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Odair José: “rock n roll não é só barulho de guitarra; é atitude”

O cantor, que já foi chamado de "Bob Dylan da Central do Brasil", subirá no palco do Goiânia Noise neste sábado (19)


Murillo Soares

Do Mais Goiás | Em: 15/08/2017 às 15:09:38


Odair José marcou a década de 1970 no mercado mainstream e hoje é abraçado pela cena alternativa(Foto: Sara Maia)
Odair José marcou a década de 1970 no mercado mainstream e hoje é abraçado pela cena alternativa(Foto: Sara Maia)

Apesar de ter sido criado em Goiás, Odair José não toca aqui há, no mínimo 15 anos. Agora, pela primeira vez no Goiânia Noise, ele promete agitar a cena alternativa goiana nesta sábado (19). Sites na internet o rotulam como um cantor “popular-romântico-brega”, mas ele rejeita este título.

Odair define seu com como pop influenciado por rock clássico, como Beatles e Rolling Stones. “Vejo rock and roll não só como um barulho de guitarra. O rock é atitude”, sublinha. “Quando comecei meu trabalho (em meados da década de 1970) fui até chamado de Bob Dylan da Central do Brasil”, disse.

Discutindo religião, política e causas sociais

Nesta época, Odair teve muito sucesso popular e marcou a década por ter sido censurado pelo governo com a canção Uma Vida Só, cujo refrão dizia “pare de tomar a pílula”. A frase ia contra as propagandas de controle de natalidade da época, mas ganhou o público.

Ele também ficou conhecido como o “terror das empregadas” com a canção Deixa Essa Vergonha de Lado, que narra a história de uma moça que tem vergonha de sua profissão, mas é amparada pelo namorado.

Mas seu marco foi o lançamento da ópera-rock ópera-rock Filho de José e Maria. No disco, totalmente conceitual, ele encarna um personagem que pode ser descrito como Jesus Cristo contemporâneo (algo que Green Day fez com St. Jimmy muitas décadas depois).

A personagem se envolve com drogas, coloca em dúvida sua condição e assume sua sexualidade aos 33 anos – idade que Jesus morreu – para viver plenitude e felicidade, após anos de tristeza. Apesar de ser adorado pela crítica até hoje, o disco levou à excomunhão de Odair José da Igreja Católica. Depois disso, seu desempenho comercial caiu e ele retornou à música romântica-brega.

Cena alternativa

Com um currículo desses, é claro que a cena alternativa abraçaria Odair José. “Tenho tocado Brasil afora para o público alternativo. O público tradicional gosta mais de balada romântica, duplas sertanejas,… algo distante do meu som”, conta.

Mesmo sem o desempenho comercial da década de 1970, Odair continua lançando discos. Hoje, seu som abraça a distorção das guitarras e deixa de lá os característicos teclados e instrumentos de corda que marcam seus primeiros singles. Prova disso são os discos Dia 16Gatos e Ratos, que, segundo ele, serão a base de seu show no sábado (19).

“Faz muito tempo que não toco aí”, confirmou Odair. “Vai ser um privilégio tocar no Goiânia Noise, além de muito divertido”, disse. Se a cena alternativa do Brasil todo abraçou este cantor que foi contra a corrente em tantos aspectos durante a década de 1970, por que aqui seria diferente?

Realmente, não é necessário ter barulho para ser rock and roll.