FolhaPress

Naja será exposta em SP: “Uma rainha”, diz pesquisador do Butantan

Ela foi trazida para a capital após ganhar fama ao picar um homem indiciado por suspeita de tráfico de animais em Brasília

Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) denunciou quatro pessoas por envolvimento em um esquema de criação ilegal e tráfico de cobras exóticas (Foto: Divulgação/Zoológico DF)
A Naja será exposta ao público assim que o Butantan for reaberto - o que estava marcado para outubro, mas que agora não tem previsão. Ela também ficará à disposição para pesquisadores interessados em estudar seu comportamento, características físicas e veneno.

Como boa parte dos brasileiros nos últimos meses, a famosa cobra Naja está em quarentena. O lar onde cumpre o isolamento social é uma caixinha privativa, sossegada, localizada na zona oeste de São Paulo. Ela foi trazida para a capital após ganhar fama ao picar um homem indiciado por suspeita de tráfico de animais em Brasília.

Por pelo menos 30 a 40 dias, ela terá seu espaço respeitado para se adaptar à nova hospedagem, para onde foi levada após desembarcar de um voo comercial no aeroporto de Guarulhos na última quarta (12). Durante o período, ela será analisada e alimentada por alguns dos melhores especialistas em cobras do país, no Instituto Butantan.

A Naja será exposta ao público assim que o Butantan for reaberto – o que estava marcado para outubro, mas que agora não tem previsão. Ela também ficará à disposição para pesquisadores interessados em estudar seu comportamento, características físicas e veneno.

Por enquanto, os biólogos querem que ela fique menos estressada. Os últimos meses foram intensos, com fotos, memes, viagens, abandonos e, de certa forma, prestação de serviço público. Sozinha, a Naja desbaratou um esquema de tráfico de animais no Distrito Federal após picar e mandar para a UTI o suspeito Pedro Henrique Krambeck, que foi preso temporiarimente pelo crime.

A picada ajudou a Polícia Civil a indiciar 11 pessoas por um esquema de tráficos que envolve policiais, traficantes e familiares. No noticiário, há até um termo para os desdobramentos do episódio: “o caso Naja”.

Para especialistas, a popularidade do “Caso Naja” é uma oportunidade de ouro para reforçar o respeito ao meio ambiente e aos animais. Um ponto positivo já foi notado: a Naja não foi vista como vilã, mas como uma vítima do ser humano e um alerta contra o tráfico.

Nativas do sudeste asiático, najas não vivem livremente no Brasil. Apesar disso, elas são reduzidas a objetos de desejo de colecionadores que financiam o tráfico de animais exóticos.

Outra naja

Não à toa, o acervo do Instituto Butantan já tinha em uma naja macho, uma possível fugitiva de um traficante. A espécie foi encontrada em Balneário Camboriú (SC) de um jeito que parece até com uma lenda urbana: bombeiros a flagraram enquanto nadava em uma caixa d’água.

Atualmente, o Butantan tem 1.350 cobras vivas que foram encontradas, doadas ou que foram reproduzidas em cativeiro para pesquisas e extração de veneno. Outra parte delas chega por meio de apreensões do tráfico de animais exóticos.

A presença das najas no Brasil é especialmente preocupante. Como não pertencem à fauna local, elas podem se reproduzir à vontade, sem predadores naturais, causando desequilíbrio ambiental, acidentes entre seres humanos e aparições surpresas, como no caso catarinense da caixa d’água.

Por ser uma estrangeira, cientistas também não produzem antídotos contra seu veneno. A única amostra nacional foi comprada pelo Instituto Butantan para casos de emergência entre pesquisadores. Parte do soro, porém, foi enviada às pressas, de avião, para socorrer Krambeck.