MP denuncia seis pessoas por sequestro e tortura a dependentes químicos

Além dos maus-tratos, o grupo mantinha um estoque de remédios e substâncias ilegais que eram dados para os pacientes


Amanda Sales
Do Mais Goiás | Em: 19/09/2017 às 18:19:05

Imagem divulgada nas redes sociais para enganar os familiares das vítimas (Foto: Reprodução/ Facebook)
Imagem divulgada nas redes sociais para enganar os familiares das vítimas (Foto: Reprodução/ Facebook)

O Ministério Público de Goiás (MPGO) denunciou, nesta terça-feira (19), seis pessoas por crimes envolvendo o Centro Psicoterapêutico Recomeçar, uma clínica que prestava serviços de reabilitação a dependentes químicos e alcoólatras em Goiânia.

Os denunciados são Bruno Volpato Dutra, Aparecida do Rosário Dutra, Raphael Gonçalves Silva, Fabrício da Silva, Danilo Francisco da Silva e Maykon Volpato. Entre os crimes praticados estão associação criminosa, sequestro, tráfico e tortura.

De acordo com as investigações lideradas pelo promotor de justiça Mozart Brum Silva, o grupo foi responsável por sequestrar e torturar aproximadamente 18 pessoas, desde junho de 2016. Além disso dois integrantes entregaram drogas para os internos da clínica e mantinham, de forma ilegal, substâncias psicotrópicas dentro da instituição.

Caso

Bruno, Aparecida e Raphael simularam prestar serviços terapêuticos especializados e então, sequestravam e torturavam os internos do centro. Eles alugaram uma chácara no Recreio São Joaquim e anunciaram o trabalho prestado em redes sociais, de modo que muitas pessoas se interessaram e procuraram o grupo.

Segundo o MO, parentes de 18 pessoas pagaram para que os dependentes ficassem internados no Centro Recomeçar, com a promessa de que haveria acompanhamento profissional especializado em reabilitação. Então, depois de sequestrarem essas vítimas, o grupo praticava torturas e maus-tratos.

A associação criminosa, que era composta por alguns internos, mantinha os pacientes sob vigilância, sem poder sair da chácara nem manter contato com outras pessoas. De acordo com a denúncia feita pelo MPGO, as vítimas eram submetidas a afogamentos, trabalhos braçais sob o sol e sem água, além de agressões, enforcamentos, pontapés e murros.

O promotor afirma que o grupo comprava psicotrópicos e remédios de uso controlado e forçavam os internos a fazerem uso das substâncias para mantê-los dopados e evitar fugar. Para realizar a internação, muitas vítimas foram tiradas de suas casas à força e com uso de drogas.