Charme e elegância

Mulheres estratégicas: esposas de candidatos podem alavancar candidaturas

Charme, elegância, discrição são algumas das armas.


mgadmin
Do Mais Goiás | Em: 29/07/2014 às 22:48:24


As mulheres dos candidatos ao Governo de Goiás estão nas ruas em busca de votos. Se na primeira semana elas estavam deslocadas, agora, no fim do mês, buscam acertar o discurso e conquistar eleitores. Charme, elegância, discrição são algumas das armas.

Algumas delas fazem contas, pensam estratégias, agem junto aos assessores. Outras ainda observam para saber onde pisam. Não é tarefa fácil em uma terra cada vez mais íngreme. Na política, a arte de conquistar o eleitor tem sido testada em seus limites. Nunca se votou tanto em branco e nulo como nos últimos dez anos.

É nessa desesperança que entra a mulher do candidato, cuja força está no contato e olhar mais próximo dos eleitores.

De todas as armas dos políticos, talvez, a mulher seja a mais menosprezada pelas estruturas de campanha. Mas é um erro. Os que perdem sabem que vagaram neste departamento. E os vitoriosos computam os acertos das primeiras damas ao fim dos pleitos.

A mais recente a entrar na disputa é a atual primeira dama, Valéria Perillo, que costuma atuar nos bastidores quando começa um período eleitoral. Estratégica, muda a postura, se concentra no período e modifica a agenda, mirando os municípios menos cobertos pelo marido e aqueles onde sabe que pode exercer influência.

Valéria, bacharel em direito, costuma agir no grupo principal, aquele dos candidatos à vice e senador. Tem o que mostrar: comandou recentes ações sociais, como Bolsa Universitária, programa Meninas de Luz e os restaurantes populares de R$ 1.

Motivadora, argumenta que é uma fã do marido.

Valéria não perde tempo em elogiar o governador Marconi: “Nunca vi político igual. A capacidade de trabalho e dedicação ao que faz chega a ser assustadora”.

A presidente da OVG se junta às duas filhas mais jovens, que se empolgaram agora com a política.

Ana Luísa e Isabella ajudaram ao governador decidir pela candidatura à reeleição. E juntas formam uma tríade motivacional para fazer o marido e pai dormir de madrugada e acordar às 5h para cumprir a agenda e pedir os votos que o fazem liderar a disputa deste ano.

RELIGIOSA

Izaura Cardoso ao lado de Vanderlan nas Eleições de 2010 (Foto: Reprodução)Outra que tem seguido o marido na busca de votos é a assembleiana Izaura Cardoso, esposa de Vanderlan.

Na medida em que o esposo começou sua cruzada para governar Goiás, há cinco anos, ela acelerou seu trabalho nas mídias evangélicas. “Estou firme nesse novo projeto do Vanderlan”.

O propósito é tão verdadeiro que aceitou uma missão do marido: ser uma das dirigentes do PSC em Goiás.

Ao mesmo tempo que atua no partido, ela participa de encontros nas igrejas. E corre para ocupar espaços midiáticos. Dependendo do público, é mais conhecida do que o marido, devido à exposição frequente em rádio, internet e TV.

A predisposição a frequentar o partido dá uma tonalidade diferente, por exemplo, à atuação desempenhada por Valéria Perillo.

Izaura apresenta um perfil de atenção as massas e no momento certo pode ser mais do que a gestora do partido – e talvez candidata. Já Valéria jamais cogitou tal função, tendo um norte mais administrativo na militância social.

A CIRURGIÃ

Ana Cláudia Dezzen e Antônio Gomide (Foto: Reprodução)O petista Antônio Gomide tem na parceria de profissão, a cirurgiã dentista Ana Cláudia Dezzen, uma companheira mais discreta do que as esposas de Perillo e Vanderlan. Mas desde que o marido assumiu a gestão da Prefeitura de Anápolis, há seis anos, ela tem participado mais ativamente dos eventos sociais e políticos.

Ana foi determinante no momento em que Gomide teve que decidir talvez seu maior dilema político até aqui: se afastar da Prefeitura para disputar as eleições de outubro.

No dia em que ele se afastou do cargo, em 5 de abril, a primeira dama puxou as palmas e estampou um orgulho que só era menor do que o de apontar os diversos projetos sociais e de saúde, como o Saúde Bucal, implantados em Anápolis.

A DEPUTADA

Iris de Araújo e o candidato Iris Rezende (Foto: Divulgação)De todas as possíveis primeiras damas a partir de 2015, a mais política é a deputada federal Iris de Araújo.

A parlamentar chegou a concorrer ao cargo de vice-presidente, em 1993, ao lado de Orestes Quércia, ex-governador de São Paulo já falecido. Depois que o marido abandonou o cenário político nacional, Iris ocupou a pequena parcela deixada.

Não fosse Iris de Araújo, o cacique peemedebista Iris Rezende não seria candidato. Ao lado da filha, a deputada usou o direito de espernear e conseguiu peitar a ala peemedebista que estava alinhada ao empresário Friboi. Sua atuação foi tão determinante que o comando de campanha a afastou momentaneamente de Iris devido ao desgaste natural sofrido no embate político.

Aos poucos, nos últimos dias, ela tem voltado a exercer seu perfil mais carismático e crítico. Twiteira, ela costuma atirar com mais força no microblog do que no Facebook – o predileto das mulheres.

É possível que não assuma a posição de primeira-dama se o marido vencer. Quando Iris Rezende foi prefeito de Goiânia, há seis anos, ela preferiu ficar distante e seguir como deputada federal.

Vaidosa, nos últimos meses surgiu com visual diferente: deixou de pintar os cabelos e apresenta uma frondosa cabeleira alva.

Como deputada, a peemedebista tem uma trajetória apagada, sem grandes interferências no processo legislativo nacional, mas é inegável sua força regional: diga-se, é a prova de que a mulher é determinante.

É fato: Iris não seria candidato sem seu esforço.