CAVALCANTE

Mesmo proibido, Kalungas denunciam turismo no quilombo

Secretária de Turismo diz que "as pessoas não estão obedecendo ao decreto municipal" e que as denúncias são encaminhadas à Polícia Militar


Francisco Costa
Do Mais Goiás | Em: 06/09/2020 às 17:57:22

Quilombo Kalunga, Comunidade Engenho 2 (Foto: Agência Brasil)
Quilombo Kalunga, Comunidade Engenho 2 (Foto: Agência Brasil)

O quilombo Kalunga, em Cavalcante, segue fechado para visitantes desde março, por causa da crise pandêmica do novo coronavírus (Covid-19). Contudo, essa condição não impede a tentativa de invasão por parte de visitantes, mesmo o decreto mais recente do município também proibir o turismo.

Neste domingo (6), por exemplo, dois turistas de Brasília tentaram forçar a entrada pela comunidade Engenho 2, que fica a 27 km da cidade. Os moradores precisaram chamar a polícia para retirá-los. Natália Moreira dos Santos é vice-presidente da Associação Quilombo Kalunga. Segundo ela, um dos homens era advogado e tentou dar uma “carteirada”.

“Cavalcante tem uma barreira, mas muitos alegam ter parentes na cidade e entram. Nós, da comunidade, também temos a nossa e não estamos deixando entrar visitantes, somente moradores de outras comunidades do quilombo. Essas duas pessoas tentaram forçar a entrada e precisamos chamar a polícia. Ficamos das 10h às 17h para resolver a situação e eles irem embora”, revela a quilombola.

Segundo Natália, nem todas as 39 comunidades possuem barreiras, pois a maioria fica além da Engenho 2, que é uma das mais próximas da cidade. Contudo, existem turistas que vão para Alto Paraíso, para chegar ao quilombo. “Queríamos um reforço para não entrar turistas”, demanda.

Cavalcante

De acordo com ela, a comunidade é desassistida de saúde, por isso se fecha. A Engenho 2 tem cerca de 700 moradores, 250 famílias. “Médicos, quando vêm, é de dois em dois meses. Por isso estamos nos isolando. Para nos protegermos da pandemia.”

A vice-presidente da Associação Quilombo Kalunga declara que já começou a perceber uma movimentação maior de carros em Cavalcante, desde sexta-feira (4), e que as pessoas que vão para a cidade o fazem com o intuito de visitar o quilombo. “E eles não têm usado máscara. Quando usam, é pendurada debaixo do queixo, o que não adianta. Só estamos tentando salvar nossas vidas”, faz o apelo.

Em contato com a secretária de Turismo de Cavalcante, Kellen Nayara, ela informou que o turismo na cidade segue proibido. Segundo ela, algumas pessoas têm tentado burlar as regras. “O decreto vigente da prefeitura é pelo fechamento.” E completa: “Infelizmente, as pessoas não estão obedecendo ao decreto municipal. Quanto a fiscalização, sempre é encaminhada a denúncia para a Polícia Militar”, explica.

O Mais Goiás também tentou falar com a secretaria de Saúde – para saber sobre o suporte aos quilombolas –, por meio do telefone disponibilizado no site, mas a ligação chamou até cair. O portal ligou, ainda, no celular da secretaria de comunicação da prefeitura de Alto Paraíso, a fim de obter informações sobre o controle de turistas na cidade e como esses visitantes têm acesso ao quilombo, mas também não teve retorno. O espaço permanece aberto.