Operação Cash Delivery, que envolve Perillo e Rincón, será enviada à Justiça Eleitoral

O pedido foi feito por Jayme Rincón; a operação investiga a prática de caixa dois e suposto pagamento de propina à Odebretch

A Justiça Federal determinou o envio das investigações da Operação Cash Delivery para a Justiça Eleitoral. A decisão é do juiz Leão Aparecido Alves, da 11ª Vara de Goiânia, datada de 23 de maio. Ela atende a um pedido feito por Jayme Rincón, em março deste ano. Agora, o processo será enviado à 135ª Zona Eleitoral de Goiânia.

Uma das justificativas usadas pelo juiz é de que a Justiça Federal” carece de jurisdição para processar e julgar crimes da competência da Justiça Militar e da Justiça Eleitoral, ainda que sejam conexos com crimes da competência da Justiça Federal, e, ainda que ao crime sob a jurisdição originária dessa seja ‘cominada a pena mais grave’”.

Em setembro do ano passado, a Polícia Federal pediu a quebra de sigilo fiscal e mandados de busca e apreensão do ex-governador Marconi Perillo (PSDB) e de Rincon, ex-presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop). A investigação aponta o recebimento de recursos ilícitos para campanhas eleitorais, em troca de favorecimento da empresa Odebretch. As ações teriam ocorrido entre 2010 e 2014.

O ex-governador tucano foi preso em outubro do ano passado, durante o depoimento na PF de Goiânia. Poucos dias antes, o então presidente afastado da Agetop já havia sido preso. À época, ele era coordenador de campanha de José Eliton (PSDB), que concorreu ao Governo de Goiás nas eleições de 2018.

O que motivou a apuração policial foram delações premiadas de executivos da Odebrecht. Eles afirmaram ter repassado R$ 12 milhões para campanhas de Marconi em 2010 e 2014, em troca de favores no governo.

Ao Mais Goiás, a defesa de Perillo disse que a decisão foi acertada, pois o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que “crimes comuns sob qualquer jurisdição que estiverem conexos com crimes eleitorais deve ser atraídos pela justiça eleitoral”. E mais: “neste momento não se está tratando de procedência ou não quanto aos fatos apurados, mas somente definindo competências”, comentou o advogado eleitoral de Marconi, Ademir Medina.