AMOR

Modelo internacional diz que “maioria apoia” noivado com indígena

“Já ouvi: nossa, trabalhou tanto! Por que está com indígena?", disse a modelo Aline Weber, noiva do índio Pigma Amary


Fabricio Moretti
Do Mais Goiás | Em: 29/07/2020 às 13:08:34

“Já ouvi: nossa, trabalhou tanto! Por que está com indígena?
“Já ouvi: nossa, trabalhou tanto! Por que está com indígena?", disse a modelo Aline Weber, noiva do índio Pigma Amary

Desde outubro de 2019 a modelo internacional Aline Weber, 31 anos, está noiva do índio da tribo Xingu, Pigma Amary, 28. Nas redes sociais, o casal é motivo de comentários negativos por parte de alguns internautas e, em entrevista ao UOL, a modelo comentou sobre o preconceito que sofre com o amado.

“Já ouvi: ‘nossa, trabalhou tanto! Por que está com indígena?’. Sinto um pouco de raiva, gostaria que as pessoas se informassem mais. Mas a maioria sempre apoiou bastante” disse Aline. “Às vezes dizem: nada ver, tá com modelo. Mas as pessoas têm que aprender tanto com o indígena como com a branca”, afirmou Pigma.

O índio pertence às etnias Kamayura, Kuikuro, Amary, Yawalapiti e Mehinako.

A relação entre Aline e Pigma Amary teve início durante uma viagem da modelo até o Alto Xingu, no Mato Grosso. Em um barco, ela pediu para um americano trocar de lugar com ela, só para poder ficar mais próxima do índio.

A modelo mudou radicalmente de vida nos últimos meses, após o pedido de noivado ser feito pela internet: ele na tribo, e ela nos Estados Unidos, onde morou por 13 anos antes de retornar ao Brasil. “Metade das minhas coisas ainda estão em Nova York”, disse Aline Weber, que já trabalhou para marcas como Louis Vuitton, Prada, Chanel, Saint Laurent, Stella McCartney e Dolce & Gabbana.

Modelo internacional Aline Weber diz que "maioria apoia" noivado com índio Pigma Amary

Modelo mudou radicalmente de vida após o pedido de noivado (Foto: Reprodução)

Coronavírus

Pigma Amary trabalhou por dois anos como técnico em enfermagem no Xingu e já foi funcionário temporário em um hospital em São Paulo durante a pandemia. Contudo, após o contrato ser encerrado ele ficou desempregado e voltou como voluntário para tentar conter o novo coronavírus no Xingu. Em julho, o índio perdeu a mãe para a doença.

A Terra Indígena do Xingu é a primeira grande área demarcada pelo governo federal em 1961, com mais de 7 mil indígenas de 16 etnias. Até a última sexta-feira (24), cinco indígenas morreram e cerca de 80 foram infectados no Xingu, de acordo com o serviço de saúde indígena (Sesai).

“Não tem respiradores na aldeia, nem exames para detecção do vírus. As áreas são remotas e, por isso, são raros os profissionais de saúde por lá. A população do Xingu está morrendo”, relata Aline Weber.

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*Com informações do UOL