“Orem por mim”, pede a fieis padre acusado de abusar de garoto em Caldas Novas

Pároco deu seu versão dos fatos à revista Veja e reafirmou sua inocência

“Orem por mim”. Esse é o pedido que faz o padre Fabiano Santos Gonzaga, de 28 anos, acusado de abusar sexualmente de um adolescente de 15 anos, portador retardos mentais, em um clube de Caldas Novas. Preso desde o dia 4 deste mês, ele contou sua versão dos fatos em uma entrevista concedida à revista Veja.

Na matéria, publicada neste sábado (11/6), o padre reafirma sua inocência e diz que nem chegou a cogitar a possibilidade de passar os próximos anos atrás das grades. “Não tinha como eu praticar sexo oral no garoto e ainda ejacular em sua boca uma vez que a sauna estava aberta ao público e sem tranca na porta”, disse.

Em seu relato, o padre conta que entrou na sauna quando lá estavam o garoto e um senhor de aproximadamente 60 anos, que saiu logo em seguida. Fabiano, então, teria tentado conversar com o menino, que disse apenas que estava hospedado na casa de um tio em Caldas Novas. “Depois ele ficou parado me olhando. Achei ele estranho por não interagir e saí da sauna. Não fiquei lá dentro nem cinco minutos”, afirmou.

O que veio a seguir o pegou de surpresa: “Estava sentando com os meus amigos e uma senhora loira me abordou dizendo: ‘seu nego safado. Não tem vergonha não?’”, relatou. “Não entendi nada naquele momento.”

Com a confusão gerada no clube, a polícia foi acionada e ele encaminhado à delegacia. Somente lá ele teria descoberto do que exatamente estava sendo acusado.

Mas, então, o que poderia ter acontecido para que o garoto fizesse uma falsa acusação contra ele? “Tentando pensar sobre isso, cheguei à conclusão que o menino ficou interessado em mim. Mas, como eu não correspondi, ele acabou inventando toda essa história por ter um retardo mental”, diz. “A mãe tomou a história como verdadeira e já veio me acusando por eu ser minoria”, complementa, insinuando que o fato de ser negro pode ter pesado no julgamento contra ele.

Agora, o padre tenta provar sua inocência. Sentindo-se “injustiçado pela situação e pela mídia”, ele demonstra preocupação com sua família. Apesar disso, acredita que sua trajetória como pároco no município de Frutal (MG) deve pesar a seu favor. “Minha vida religiosa na paróquia mostra o contrário de tudo isso que estão me acusando”, acentua.

Nesta sexta-feira (10), a Polícia Civil indiciou Fabiano pelo crime de estupro de vulnerável. Sem provas materiais do crime, pesam contra ele os depoimentos de testemunhas e o fato de seu celular conter conversas e trocas de fotos com outros homens, alguns dos quais com que ele teria marcado encontros. Apesar de o fato em si não servir como prova, a delegada responsável pelo caso, Sabrina Leles, acredita que o material ajuda a traçar o perfil do pároco e denota seu desvio de conduta com relação à função que exerce.