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Nenhum estado deveria ser considerado eficiente, diz ex-secretária das Finanças de Goiás

Ela pondera que a comparação relativa de eficientes e ineficientes entre os estados brasileiros feita pelo ranking faz sentido, mas, em níveis absolutos, os serviços oferecidos pelos governos estaduais no Brasil não deveriam ser considerados eficientes


FolhaPress
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Do FolhaPress | Em: 20/08/2018 às 15:07:14

A especialista foi uma das convidadas para o debate realizado nesta segunda-feira (20) no Insper, a fim de discutir o Ranking de Eficiência dos Estados-Folha (Foto: Denis Marlon/Sefaz)
A especialista foi uma das convidadas para o debate realizado nesta segunda-feira (20) no Insper, a fim de discutir o Ranking de Eficiência dos Estados-Folha (Foto: Denis Marlon/Sefaz)

Todos os estados brasileiros merecem um “downgrade” e não deveriam ser classificados como “eficientes”. A afirmação é de Ana Carla Abrão, ex-secretária de finanças de Goiás e sócia da consultoria Oliver Wyman.
A especialista foi uma das convidadas para o debate realizado nesta segunda-feira (20) no Insper, a fim de discutir o Ranking de Eficiência dos Estados-Folha.

“Não consigo achar nenhum estado eficiente”, disse.

Ela pondera que a comparação relativa de eficientes e ineficientes entre os estados brasileiros feita pelo ranking faz sentido, mas, em níveis absolutos, os serviços oferecidos pelos governos estaduais no Brasil não deveriam ser considerados eficientes.

“Com o atual modelo de gestão da máquina pública, não vamos atingir eficiência. A alocação de recurso está completamente distorcida. Ou muda o modelo ou vamos colapsar”, completou Abrão, referindo-se à composição dos gastos dos estados, que, em casos extremos, chegam a direcionar 70% de sua receita à folha de pagamento de servidores ativos e inativos.

No ranking desenvolvido pela Folha de S.Paulo, Santa Catarina, São Paulo, Paraná, Pernambuco e Espírito Santo são classificados como eficientes na utilização dos recursos públicos, ou seja, entregam melhor educação, saúde, segurança e infraestrutura em relação ao que gastam.

Já Alagoas, Sergipe, Roraima, Rio Grande do Norte, Acre, Pará e Amapá são considerados ineficientes. Nos casos de Amapá, Pará e Acre, por exemplo, a receita per capita é alta graças à população reduzida e à ajuda federal, mas, ainda assim, os serviços públicos são ruins.

Para Fabiana Rocha, professora de economia da USP, os estados que gastam muito e entregam pouco sofrem de “ilusão fiscal”, porque sobrevivem basicamente de transferências da União, com baixa arrecadação própria. “Como não associam a receita ao custo de arrecadação, dão muito menos valor àquele dinheiro. É o mesmo que acontece com quem trabalha e pensa para gastar do que quem recebe mesada do pai”, completou.

A economista pondera ainda que a busca por mais eficiência na administração pública se tornou uma demanda da população. Com a crise, mais pessoas se voltaram ao setor público em busca de escolas, hospitais e segurança, ao invés de procurar o setor privado.

Por outro lado, a população não aguenta mais pagar tanto imposto e está indignada com os desvios de recursos provocados pela corrupção. “O único jeito de resolver essa equação é melhorar a eficiência. Por conta disso, o índice desenvolvido pela Folha é mais do que oportuno”, afirmou Rocha.

Os especialistas reunidos no seminário acreditam que o impacto da divulgação do ranking no período pré-eleitoral tende a ser expressivo. “Nenhum governador gosta de ver seu estado numa colocação baixa. Tem forte impacto local e eles precisam dar explicações”, disse Abrão.