Ministério Público Federal arquiva caso sobre autoproclamação de José de Abreu

Abreu se autoproclamou presidente no dia 26 de fevereiro enquanto ainda estava na Grécia, onde mora


Larissa Lopes
Do Mais Goiás | Em: 12/04/2019 às 16:09:06

Montagem usada pelo ator como perfil no Twitter. (Foto: Reprodução)
Montagem usada pelo ator como perfil no Twitter. (Foto: Reprodução)

O MPF-RJ (Ministério Público Federal no Rio de Janeiro) pediu arquivamento no caso sobre a autoproclamação do ator José de Abreu, 72, como Presidente da República.
A decisão é do procurador Rodrigo Ramos Poerson, feita a partir de uma representação criminal que o deputado federal Alexandre Frota (PSL-SP), 55, protocolou contra o ator, aliado histórico do PT.

Abreu se autoproclamou presidente no dia 26 de fevereiro enquanto ainda estava na Grécia, onde mora. O ato foi uma forma de protesto contra a decisão de vários países, inclusive o Brasil, de reconhecer Juan Guaidó como presidente da Venezuela, em detrimento ao ditador venezuelano, Nicolás Maduro. “Acabei de me proclamar presidente do Brasil. Quem me apoia? (…) Vamos exigir respeito à minha autodeclarada Presidência como estão dando para o venezuelano. Por que ele tem e eu não?”, ironizou Abreu.

Dias depois, em 11 de março, Alexandre Frota entregou uma representação criminal à Procuradoria Geral da República (PGR) alegando “os diversos crimes cometidos [por Abreu] no aeroporto, em solo brasileiro”. O ator reagiu na internet: “Fala, Alexandre! A prótese ainda funciona? O cérebro sei que nunca”. O deputado federal referia-se ao desembarque de José de Abreu no aeroporto internacional do Galeão, no Rio, em 8 de março, quando foi recebido com festa por dezenas de pessoas sob gritos de “É o presidente”.

Na ocasião, José de Abreu tomou “posse” em paralelo ao mandato de Jair Bolsonaro (PSL-RJ) e leu um texto prometendo defender a Constituição Federal de 1988 e as leis do país. A PGR enviou o caso para o MPF-RJ por questões de atribuição. O procurador então arquivou o caso, que agora segue para a 8ª Vara Criminal Federal, também no Rio. O MPF-RJ, no entanto, não detalhou à Folha o entendimento do procurador Poerson para arquivar o caso.

Frota diz que tomou a iniciativa de entrar com a representação porque José de Abreu ocasionou danos à imagem do Brasil e a do presidente Jair Bolsonaro, desprezou instituições brasileiras. “[Ele] importava riscos à ordem e ao patrimônio público, conduta depois paralisada pelo representado. Sempre que as instituições e a ordem forem colocadas em risco, o deputado pedirá imediatas providências”, disse, por meio de nota.

Em meio ao “mandato”, o ator também anunciou algumas de suas primeiras medidas e o nome de futuros ministros. “Vou proibir o hino para menores de 18 anos”, disse, em alusão à polêmica envolvendo ao ex-ministro da Educação, Ricardo Vélez.
“Já temos Lula, Dilma, Amorim, Freixo, Boulos, Manuela, Maria do Rosário, Suplicy… Faltam alguns ministros. Como presidente alternativo, aceito alternativas”, acrescentou.

Abreu foi além: disse que sua “administração” iria contar com a ex-vereadora Marielle Franco. “Minha primeira dama será Marielle in memoriam”, escreveu.

À coluna de Mônica Bergamo, no entanto, ele disse que havia cansado da história. “Tentei montar um ‘shadow-cabinet’ [gabinete sombra do governo]. Mas como fazer sombra para o nada?”, afirma. “Como comparar meu ministro da Educação, Fernando Haddad, com Ricardo Vélez? Ou meu chanceler Celso Amorim com Ernesto Araújo?”.

Procurado, José de Abreu não foi localizado.