ENTREVISTA | CORONAVÍRUS

“Não existe uma panaceia. É um conjunto de medidas e mudanças de hábitos”, afirma secretário

Secretário da Saúde, Ismael Alexandrino, afirma que Estado está preparado para epidemia, mas ressalta que população precisa colaborar


Eduardo Pinheiro
Do Mais Goiás | Em: 13/03/2020 às 13:17:55

Governador Ronaldo Caiado e secretário Ismael Alexandrino durante entrevista coletiva sobre coronavírus em Goiás (Foto: Ascom/ Divulgação)
Governador Ronaldo Caiado e secretário Ismael Alexandrino durante entrevista coletiva sobre coronavírus em Goiás (Foto: Ascom/ Divulgação)

Goiás têm três casos confirmados de coronavírus e outros 16 em monitoramento, segundo dados do Ministério da Saúde. Diante da confirmação da presença do vírus no Estado, o governador Ronaldo Caiado (DEM) assinou decreto declarando emergência na Saúde, o que elimina a necessidade de licitação para compras de equipamentos e insumos, além de cancelamento de grandes eventos. O Mais Goiás entrevistou o secretário de estado da Saúde, Ismael Alexandrino, sobre o preparo da estrutura para os pacientes. Leia abaixo:

MAIS GOIÁS: Goiás está preparado para a epidemia do coronavírus?

 Ismael Alexandrino: Desde o início do ano havíamos preparado. Fomos o primeiro Estado do Brasil a fazer o plano de contingência. Tivemos o privilégio de receber os repatriados em Anápolis, o que nos ensinou bastante. Cacifamos o nosso Lacen [Laboratório Central] a ser o primeiro do Lacen país a fazer os testes de coronavírus. Ontem [quinta-feira, 12] anunciamos os primeiros três casos, com assinatura do decreto de Estado de emergência na Saúde no estado, o que permite que a Secretaria de Estado da Saúde utilize a capacidade de até 222 leitos do Hospital do Servidor Público. 

MAIS GOIÁS: Quais são as orientações para a população

Ismael Alexandrino: A grande maioria dos casos são casos de sintomas muito simples. A orientação é que sigam em casa. Ninguém deve procurar o Hospital de Doenças Tropicais (HDT), que é a referência. A nossa instrução é ficar o mais longe da unidade. Baixe o aplicativo “Coronavírus-SUS”, se não estiver bem, o paciente consegue inserir os sintomas e ver se se enquadra. Orientamos que procure a unidade mais próxima de casa, caso se sinta mal, o pronto-socorro que confia do seu plano de saúde. Quem não têm, a orientação é procurar a Unidade Básica de Saúde mais próxima. Se tiver lotada, pode procurar uma Unidade de Pronto Atendimento ou hospital maior.  Para isso, montamos salas modulares no estacionamento para triagem. quem não tiver será reconduzido.

MAIS GOIÁS: A tendência é que álcool em gel e máscaras se esgotem no mercado e fiquem mais caros. Como fazer para que o maior número de pessoas tenha acesso aos itens?

Ismael Alexandrino: Álcool gel não têm restrições.  Estimulamos que a população adquira, para fazer a higienização corretamente. Lave bem as mãos. Para o Álcool 70%, que é líquido, a higienização é super simples. Sobre as máscaras, não faz sentido quem não tiver com sintomas respiratórios usar. Obviamente a população, com medo, acaba procurando esse tipo de material. Mas, repito, não faz sentido uma pessoa sem sintomas respiratórios fazer uso de máscaras.

MAIS GOIÁS: Os transportes coletivos, como ficarão?

Ismael Alexandrino: No decreto assinado pelo governador Ronaldo Caiado na tarde de quinta-feira, há orientação para  flexibilização do horário dos servidores públicos, que poderão chegar em horários escalonados. Foi pedido para que os empresários também flexibilizem os horários de entrada. Não necessariamente para o problema da entrada, mas para diminuir aglomeração nos pontos e terminais de ônibus. Pedimos também para que os empresários do transporte público intensifiquem a limpeza dos veículos com produtos apropriados. 

MAIS GOIÁS: É possível que haja um pico de contaminações nos próximos 15 dias, como será a contenção?

Ismael Alexandrino: Não existe uma panaceia. É um conjunto de medidas e mudanças de hábitos. Por exemplo, devemos evitar cumprimentos para diminuir disseminação do vírus, lavar constantemente as mãos e tossir nos braços, não nas mãos. Do ponto de vista do indivíduo, o coronavírus não têm tanta gravidade. A maioria dos indivíduos apresenta sintomas leves ou moderados. A preocupação é do ponto de vista coletivo, epidemiológico, pois pode colapsar o sistema de saúde. A vida continua e as pessoas adoecem de outras coisas, sofrem infarto e se acidentam e precisam de acesso a unidades de saúde.

Teremos um aumento quantitativo significativo de casos nos próximos 15 dias. A crise deve durar por volta de quatro meses e após isso deve diminuir o ciclo de contaminação. Tudo está absolutamente dentro do esperado. Desde o primeiro momento o Estado de Goiás tem se antecipado. Somos o  único estado do país a ter um hospital exclusivo para os casos de coronavírus.

MAIS GOIÁS: O hospital está equipado?

Ismael Alexandrino: Antes da confirmação dos três casos de coronavírus no Estado, tínhamos feito atas de registro de compra de alguns materiais. Adquirimos 40 ventiladores mecânicos, além de leitos automatizados, que podem chegar até 222 unidades. Não abriremos todos de uma vez, vai ser tudo gradual conforme a demanda.