CORONAVÍRUS

“Nossa missão é proteger os idosos”, diz professora de Geriatria da UFG

Pessoas com mais de 60 anos com doenças crônicas são mais propensos a apresentar Covid-19 com maior gravidade


Eduardo Pinheiro
Do Mais Goiás | Em: 18/03/2020 às 12:59:30

Professora de geriatria da UFG, Elisa Franco, fala sobre cuidados com o coronavírus (Foto: Arquivo pessoal)
Professora de geriatria da UFG, Elisa Franco, fala sobre cuidados com o coronavírus (Foto: Arquivo pessoal)

A primeira vítima fatal da Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, no Brasil, foi um homem de 62 anos, com diabetes e hipertensão. Justamente o grupo de risco apontado pelos países que já passaram pelo pico da epidemia, o que também é confirmado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Diante disso, a orientação principal de especialistas é para que os idosos tenham o mínimo de interação social possível.

O ministro da Saúde, Henrique Mandetta, em entrevista coletiva realizada na terça-feira (27), ressaltou categoricamente que a população cuide dos idosos. Isso quer dizer que os mais jovens devem evitar contato com pessoas acima dos 60 anos. Sobretudo as crianças, que na maioria dos casos não apresentam sintomas e podem ser um vetores poderosos para o novo coronavírus. 

Segundo dados da OMS a taxa de mortalidade entre idosos com mais de 80 anos chega a 15%. Para se ter uma ideia, abaixo dos 40 anos a taxa é de 0,2%. As capitais Rio de Janeiro e São Paulo já registram casos de transmissão comunitária, quando não é identificada a origem da contaminação. Com isso, o país entra em uma nova fase da estratégia brasileira, a de criar condições para diminuir os danos que o vírus pode causar à população. O que liga um alertaAlém disso, o pico de contaminação no país deve chegar entre abril e junho.

Envelhecimento

A professora de Geriatria da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás, Elisa Franco, explica que os idosos são mais afetados pela Covid-19 devido à chamada imunossenescência,ou seja, o envelhecimento do sistema de defesa do corpo. Aliado a isso, o idoso também é mais propenso a ter doenças crônicas, como diabetes, artrite, doenças cardiovasculares, alzheimer, entre outras, o que limita a resposta ao ataque viral.

Além disso, há um grupo de risco maior. Os chamados idosos frágeis – aqueles que têm perda de força e apresentam fragilidades em geral, sem necessariamente terem doença associada. Em geral, são idosos com mais de 80 anos, justamente faixa etária de maior mortalidade causada pelo novo coronavírus. 

Como o vírus é de rápida transmissão, já que passa pelo simples contato, e muitos idosos precisam de ajuda para tarefas diárias, é preciso ter cuidado.

Cuidados

“Nossa missão é proteger os idosos, que fizeram muito pela gente e trabalharam bastante”, afirma a professora de geriatria Elisa Franco. Para isso, é preciso evitar com que eles saiam o máximo possível de casa. Ela orienta que alguém mais jovem se disponha a fazer compras de supermercado, ir à farmácia e que evitem também de fazer exames preventivos nas clínicas.

Caso um idoso precise de um cuidador ou de atendimento médico, aponta a professora, é bom reforçar os cuidados, inclusive com ambos, cuidador e idoso de máscaras. E sempre lavar bem as mãos. 

“Além disso, é bom que tenham boa alimentação e bom descanso. Com isso, garantem um corpo mais preparado e fortalecido”, diz Elisa. “Cuidado com corticoides e ibuprofeno. Aliás, anti-inflamatórios em geral não são recomendados para idosos e busque informações sérias e fidedignas”, aponta.