Da Redação
Do Mais Goiás

Mulher que teve filho em banheiro de maternidade não foi atendida por falta de acompanhante

Com contrações, mulher teria solicitado atendimento, mas não o recebeu por estar desacompanhada. SMS de Aparecida afirma, porém, que atendimento foi prestado, mas transferência foi impossibilitada por falta de acompanhante e parto, que seria cesárea, evoluiu para o normal

Mara Rúbia deu a luz em um banheiro após esperar o dia todo na maternidade (Foto: reprodução)
Mara Rúbia deu a luz em um banheiro após esperar o dia todo na maternidade (Foto: reprodução)

“Ninguém estava sendo atendido”, relata o barbeiro Johnatan Ferreira de Jesus, 25, que acompanhava a esposa na noite de terça-feira (12), quando Mara Rúbia de Jesus teve um filho dentro do banheiro da Maternidade Marlene Teixeira, em Aparecida de Goiânia. “Ouvimos um grito de socorro, alguém abriu a porta e o bebê simplesmente caiu”, relata.

O caso foi registrado em vídeo, que mostra a mulher já sendo atendida no banheiro da unidade após ter o bebê. Uma pessoa grita: “a sorte é que você é forte, pois está aqui desde o meio dia!”. O relato de Johnatan confirma. Segundo ele, a mulher havia solicitado atendimento várias vezes, mas não foi atendida por “não ter acompanhante”.

O clima da maternidade era de espera. Aproximadamente sete pessoas aguardavam para serem atendidas. Várias há muitas horas. A gestante, em trabalho de parto, pediu ajuda a funcionários, mas não foi atendida, pois o filho não pôde acompanhá-la e a mãe está doente. Sentindo contrações entrou no banheiro e teve o bebê.

O barbeiro afirma que a equipe médica então a atendeu, colocou em uma cadeiras de rodas e levou para o interior da unidade.

 

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Versão da SMS

Na verdade, segundo o registro do hospital, Mara Rúbia deu entrada no hospital às 10h35. De acordo com nota da Secretaria de Saúde de Aparecida de Goiânia ela “foi prontamente atendida e às 10h50 o obstetra indicou parto cesáreo”. A nota diz ainda que o pedido foi inserido no sistema e a paciente, internada na sala de Urgência e Emergência da Maternidade, passou a ser monitorada pela equipe enquanto aguardava a transferência.

A vaga foi liberada, contudo, a Secretaria de Saúde informa que “por conta do acompanhante da paciente não ter chegado a tempo, a transferência não foi realizada”. Com a demora, o parto evoluiu para normal. Ela teria recebido orientações da equipe para ficar de repouso no leito enquanto se encontrava em trabalho de parto. “Porém foi ao banheiro desacompanhada e deu à luz exatamente neste momento”, informa a nota.

A equipe médica, composta por três obstetras, foi acionada e prestou os cuidados necessários à mãe e à criança. Mara Rúbia e o bebê passam bem.

Espera

Johnatan, que acompanhava a mulher, a atendente Layla Raiane Medeiros, 27, afirma que é comum a espera sem atendimento no hospital. A esposa estava desde às 5h da manhã na unidade por conta de um sangramento. Não foi atendida. Foi embora e voltou para tentar novo atendimento. Quando atendida, a resposta foi a mesma que ouve há uma semana: “não podemos fazer nada por enquanto”. Ela está grávida de sete meses.

Após o caso de Mara Rúbia, o barbeiro e a esposa foram embora da maternidade pois ficaram com medo. Diversos leitores do Mais Goiás relatam mau atendimento por parte da unidade de saúde.

No final de outubro, corpo de um bebê recém-nascido desapareceu horas depois da morte por complicações decorrentes da prematuridade do parto, na Maternidade Marlene Teixeira. Dado como incinerado por engano, o corpo foi encontrado por empresa de descartes e entregue à família, que o enterrou.

*Texto: Eduardo Pinheiro/Mais Goiás