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Pandemia cria dificuldades para pré-candidatos em Goiânia pedir votos

Quinze postulantes ao cargo de prefeito pretendem adotar diversas formas de encarar campanha eleitoral

Advogado diz quando cota de 30% de candidatas é observada no pleito
Advogado diz quando cota de 30% de candidatas é observada no pleito

2As eleições 2020 serão diferentes por conta da pandemia do novo coronavírus. As recomendações sanitárias obrigarão uma campanha diferente. Sem aglomerações, há dificuldade na realização de comícios, reuniões e as tradicionais caminhadas. Os 15 pré-candidatos que já se colocaram à disposição para participar do processo político em Goiânia, estão pensando em diferentes estratégias para vencer as barreiras impostas pela Covid-19 e ao mesmo tempo tentar se tornar mais conhecido do eleitor.

O calendário inicial, definido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em dezembro do ano passado, previa o primeiro turno em 4 de outubro, e o segundo, em 25 de outubro. A PEC aprovada pelo Congresso adia o primeiro turno para 15 de novembro, e o segundo, para 29 de novembro. Entre 31 de agosto e 16 de setembro ocorre o período destinado às convenções partidárias e à definição sobre coligações; As mudanças nas estratégias dos pré-candidatos já começam pelas novas datas.

Os pré-candidatos a prefeito da capital são: Adriana Accorsi (PT), Alysson Lima (Solidariedade), Dra. Cristina (PL), Elias Vaz (PSB), Eduardo Prado (DC), Fábio Júnior (Unidade Popular-UP) Felizberto Tavares (Podemos), Francisco Júnior (PSD), Hemanuelle Jacob (PSOL), Major Araújo (PSL), Maria Ester (Rede), Paulinho Graus (PDT), Talles Barreto (PSDB), Virmondes Cruvinel (Cidadania) e Wilder Morais (PSC).

Adriana Accorsi (PT)

Sem surpresa, Adriana Accorsi é aclamada pré-candidata do PT

Adriana Accorsi (PT) tem realizado reuniões virtuais. (Foto: Maykon Cardoso)

A pré-candidata pelo Partido dos Trabalhadores (PT) ao Paço Municipal, Adriana Accorsi, avalia que nada substitui um abraço, um aperto de mão, mas o momento é de respeito as pessoas em uma campanha que será realizada em meio a uma pandemia. Adriana avalia que tem neste momento tem feito política por telefone e orientado os pré-candidatos a vereadores a fazerem o mesmo.

“Eu creio que a campanha será mais virtual até em respeito as pessoas. Nada substitui o abraço, o aperto de mão, mas isso coloca em risco a vida das pessoas, e nada há mais importante do que a vida. Temos feito política por telefone, não mande apenas uma mensagem, ligue, peça apoio, converse, mas o isolamento social é necessário”, afirmou.

Adriana Accorsi entende que é preciso estar preparada para o contato via internet, além de uma ênfase nas redes, visto que é um espaço que tem crescido bastante. No entanto, ela ressalta que não se pode descuidar do tradicional espaço de propaganda eleitoral no Rádio e na Televisão. A pré-candidata diz que tem aproveitado o momento para fazer várias reuniões virtuais.

“Estamos tendo muitas atividades virtuais com a construção do plano de governo, pré-candidatos a vereador, setores da sociedade”, ressaltou.

Alysson Lima (Solidariedade)

SDD tem feito pequenas reuniões para instruir pré-candidatos a vereadores

Alysson Lima (Solidariedade tem trabalhado no Plano de Governo). (Foto: Câmara Municipal de Goiânia)

Alysson Lima, pré-candidato a prefeito pelo partido Solidariedade, entende que o momento é de dificuldades, mas que em meio às restrições também tem trabalhado, se movimentado bastante neste período de pandemia do novo coronavírus, com a realização de atividades virtuais, além de fazer lives nas redes sociais e interagindo com o eleitor.

Com o adiamento das eleições, Alysson avalia que ganhou praticamente dois meses na pré-campanha e isso também oportuniza estabelecer alianças políticas. Ele relata que tem trabalhado neste momento na construção do plano de governo.

“Estamos trabalhando mesmo com dificuldades, restrições, temos feito várias reuniões por videoconferência, as lives, já temos um plano de ação embrionário que vai dentro nos próximos dias será concretizado como nosso plano de governo. Está muito bem elaborado o documento. Já são quase 35 páginas em 12 tópicos e abordando os principais problemas da cidade”, disse.

Dra Cristina (PL)

Filiada ao PSDB por oito anos, a atual vereadora Drª Cristina anunciou a saída da sigla para se filiar ao PL para concorrer à prefeitura de Goiânia.(Foto: Alberto Maia/ Câmara Municipal)

Dra. Cristina disputará eleição majoritária pelo PL. (Foto: Alberto Maia/ Câmara Municipal)

A pré-candidata do Partido Liberal (PL), Dra Cristina, avalia como vantagem qualquer adiamento após o dia 4 de outubro, antiga data do primeiro turno das eleições 2020. Ela entende que mesmo com todas as limitações, é um tempo a mais para que a situação melhore e possa ter alguma possibilidade dos pré-candidatos irem à campo.

Dra Cristina entende que uma campanha virtual facilita para quem já está no poder e é mais conhecido, como é o caso do prefeito Iris Rezende (MDB). Ela ressalta que o adiamanto dá fôlego.

“A gente ganha um prazo para a gente desenhar uma perspectiva sobre as atividades presenciais, a política feita de uma maneira virtual é muito fria, a gente ganha a expectativa de ter o presencial. Pra quem está no poder, a campanha virtual é melhor porque as pessoas já estão consolidadas, já conhecidas, pra nós que estamos pleiteando pela primeira vez é mais complicado. O adiamento nos dá um fôlego”, avaliou.

Eduardo Prado (DC)

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Eduardo Prado recém filiado ao DC participará de sua primeira disputa majoritária. (Foto: divulgação/Assessoria)

Assim como outros pré-candidatos, o deputado estadual Eduardo Prado (DC) entende que o contato com o eleitor vai ficar mais restrito. No entanto, para ele, as redes sociais será um espaço oportuno para se debater, avaliar trabalhos já prestados.

Prado faz críticas duras ao prefeito, e para ele a campanha eleitoral virtual prejudicará Iris Rezende. “Ele não vai ter o contato com a população para vender uma política retrógrada e ultrapassada, não vai ter o contato com as pessoas e vão ter que observar que várias promessas dele de campanha não foram cumpridas. Acho que o cidadão está mais preocupado com a Covid-19, com tudo isso que estamos vivendo, essa ascensão da doença”, declarou.

Elias Vaz (PSB)

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Deputado Elias Vaz preside PSB em Goiás e é pré-candidato a prefeito. (Foto: Divulgação)

O deputado federal e pré-candidato pelo PSB, Elias Vaz, disse que foi favorável ao adiamento das eleições, aprovado no Congresso Nacional. Ele argumenta que passar a data das eleições para um pouco mais à frente é uma tentativa de tentar colocar o processo eleitoral o mais próximo da normalidade.

Elias entende que um dos pontos chaves do processo é o debate, e uma eleição com muitas restrições não seria benéfica para a democracia. “Um dos pontos chaves do processo é o debate, se coloca um processo de escolha da população, mas com muitas restrições, isso acaba comprometendo o processo democrático. Defendi o adiamento, por entender que é um direito da população em participar do processo democrático”, afirmou.

O pré-candidato avalia que a maioria dos partidos está em compasso de espera, para ele, efetivamente a questão de adiamento comprometia a discussão de alianças, aguardando a definição do calendário eleitoral. “Não fechamos com nenhuma força, até porque esse período é de análise da conjuntura, cada partido analisando se vai ou não ter candidato, é um processo natural, que vai se intensificando”, argumentou.

Fábio Júnior (UP)

Fábio Júnior é pré-candidato pela Unidade Popular (UP). Foto: Divulgação.

Para Fábio Júnior pré-candidato pela Unidade Popular-UP, a campanha virtual deve favorecer quem está no poder. Ele entende que mesmo com o adiamento, ainda estaremos no meio de uma pandemia durante o processo eleitoral. A UP estuda alternativas para tentar se apresentar as pessoas.  Fábio é favorável a mudança da data das eleições.

“Mesmo com o adiamento ainda estaremos no meio da pandemia, a estrutura da campanha vai mudar pouco, vamos ter dificuldades de fazer campanha presencial por conta das recomendações sanitárias e ter contato com a população. É um processo que ajuda quem já está no poder, mesmo aumentando o prazo de pré-campanha, acho complicado, mas fomos a favor de jogar as eleições um pouco à frente”, destacou.

Felizberto Tavares (Podemos)

Felizberto Tavares lança pré-candidatura na segunda na presença de Álvaro Dias

Felizberto Tavares é no nome do Podemos para disputa em Goiânia. (Foto: Portal da Câmara Municipal de Goiânia)

O vereador e pré-candidato pelo Podemos, Felizberto Tavares argumenta que o adiamento possibilitou um maior prazo para continuar dialogando com outras legendas e de estruturar melhor a campanha. “Nós ganhamos um prazo para continuar dialogando. Nós temos um prazo a mais para fazer a nossa campanha”, disse.

Felizberto testou positivo para a Covid-19 e se recupera. Ele relatou que já está fazendo esboço do Plano de Governo para ser apresentado logo após as convenções. Enquanto isso, tenta reunir um bloco de partidos.

Francisco Júnior (PSD)

O deputado Francisco Junior recentemente foi escolhido pelo PSD como pré-candidato a prefeito. (Foto: Divulgação)

Para o deputado federal e pré-candidato pelo PSD, Francisco Júnior, o adiamento ajuda no sentido de organizar melhor a campanha, por possibilitar mais tempo, por outro lado, continuará com limitações, por exemplo, não tem como fazer reuniões, visitas.

Francisco Júnior analisa que numa campanha convencional o eleitor era bastante passivo no processo, e agora com restrições nos meios tradicionais de se chegar ao eleitor, o desafio se tornar maior, pois o papel do público precisará ser modificado.

“A pandemia é democrática, ela entra em todas as classes sociais, todas as formas, na política não é diferente. Vai ter que ter uma estratégia muito nova. Eu acho eu o principal ponto da campanha é porque a campanha traz o eleitor para um papel mais importante. Antes era mais passivo, ele assistia, via as carreatas, quem participava eram os militantes, ia em uma ou outra reunião para ouvir. Agora é diferente”, afirmou.

Hemanuelle Jacob (PSOL)

Hemanuelle Jacob (Manu Jacob é o nome do PSOL para disputa eleitoral em Goiânia). Foto: Reprodução: Facebook.

Hemanuelle Jacob pré-candidata pelo PSOL a prefeita de Goiânia lamenta pela realização de uma pré-campanha e em seguida uma campanha eleitoral, em um ambiente de pandemia do novo coronavírus. Ela argumenta que o planejamento está sendo feito a cada 15 dias e que a situação da pandemia é inusitada para todos os partidos.

“Todo esse período da pandemia já é uma questão inusitada para todos os partidos. Estamos planejando a cada 15 dias porque a gente não sabe qual o cenário que vai se configurar no próximo período e acaba que tudo isso afeta a política municipal.  Nosso tema da campanha é Vidas acima dos lucros, a gente não quer fazer campanha com tantas pessoas morrendo por conta da Covid-19, por conta dessa questão da segurança sanitária”, disse.

Major Araújo (PSL)

“No momento, continuo pré-candidato à prefeitura de Goiânia pelo PSL”

Deputado estadual Major Araújo é o pré-candidato pelo PSL.(Foto: Denise Xavier)

O deputado estadual Major Araújo e pré-candidato pelo PSL, relatou que o prejuízo dos efeitos da pandemia é para todos e isso refletirá na campanha política. Major Araújo ressalta que apesar de todos os problemas, não se preocupa e que a internet será uma alternativa importante. O deputado entende que será válida uma adaptação.

“Todos vão ser submetidos as mesmas regras, todos os candidatos terão as mesmas restrições. Eu não me preocupo com isso, a gente tem que se procurar adaptar, como eu sempre atuei de forma muito enfática na internet, eu procuro sempre publicar e ter um contato com o eleitor, eu pra mim foi até fácil se adaptar, eu espero que não traga prejuízo substancial a ponto de prejudicar a escolha da melhor opção para Goiânia”, afirmou.

Maria Ester (Rede)

Maria Ester é pré-candidata pela Rede. Foto: Divulgação.

Maria Ester pré-candidata pelo partido Rede Sustentabilidade entende que a decisão de adiar as eleições foi acertada, pois não há como colocar um pleito eleitoral como prioridade nesse momento. Ela ressalta que a população precisa de atenção à Saúde.

A pré-candidata explica que foi estabelecido um marco até o último dia 15 para que o partido começasse a fazer algumas atividades não virtuais. Ela argumenta que o ambiente é de luto e o trabalho de pré-campanha foi interno, de organização. Como as eleições vão se aproximando e ainda estamos no meio da pandemia, Maria Ester reforça que ações serão realizadas, mas com restrições.

“O ambiente neste momento é luto, de tristeza, de morte, e você ficar inserindo essas matérias políticas e achamos meio desrespeitoso. O que fizemos foi nos organizarmos internamente, articular com outras pessoas, partidos, no meu caso conhecer as pessoas, eu sou muito pouco conhecida nesse meio e agora a gente pretende sair um pouco do ambiente virtual”, afirmou.

Paulinho Graus (PDT)

“Meu processo é irreversível”, diz Paulinho Graus sobre pré-candidatura

Paulinho Graus disputará eleição majoritária pelo PDT. Foto: Portal da Câmara Municipal de Goiânia

Paulinho Graus pré-candidato do PDT e vereador por Goiânia avalia que foi “sábia” a decisão do Congresso Nacional em adiar as eleições municipais. Para ele, haveria um prejuízo grande caso as eleições fossem em outubro.

O pré-candidato diz que tem usado bastante o telefone para fazer as articulações políticas mantendo um distanciamento social. Ele relatou que o PDT terá chapa completa em Goiânia e que não pretende ficar a reboque de outros partidos.

“Nessa pandemia nós temos usado muito o telefone, falando com os pré-candidatos. Vamos ter 54 nomes para Goiânia, sou o pré-candidato para prefeito e o PDT vai dar a volta por cima. O PDT em Goiás sempre se posiciona em apoio a um candidato e agora queremos mudar essa história”, declarou.

Talles Barreto (PSDB)

Deputado estadual Talles Barreto (Foto: Assembleia Legislativa)

Deputado estadual Talles Barreto é pré-candidato pelo PSDB. (Foto: Assembleia Legislativa)

Talles Barreto, deputado estadual e pré-candidato do PSDB, destaca que tem se organizado na pré-campanha e aproveitado o tempo para fazer uma boa estruturação. Nomes históricos do PSDB estão trabalhando na elaboração do plano de governo, como: Orion Andrade ao lado de Leonardo Vilela e Maurício Roriz.

O pré-candidato ainda destacou que neste tempo também houve a estruturação junto a alguns segmentos, como o evangélico. O responsável por este setor será o chefe da Igreja Assembleia de Deus, pastor Messias.  Talles destacou que tem usado o tempo para ouvir as pessoas. Ele relatou que o tempo proporcionado pelo adiamento tem sido favorável.

“Pra nós é melhor, dá mais tempo para mostrar para a sociedade, quem é o Talles, porque que nós estamos trabalhando num novo plano de governo para Goiânia. Mostrar alternativas administrativamente, o que a cidade precisa melhorar”, disse.

Virmondes Cruvinel (Cidadania)

Virmondes é pré-candidato pelo Cidadania em Goiânia. Foto: Marcos Kennedy Agência Assembleia

O pré-candidato a prefeito pelo Cidadania e deputado estadual, Virmondes Cruvinel, achou interessante o adiamento das eleições. Ele entende que será possível ouvir mais segmentos da sociedade antes do início do processo eleitoral.

“Com relação as eleições, achamos interessante ter adiado as eleições, nós teremos mais contato na pré-campanha, antes da campanha oficialmente começar, podemos ouvir mais a sociedade civil organizada, lideranças religiosas, lideranças de bairros, estamos ouvindo técnicos de áreas específicas como os principais problemas”, relatou.

Virmondes ainda destacou que o tempo obtido com o adiamento das eleições tem sido importante para capacitar os pré-candidatos a vereadores, dando orientações técnicas, jurídicas e na parte de comunicação.

 Wilder Morais (PSC)

Wilder é pré-candidato pelo PSC na capital. Foto: redes sociais/Facebook

O pré-candidato do PSC, Wilder Morais entende que a mudança na data de realização das eleições não mudará bastante. Ele ressalta que pouco vai alterar, já que continuarão uma série de restrições sanitárias.

“Estamos aí no meio de uma pandemia. Estamos esperando o pico dela, eu acredito que realmente a tendência pelo que temos acompanhado a partir do leito de UTIS disponíveis, as eleições vão ter comícios? Carreatas? Encontros? Eu acredito que não vai ter nada disso esse ano. Se não vamos poder para fazer por questões de aglomeração, não vejo diferença mudar ou não a data das eleições”, afirmou.

Wilder ressalta que as redes sociais terá um papel fundamental para levar a mensagem ao eleitor. “As mídias vão ser fundamentais para isso. Vamos ter que fazer uma avaliação dos possíveis candidatos”, argumentou.

Ele destacou que desde quando saiu do governo, no mês passado, tem trabalhado conversando com lideranças, partidos e com o setor produtivo.

 

Observação: A distribuição dos nomes dos candidatos na reportagem ocorreu seguindo a ordem alfabética.