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Miami: último corpo resgatado de escombros de prédio é identificado

Estelle foi a 98ª vítima da tragédia

Miami: último corpo resgatado de escombros de prédio é identificado
Miami: último corpo resgatado de escombros de prédio é identificado (Foto: Reprodução/UOL)

A última vítima fatal resgatada dos escombros do prédio residencial que desabou perto de Miami, em 24 de junho, foi identificada nesta segunda-feira (26). Trata-se de Estelle Hedaya, de 54 anos, que foi encontrada nos últimos dias de buscas. Ela foi a 98ª vítima da tragédia.

“Nos últimos 33 dias, eles revistaram os escombros como se estivessem procurando um dos seus próprios”, disse a prefeita de Miami-Dade, Daniella Levine Cava, em uma entrevista coletiva ontem.

Na sexta-feira passada, o Corpo de Bombeiros do condado de Miami-Dade, na Flórida, encerrou as buscas por restos mortais nos escombros. O Departamento de Polícia de Miami-Dade continuará revistando o que restou da pilha de destroços em busca de restos mortais e pertences pessoais, afirmaram as autoridades em um comunicado.

Sem sobreviventes resgatados das ruínas desde as primeiras horas após o colapso, as autoridades declararam na semana passada que as iniciativas de busca passaram de uma operação de resgate para uma de recuperação.

Uma discussão na comunidade sobre o que fazer com o local já foi iniciada, com algumas pessoas querendo transformá-lo num memorial em homenagem às vítimas. “É muito mais que um edifício que desabou. É um local sagrado”, disse Charles Burkett, prefeito de Surfside.

Acidente

Autoridades locais prometeram uma investigação completa sobre as causas do ocorrido. Segundo uma carta divulgada no fim de junho pela imprensa americana, o presidente da associação dos coproprietários do complexo Champlain Towers South, Jean Wodnicki, alertou os moradores há dois meses que seu prédio estava sofrendo uma “deterioração” crescente.

Na carta, de 9 de abril, ele estimou que seria necessário investir cerca de 15 milhões de dólares nas avaliações necessárias para resolver problemas estruturais.

Desde 2018, “a deterioração do concreto se acelerou, a condição do telhado piorou consideravelmente”, alertou Wodnicki. Naquele ano, um relatório sobre a luxuosa construção já indicava “danos estruturais significativos”, bem como “rachaduras” no porão do prédio, de acordo com documentos divulgados pelo governo de Surfside.

“A impermeabilização sob as bordas da piscina e a via de acesso para veículos (…) já ultrapassou sua vida útil e, portanto, deve ser removida e totalmente substituída”, escreveu o especialista Frank Morabito neste documento, pedindo reparos “dentro de um prazo razoável”, embora sem indicar abertamente um risco de colapso.

“Não vi nada que me dissesse que seria melhor sair daqui se eu estivesse nesse prédio”, disse o engenheiro Allyn Kilsheimer, enviado pela cidade de Surfside para esclarecer as causas da tragédia. “Nunca há nada perfeito no projeto” de um edifício, julgou o especialista, que trabalhou após o ataque ao Pentágono no 11 de Setembro e no terremoto na Cidade do México em 1985. “É possível que tenha entrado em cena uma combinação de fatores.”

A investigação para apontar a causa exata da tragédia deve levar meses.

Veja o momento da queda: