Nordeste

Onda de violência no Ceará entra no 12º dia

Nesta madrugada, criminosos atacaram com explosivos o Juizado Especial Criminal de Fortaleza e uma ponte na BR-116. Veículos também foram incendiados


Thais Lobo
Do Mais Goiás | Em: 13/01/2019 às 11:10:18

Foto: José Cruz/Agência Brasi
Foto: José Cruz/Agência Brasi

A onda de ataques criminosos continua pelo 12º dia no Ceará. Nesta madrugada, uma explosão atingiu o juizado Especial Criminal de Fortaleza e uma ponte na BR-116, na Grande Fortaleza. Ainda não há informações sobre a dimensão do ataque. No interior e na capital, veículos foram incendiados. Neste sábado, as forças especiais apreenderam cinco toneladas de explosivos na capital cearense.

A onda de violência teve início em 2 de janeiro após o governo anunciar medidas para tornar mais rigorosa a fiscalização nos presídios. Já ocorreram 200 ataques e o número de pessoas presas ou apreendidas por suspeita de envolvimento com a onda de violência no estado já chega a 336.

No sábado,  em uma sessão extraordinária de sete horas de duração, os deputados do estado aprovaram um pacote de medidas com objetivo de combater a violência no estado. Estiveram presentes 31 dos 46 deputados. O pacote foi proposto pelo governador do Ceará, Camilo Santana (PT).

Entre as medidas aprovadas está a chamada Lei da Recompensa, com a qual o governo pretende pagar quem ajudar o poder público com informações sobre executores desses e de outros crimes, ou puder antecipar pistas sobre novas ações. O valor a ser pago pela Lei da Recompensa não ficou definido na votação. Por meio de decreto, o governador do Ceará deve fixar um limite.

Outras medidas emergenciais aprovadas foram o aumento de 48 para 84 o máximo de horas extras que policiais civis, militares e bombeiros podem fazer por mês; a convocação de policiais da reserva para aumentar o efetivo de agentes nas rua; a criação de um banco de informações sobre veículos desmontados após roubo; restrição da presença de pessoas no entorno dos presídios, com objetivo de evitar fugas; a criação do Fundo de Segurança Pública, que terá reserva para investir na prevenção de crimes e pagar beneficiados da Lei da Recompensas; e a regularização do comando de tropas de policiais militares cedidas por outros estados.

Em meios à sequência de crime, a sessão contou com reforço policial. Do lado de fora da Assembleia Legislativa, dezenas de policiais militares estavam a postos. O pacote do governo passou pela Comissão de Constituição e Justiça, Transporte, Serviço Público, Defesa Social e de Orçamento. Somente às 20h30, as medidas foram votadas em plenário.