MEDIDAS PREVENTIVAS

O que você precisa saber e fazer para ir a um restaurante durante a pandemia

Saiba como agir para evitar o contágio e a propagação do novo coronavírus


FolhaPress
FolhaPress
Do FolhaPress | Em: 06/10/2020 às 21:04:16

Saiba o que você precisa saber e fazer para ir a um restaurante durante a pandemia do novo coronavírus (covid-19). (iStock)
Saiba o que você precisa saber e fazer para ir a um restaurante durante a pandemia do novo coronavírus (covid-19). (iStock)

Para muita gente, o confinamento já não está descendo. E essa é uma realidade com a qual precisamos lidar. Alguns dizem: a vida está lá fora. Só que — opa! —o vírus também. Portanto, não estou falando que é para todo mundo sair como se não houvesse uma pandemia, lotando calçadas de bares e filas de espera. Tampouco quero estragar os seus planos, se já começou a ficar com a boca cheia d’água só de se lembrar daquele seu prato favorito. Mas a pandemia continua, sim — firme e apenas um pouco menos forte. Como conciliar?

O fato é que muitas atividades voltaram, as pessoas estão nas ruas. Às vezes, têm necessidade mesmo, pensando nos que trabalham fora. Outros, porém, têm desejo, o tão humano desejo. A pergunta que fica então: dá para ir a um restaurante sentindo-se seguro quase como se estivesse à mesa de casa?

Em agosto passado, o InCor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP) criou uma iniciativa, a Chancela InCor, para ajudar empresas que queriam abrir suas portas ao público em um modo, digamos, mais protegido — como escolas, hotéis, teatros e, claro, restaurantes.

Quem coordena o projeto é o cardiologista Sérgio Timerman e não consigo pensar em nome melhor. Além de diretor do Laboratório de Treinamento e Simulação em Emergências Cardiovasculares do mesmíssimo InCor, ele é um notório apreciador de vinhos e da boa gastronomia. É tão querido entre os chefs da cidade que conseguiu que alguns mandassem marmitas para animar os enfermeiros na linha de frente do instituto, no auge das internações por covid-19 — doença que ele próprio contraiu e que relata de maneira impressionante. Por isso, diz: “O ‘cliente’ Sérgio Timerman, que sabe bem como é essa infecção e como deveriam ser as coisas nos restaurantes, às vezes se aborrece com o que vê por aí”.

Pergunto o que ele faz, então, em uma hora de aborrecimento. ‘Se o problema é com o funcionário ou se sinto a falta de algo, explico o que o deveria ser feito com educação e, quando há interesse, até converso com o responsável, passando de coração algumas dicas, porque sei que estabelecimentos menores dificilmente chamarão o InCor para um chancela”, conta. “No caso de um cliente que se comporta de uma maneira errada, chamo alguém do restaurante e peço que interfiram, quando noto que a pessoa não tem má fé, está distraída ou não sabe como agir. No entanto, infelizmente a gente vê por aí indivíduos que colocam a vida de todos em risco por pura provocação mesmo. E isso é horrível”.

Encontre pistas dos cuidados que você não tem como ver

No InCor, o primeiro passo para um estabelecimento ganhar a sua chancela é mandar o seu protocolo de segurança, com tudo aquilo que faz e o que não faz para evitar a covid-19. A equipe médica o analisa em busca de ajustes ou, se for o caso, refaz tudo. Daí é realizada uma visita, todos tiram dúvidas e, tempos depois, a rotina é checada para ver se está de acordo.

Claro que existem detalhes que não tem como você saber. Exemplo: “Se o fornecedor chega com produtos em engradados, eles não devem entrar. Cada item deve ser transferido para os engradados higienizados do próprio restaurante antes”, explica o médico. Pois é… Mas como saber?

O jeito é reparar se pelo menos aquilo que está bem diante dos seus olhos parece correto. “Uma pista é que tudo deve ser higienizável: cadeiras, mesas, pisos, objetos”, explica Sérgio Timerman. Ou seja, algo que não pode passar por limpeza a todo instante — vamos imaginar, o tecido de uma cadeira — deveria ter sido substituído ou encapado.

“A sua mesa está pronta”

Sabe essa história de esperar até ouvir que a mesa está pronta? Antes isso significava passar um pano para limpá-la, tirar as migalhas do cliente anterior, trocar a toalha e dispor copos, pratos… Agora não! “Mesa pronta é mesa muito bem higienizada entre um cliente e outro”, avisa o doutor. Tem mais: estranhe se a louça já estiver já, bonitinha, lhe aguardando. “Para evitar a infecção, pratos, copos, talheres e guardanapos devem ser oferecidos com proteção e só quando o cliente já estiver sentado”, ensina.

Mudança no cardápio

O velho cardápio de papel, capa de plástico ou de couro, pode ser foco de contaminação. Pense: todo mundo bota as mãos ali. Por isso, os protocolos de segurança mandam que os cardápios passem a ser impressos em materiais higienizáveis ou, ainda melhor, se tornem on-line, com o cliente podendo baixá-lo por meio de QR-code.

Álcool para todos

Não basta disponibilizar o álcool em gel só na entrada dos lugares, no lobby e no balcão. “Todos os protocolos internacionais são claros: cada mesa precisa ter um dispenser dele”, avisa Sérgio Timerman.

Lembre-se sempre que higienizar as mãos e manter a distância física é a melhor maneira de se proteger. E ter o álcool à mesa facilita não só a higiene, mas evita que você precise se levantar para ir até a pia do banheiro — que deve ter toalhas descartáveis e nada diferente disso para secar as suas mãos — ou que fique chamando o garçon para ver se ele pode trazer o gel.

“Quanto menos contato você tiver com funcionários, com outros clientes, com quem for, será melhor”, adverte o doutor Timerman. Ou seja, a ideia implícita aqui é a seguinte: entre, sente-se no seu canto e não fique transitando pelo ambiente ou chamando quem está atendendo a todo instante.

Um detalhe importante sobre o álcool em gel: os restaurantes costumam comprá-lo a granel. Então, quando é assim, o dispenser deve informar a procedência e, muita atenção, a data de validade. Sim, o álcool em gel tem data de validade. Quando ela expira, o produto pode até continuar com o cheirinho de álcool, mas não conte com aqueles 70% e com seu poder de destruir o novo coronavírus. Aliás, já olhou para a validade do seu álcool em gel?

O uso de face shields

De acordo com os protocolos do InCor, qualquer pessoa que entrar em contato com os clientes — garçons, recepcionistas… — precisará vestir não só máscaras como as benditas face shields sobre elas, o que, cá entre nós, a gente não vê muito por aí. “Mas devemos começar a cobrar”, recomenda o cardiologista.

E aqui vai mais um conselho do doutor Sérgio Timerman: “Note se não há marcas de dedos no material transparente da face shield“. O médico explica que muita gente acaba levantando essa parte, a viseira, ao falar com o cliente. Errado. Sem contar que, se as digitais estão ali, o equipamento de proteção não deve estar sendo higienizado com esmero diariamente, como seria de lei. De quebra, isso pode ser a ponta do iceberg do descuido — ora, se ninguém está zelando pela face shield, imagine só o resto!

Máscaras para todos

O restaurante deve disponibilizar máscaras para os funcionários, atentando para o número exigido de trocas — trocas que valem para os clientes também. Lembre-se: a eficácia de uma máscara de pano vai para o beleléu duas ou três horas depois. No caso das cirúrgicas, elas duram, quando muito, cinco ou seis horas.

E mais respeito com o outro, por favor: os protocolos do InCor e os internacionais são claros na orientação de que os clientes devem usar máscara durante todo o período em que permanecerem no local, com exceção daqueles momentos em que estiverem comendo ou bebendo, claro. Mas, aí, sempre sentados à sua mesa.

“O restaurante deve fornecer um saquinho de papel, por exemplo, para a máscara ficar guardada sobre a mesa e nunca, no bolso”, diz Sérgio Timerman. “Quando você quiser se levantar por qualquer motivo, seja para fazer xixi ou para acender um cigarro do lado de fora, já precisará estar usando máscara”, informa.

Nada de luvas

“Usar luvas em restaurantes é um erro”, aponta ainda o cardiologista. “O novo coronavírus pode se acumular nelas muito mais do que em suas mãos só de você pegar no celular, vamos supor. Daí ele será facilmente transmitido quando você tocar o rosto”, explica o médico. “É muito melhor higienizar as mãos regularmente”, assegura o doutor.

Aglomerações caem muito mal

Não dá para conceber lugares lotados. Não à toa, as mesas precisam ter de 1 a 2 metros de distância. E — ah, sim — todos concordam que, quanto mais arejado for o local, menor será o risco de contrair o novo coronavírus. Por isso o aviso de que mesas em áreas externas são melhores.

Isso, porém, não significa que as pessoas possam circular por áreas externas como em festinhas — antes da pandemia, pelo amor! — dentro de casa. Sentar-se em uma mesa externa é bem diferente de ficar em pé, bebendo, beliscando e, às vezes, fumando.

Quando há espera para entrar, de acordo com os protocolos de segurança, as pessoas também devem manter a distância física e ficar, de preferência, sentadas e de máscara. “Não porque seja mais fácil passar o vírus se estiverem de pé, mas porque aí a tendência é ninguém parar quieto e começar a circular”, esclarece Sérgio Timerman. Vale lembrar que a via é pública. Se alguém está nela consumindo e sem máscara, formando um corredor polonês de coronavírus, não é caso de falar com o restaurante — aí já seria caso de polícia mesmo.

Depois do almoço

Chegando em casa, garante Sérgio Timerman, não há tanta urgência para tomar banho, nem para trocar de roupa — como se falou no início da pandemia. “Pureza é uma virtude, paranoia não!”, brinca o doutor. Mas, evidente, vá correndo lavar bem as mãos, como deve fazer depois qualquer saída.

Talvez, como eu, você hesite e se pergunte se o programa de ir a um restaurante é seguro depois de tantos cuidados. “Com esses cuidados, ele é mais seguro, mas nunca é 100%”, reconhece o cardiologista, que desdenha selos e certificações como “covid-free“. “Isso de estar livre do novo coronavírus não existe, nem sequer dentro de casa muitas vezes. Mas a ideia é justamente esta: zelar por todas essas medidas para que a segurança desses passeios pelo menos se aproxime daquela que se tem no confinamento no próprio endereço”, diz.

Também acho que é difícil encontrar um lugar para comer que siga toda essa cartilha — embora ela seja pra lá de necessária. O jeito é, logo na porta, observar o básico, como se estão checando se quem deseja entrar tem sintomas de infecção, se é um local ventilado, se as mesas são distantes, se funcionários estão com máscara e face shield. E, então, aprender a cobrar o resto. Sim, cobrar com jeitinho e sem se acanhar. É um direito seu, se quiser recuperar um mínimo de normalidade com máxima segurança.