Igor Caldas
Do Mais Goiás

Óbitos de março representam 40,5% das mortes de 2020 em Aparecida

Apesar da curva crescente de óbitos desde o início do mês, ocupação de leitos públicos volta a estaca do fim de fevereiro, abaixo de 80%

Sepultamento Covid-19 (Foto: Jucimar Sousa/MaisGoiás)
Sepultamento Covid-19 (Foto: Jucimar Sousa/MaisGoiás)

Os óbitos causados pela Covid-19 no mês de março em Aparecida representam quase metade de todas as mortes que aconteceram durante o ano de 2020. O recorde no número de mortes deste mês acompanha o quadro lamentável da doença no estado e em todo país. Foram 239 pessoas mortas pela infecção no município no último mês. Esse número representa 40,5% de todos os óbitos pela doença de 2020.

A nova variante do coronavírus, mais letal e mais transmissível, elevou a curva da média diária de mortes de forma escandalosa no município. No dia 1º de março a média estava em 3,4 óbitos diários pela infecção, 30 dias depois, no último dia deste mês foi registrada a média de 8,2 mortes diárias, um aumento de 141%. Os dados foram obtidos pelo Mais Goiás a partir de números oficiais dos boletins epidemiológicos divulgados pela Prefeitura de Aparecida de Goiânia.

Confira a evolução de óbitos da doença no gráfico abaixo:

Leitos

Em contrapartida ao número crescente de mortes pela infecção em Aparecida no mês de março, a taxa de ocupação dos leitos de UTIs exclusivos para Covid-19 da rede municipal de saúde finalmente regrediu e está em 77%. O número retorna aos parâmetros do fim de fevereiro, quando a média diária de mortes por Covid-19 era 141% menor.

O Mais Goiás conversou com o superintendente de Regulação, Avaliação e Controle da Secretaria Municipal de Saúde, Luciano Moura, para entender como a taxa de ocupação de UTIs regrediu em meio ao aumento expressivo da mortalidade causada pela doença no município. Luciano explicou que os resultados se devem a um somatório de fatores.

Luciano esclarece que entre o dia 25 de fevereiro e 31 de março o número de leitos de UTIs exclusivas para a Covid-19 no município saltou de 100 para 175. Outro fator para diminuição da ocupação dos leitos elencado pelo especialista foi o programa de monitoramento de pacientes positivados para Covid-19 em Aparecida. Ele afirma que de 40 atendimentos presenciais feitos com pacientes contaminados, três deles necessitam de internação.

Antes do atendimento presencial, o paciente é monitorado via telemedicina. “Se não tivéssemos esse tipo de acompanhamento, estes pacientes poderiam piorar em casa e ser tarde demais para salvá-lo. Com o atendimento precoce, conseguimos diminuir também o número de pedidos de internação, pois evitamos o agravamento da doença”, esclarece.

De acordo com Luciano, os pedidos de internação em leitos de UTIs e enfermarias caiu 40% nos últimos cinco dias. O terceiro fator que causa a redução de ocupação dos leitos de UTIs em Aparecida é a maior letalidade da nova variante do Coronavírus.

“Está provado que a nova variante do vírus que circula em Goiás tem uma taxa de letalidade e transmissibilidade muito maior do que as outras. Isso faz com que os casos se agravem mais rapidamente, as mortes aumentam e os leitos são liberados”, explica Luciano.

Confira a taxa de ocupação de leitos de UTIs no município:

Crianças

Além de ser mais mortal, a nova variante do coronavírus também têm agravado os casos de Covid-19 em crianças. As três únicas demandas de leitos na rede pública de Aparecida são de infantes. De acordo com Luciano, 2 delas são demandas de leitos de enfermaria e 1 de leito de UTIs.

Duas destas crianças são casos suspeitos da infecção viral e uma delas já está confirmada para a doença. “Temos visto recentemente o aumento de casos nesta faixa etária. São crianças estáveis, mas com características da doença ou realmente positivadas. O risco maior é a transmissão que elas podem causar, principalmente por essa nova variante ter carga viral maior”, declara o especialista

Ponta do Iceberg

Outro dado levantado pelo Mais Goiás revela que a situação alarmante de mortalidade em Aparecida de Goiânia é apenas a “ponta do iceberg” do quadro de mortes em Goiás. A taxa de

mortalidade, que avalia o número de óbitos em relação ao número de habitantes do município é de 1,6 mortes para cada mil habitantes.

Quando comparada com as quatro maiores cidades do estado, a taxa de mortalidade da doença em Aparecida é a menor delas. De acordo com números do IBGE, Aparecida é a segunda maior cidade de Goiás. A maior delas, Goiânia, tem taxa de mortalidade é de 2,4 mortes para cada mil habitantes. Anápolis, a terceira maior de Goiás, fica com 2,1 mortes para cada mil habitantes. A quarta maior cidade do estado, Rio Verde tem taxa de mortalidade de 1,7 para cada mil habitantes.