Coronavírus

Não há motivo para pânico, dizem infectologistas

Marina Roriz alerta, no entanto, que população deve seguir recomendações do Ministério da Saúde; Luciana Duarte Morais defende que momento é de conscientização


Eduardo Pinheiro
Do Mais Goiás | Em: 13/03/2020 às 15:41:30
Francisco Costa
Do Mais Goiás | Em: 13/03/2020 às 15:41:30

(Foto: Reprodução / Reuters)
(Foto: Reprodução / Reuters)

A infectologista Marina Roriz Pedrosa afirma que não há motivo para pânico com o novo coronavírus, em Goiás. No entanto, a população precisa ter cautela e seguir recomendações do Ministério da Saúde, como lavar sempre bem as mãos, evitar aglomerações e, caso haja suspeita, buscar unidades de saúde.

Marina Roriz diz que os profissionais de saúde de Goiás estão no caminho certo para controlar a disseminação da doença. “É importante tentar diminuir a velocidade do ciclo de casos. Se tivermos muito de uma vez, pode colapsar o sistema de saúde”, diz.

Por isso, a população precisa fazer a parte dela, diz Marina. O governo de Goiás cancelou grandes eventos, além de formaturas, cursos e outros tipos de conferências realizadas pelo Estado. Os jogos de futebol permanecem, mas sem torcida.

Conscientização

Para a também infectologista Luciana Duarte Morais, o pânico só atrapalha. “Mas é uma situação de alerta”, adverte. Segundo ela, nos próximos dias é possível esperar que haja, realmente, um aumento. “Tanto de suspeitas, como de confirmados.”

Ela informa que nos próximos dez a 14 dias será dado um norte. “Os casos que tivemos até agora são de epidemiologia de viagens, ou seja, aquelas pessoas com históricos recentes de estada em outro país. Nesse período podem surgir casos sem esses relatos”, informa, mas destaca que também podem continuar a surgir casos de pacientes que visitaram outras nações.

Assim, Luciana reforça a necessidade de se evitar aglomerações, uma vez que até na fase de incubação – que é sem sintoma – existe a transmissão. “Não precisa usar máscara na rua, isso não ajuda. Então, é bom lavar sempre as mãos e usar álcool gel, quando possível. O nosso maior objetivo é controlar a disseminação para não termos um pico muito grande, que sobrecarregaria o sistema de saúde.”

Questionada se vê a necessidade de suspender as aulas, ela diz que não, neste momento. “É algo que deverá ser bem conversado”, acredita a médica, que ressalta, ainda, não haver casos de transmissão interpessoal, em Goiás. Ainda assim, ela cita que as crianças, mesmo apresentando casos mais brandos do novo coronavírus, são transmissoras. “Nossa maior preocupação são os idosos. Então, nos próximos dias deve haver uma definição”, declara sobre o posicionamento em relação às escolas.

“Precisamos é de conscientização. Quem estiver com algum sintoma de gripe, febre e tosse, fique em casa. Ir ao pronto socorro apenas se houver falta de ar ou uma piora no estado geral”, pontua. “E reforçar bastante as medidas de higiene”, insiste.

Situação em Goiás

Segundo informações da Secretaria de Saúde do Estado (SES), os dados da Plataforma IVIS, do Ministério da Saúde, destacam que existem 15 casos suspeitos em investigação em Goiás. Destes, três foram confirmados e outros 34 descartados. Não houve nenhuma alteração de quinta-feira (12) para esta sexta-feira (13).

Ainda conforme a SES, a última atualização do Ministério da Saúde foi ás 16h20 de quinta. A expectativa é que até o fim desta tarde um novo boletim seja emitido.

Os três casos de Goiás são: uma idosa de 61 anos, que mora em Rio Verde, e que esteve recentemente na Espanha; além de duas moradoras de Goiânia, sendo uma de 38 anos, que viajou para Itália, e uma de 38 anos, que esteve nos Estados Unidos. Nenhuma das mulheres apresentou sintomas graves. Elas estão em isolamento domiciliar.