CONSUMO

Moradores denunciam abuso de preço em supermercados de Senador Canedo

Denunciantes afirmam que donos de estabelecimentos têm escondido mercadorias para justificar o aumento nos valores


Jessica Santos
Do Mais Goiás | Em: 23/03/2020 às 13:42:27

(Foto: Agência Brasil)
(Foto: Agência Brasil)

Moradores de Senador Canedo se indignaram e denunciaram alta no preço de produtos alimentares em supermercados da cidade localizada na Região Metropolitana de Goiânia. Ao Mais Goiás, populares classificaram os novos preços como abusivos. Denunciantes afirmam ainda que donos de estabelecimentos têm escondido mercadorias para justificar o aumento nos valores.

Luís Antônio, de 37 anos, é auxiliar de vendas e se surpreendeu ao tentar fazer compras em um supermercado da região. Ele conta que a expectativa era comprar produtos alimentícios para cerca de 15 dias, como faz todos os meses. A vontade, porém, foi interrompida ao se deparar com os preços no estabelecimento.

Segundo ele, o arroz que era encontrado por R$ 13, agora custa R$ 17. Preço alto também no valor do feijão, que dobrou de R$ 5 para R$ 10, e no leite agora encontrado a quase R$ 5. “É impossível comprar mantimentos essenciais por esse valor. Nós estamos sem trabalhar. Atuo com vendas e o local que trabalho está de quarentena. Sem vender, meu salário é reduzido. Como vou conseguir pagar com esse preço tão alto? O que estão fazendo com a gente é um absurdo”, criticou.

A situação da auxiliar de serviços gerais Rosimary de Moraes é semelhante. A mulher procurou menor preço em três supermercados distintos em Senador Canedo. O resultado foi o mesmo em ambos: produtos caros, com valores acima do esperado. Ela relata que os proprietários dos estabelecimentos têm escondido mercadorias para justificar a alta.

“Eles falam que as mercadorias acabaram rapidamente e que a grande procura fez os preços aumentarem. A gente sabe que não é isso. Tem acontecido um oportunismo. A situação já é complicada e eles aproveitam para tirar o pouco que temos. Ninguém pensa nas famílias que podem ficar com fome por não ter dinheiro”, disse.

 Mais críticas

Nas redes sociais, diversos usuários também reclamaram dos altos preços. “O povo não pode pagar pelo aumento dos preços abusivos dos supermercados. O salário não aumentou. Aproveitam da população fragilizada pela covid-19… a maioria não está trabalhando. E os que são autônomos como ficam?”, comentou uma usuária em um grupo no Facebook.

Em outro comentário, uma usuária afirma que, apesar de ser cliente dos supermercados da região há seis anos, irá procurar outros estabelecimentos para realizar as compras. “Não comprem em locais com preços abusivos. Meu dinheiro esses supermercados não vão ver mais”.

Em um vídeo, um morador também reclama dos preços e pede maior fiscalização do Procon de Senador Canedo. “Cadê a fiscalização? Cadê o Procon? Se vocês tiverem compaixão com o brasileiro vão fazer o trabalho de vocês. Está uma vergonha o preço alto e abusivo”.

(Foto: reprodução)

Reposta

Em nota, a rede de supermercados União disse que produtos de alto giro como arroz, feijão, carne, leite, óleo de soja e açúcar são os primeiros itens a sofrerem alterações em virtude de instabilidade econômica ou de saúde pública. “Todas essas mercadorias sofreram reajustes absurdos e fomos obrigados a comprar nesse preço para não deixar a cidade desabastecida”, diz.

De acordo com o texto, os mencionados produtos tiveram grande aumento e “estão em sério risco de faltar em nossas prateleiras. A maioria está com a venda suspensa, ou seja, nem a preços altos vamos conseguir comprar”.

“Não divulgamos a seriedade dos fatos para não alarmar ainda mais a população e gerar instabilidade desnecessária (…) afirmar ou até mesmo insinuar que estamos nos aproveitando da situação que estamos vivendo é uma grande falta de bom senso”, diz trecho.

O Mais Goiás tentou contato com o supermercado Goianão, um dos alvos dos denunciantes, mas as ligações não foram atendidas. O espaço está aberto para manifestação. A reportagem ainda tentou contato com a Prefeitura de Senador Canedo e o Procon do município, mas as chamadas também não foram atendidas.