Altemar Santos
Do Mais Goiás

Moradores da Região Sudoeste protestam contra instalação de torres de alta tensão

De acordo com representante, torres trazem insegurança, prejudicam sinais de equipamentos eletrônicos e promovem desvalorização imobiliária. Distribuidora de energia ressalta importância das obras

Em batalha há cinco anos contra obras de instalação de rede de alta tensão em bairros da Região Sudoeste de Goiânia, moradores dos setores Santa Rita, Faiçalville e Parque Anhanguera realizam novo protesto nesta quarta-feira (10). Com audiência marcada para o próximo dia 20/2 na Justiça Estadual para definir o caso, habitantes foram surpreendidos com a emissão de uma liminar que autoriza a continuação das obras. Segundo um dos representantes do movimento, João José de Freitas, a peça jurídica foi expedida no dia 7/12, mas a população só ficou sabendo da notícia no na terça (9).

“Pensávamos que a empresa aguardaria a decisão para continuar, mas agiram pelas nossas costas, por isso estamos aqui”. Segundo João, o problema afeta ainda habitantes do Moinho dos Ventos, Veredas dos Buritis, Residencial Canadá, Jardim Presidente e Jardim Europa. A rede sai da estação no Setor Moinho dos Ventos e passa por todos esses bairros.

Entre os motivos do protesto estão insegurança, desvalorização imobiliária e até saúde. “Há relatos de que ondas emitidas pela rede podem causar câncer. Vai que acontece um acidente e nós estamos literalmente abaixo dos fios. Fizemos cotação e nossas residências sofreu desvalorização média de 30%. Além disso, a presença das torres prejudica a qualidade da rede de celular e sinal de TV”.

Diálogo frustrado

De acordo com João José, várias tentativas de diálogo foram feitas, mas nenhum acordo foi estabelecido. “Já realizamos audiências públicas para discutir a questão no Senado Federal, na Aneel, na Câmara dos Deputados, e na Câmara Municipal de Goiânia com presença do Ministério Público e representantes das partes envolvidas.

Reunidos neste momento no Setor Santa Rita, moradores reforçam que não conseguiram estabelecer diálogo satisfatório com a Celg e, mais recentemente, com sua compradora, a empresa Italiana Enel, que assumiu as obras.

Respostas

Por meio de nota, a Celg Distribuição informou que as obras foram retomadas na última terça-feira (9) , reforçando que a nova linha de distribuição é “essencial para melhorar a qualidade do fornecimento de energia na Região Metropolitana de Goiânia”.

Apesar das reclamações dos moradores, a distribuidora afirma ainda que tem buscado diálogo constante com representantes da região, com “intuito de reforçar a necessidade da obra e esclarecer todas as dúvidas da população.

A distribuidora ressalta que as intervenções possuem todas as licenças ambientais necessárias e a autorização do Poder Público Municipal, bem como a anuência da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Veja a íntegra da nota da Celg Distribuição:

A distribuidora ressalta que as intervenções possuem todas as licenças ambientais necessárias e a autorização do poder público municipal, além da anuência da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A linha também segue todas as normas técnicas e a legislação vigente em relação aos parâmetros de segurança. Além disso, o traçado da obra foi concebido para ter o menor impacto possível.

Sobre o trecho da obra que passa pela Rua Francisco de Faria, a Celg esclarece que todos os cabos condutores estão voltados para o lado da rua e que, portanto, não invadem os lotes existentes na localidade. Neste caso específico, o projeto contemplou uma solução diferenciada, com estruturas especiais de maior altura e cabos voltados somente para a via de tráfego, viabilizando a passagem da linha na calçada, em conformidade com as normas técnicas.

Sobre os campos eletromagnéticos, esclarecemos que o valor calculado neste projeto indica 4,17 kV/m para o Campo Elétrico e 19µT para o Campo Magnético, respectivamente, 2,6 vezes e 10,5 vezes menores em relação aos valores estabelecidos pelas normas técnicas vigentes.

A Celg Distribuição acrescenta, por fim, que tem buscado o diálogo constante com representantes dos moradores da região, com o intuito de reforçar a necessidade da obra e esclarecer todas as dúvidas da população.