Eleições 2014

NY Times: popularidade de Marina Silva reflete cansaço com corrupção

Além da crescente insatisfação com a economia e a corrupção, o jornal destaca que Marina vem ganhando espaço na medida em que cresce o número de eleitores evangélicos no Brasil




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O crescimento da candidata Marina Silva (PSB) nas pesquisas eleitorais é símbolo de um sentimento antigoverno que tem agitado os brasileiros, incluindo o cansaço das pessoas com a corrupção na política e o desempenho fraco da economia, destaca o jornal norte-americano The New York Times em uma extensa reportagem sobre as eleições brasileiras publicada na edição desta terça-feira.

Com uma foto da candidata Marina Silva ocupando quase toda a página do início da editoria de “Internacional”, a reportagem, assinada pelo correspondente do jornal no Brasil, Simon Romero, fala do aumento recente da popularidade de Marina e da disputa apertada com a presidente Dilma Rousseff (PT) nas eleições de outubro. Além da crescente insatisfação com a economia e a corrupção, o jornal destaca que Marina vem ganhando espaço na medida em que cresce o número de eleitores evangélicos no Brasil. Outra razão é a insatisfação dos brasileiros, que tiveram aumento de renda nos últimos anos, mas não da qualidade de vida e dos serviços públicos nas grandes cidades.

O Times conta na reportagem a história de Marina, destacando sua infância pobre no Acre, sua alfabetização apenas depois dos 16 anos de idade e fala ainda da sua conversão à igreja evangélica em 1997. A reportagem destaca que Marina não tem dado tanta ênfase, até agora na campanha, para sua origem humilde e sua etnia. “Ao contrário, a candidata optou por uma mensagem difusa de uma ‘nova política’ necessária para barrar o PT e o PSDB, partidos que vêm dominando a política nacional por mais de 20 anos”, diz o texto.

O jornal dos EUA ressalta que tanto Marina como Dilma foram ministras de Luiz Inácio Lula da Silva, mas enquanto ocupavam as pastas divergiam de quase tudo, de usinas nucleares a uma hidrelétrica na Amazônia. Dilma acabou sendo presidente do Brasil e o PT teve que fazer uma aliança com o PMDB para conseguir governar, diz o texto. Já Marina se distanciou do PT a partir de 2009, quando saiu do partido, e tem procurado mostrar que defende uma política econômica mais amigável ao mercado.

Apesar de crescer nas pesquisas, os desafios para Marina persistem, destaca o Times. O jornal cita, por exemplo, que a campanha de Dilma tem um caixa de US$ 55 milhões, cerca de cinco vezes a mais do que a da candidata do PSB. Além disso, ataques à Marina ganharam força nas últimas semanas, barrando o crescimento dela nas pesquisas mais recentes, ressalta o jornal.

A reportagem destaca ainda que Marina falou pouco na campanha de como lidaria com questões diplomáticas mais sensíveis do Brasil, como a aproximação do país com a Venezuela e Cuba durante o governo do PT. O fato, porém, de que a corrida presidencial se estreitou em duas mulheres de esquerda, uma negra, ambas do governo Lula e contrárias ao regime militar, mostra a consolidação da democracia brasileira desde os anos 80, ressalta o texto.

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