o pleito, principalmente por causa da pandemia, diminuiu o engajamento do eleitor. “As pessoas se interessaram mais pela eleição dos Estados Unidos do que a nossa. Deram pouca atenção aos debates, planos de governo, etc. Interesse foi baixo, pois restringiu o contato (como eventos e carreatas).” Assim, ele prevê um baixo nível de aproveitamento de votos.

O Mais Goiás também procurou o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-GO), mas o mesmo não faz esse tipo de previsão.

Retrato

Segundo monitoramento do Instituto Internacional pela Democracia e Assistência Eleitoral (Idea, na sigla em inglês), de outubro deste ano, 26 de 41 eleições realizadas em 2020 (em diferentes países) tiveram aumento da abstenção em relação aos pleitos anteriores. O número equivale a 63% do total.

De acordo com a mesma pesquisa, na França só quatro em cada dez eleitores votaram no pleito municipal, em junho. No país, o voto não é obrigatório. Contudo, o número de ausências foi 12% maior que em 2014 – eleição municipal anterior.

A BBC Brasil informou, após ouvir cientistas políticos, que deve haver um aumento em comparação a 2016, mas nada tão alto, uma vez que o voto é obrigatório – como dito por Itami. Naquele ano, 25 milhões de eleitores não foram às urnas no primeiro turno, ou seja, cerca de 17,6% de todos os aptos a votarem.

2016 registrou, também, o terceiro ano seguido de alta nas abstenções de eleições municipais. Isso corrobora a opinião Marcos Marinho sobre a visão desacreditada da população em relação à política.