Caso João de Deus

Mesmo detido, João de Deus tem novo mandado de prisão decretado⠀

Justiça mandou que polícia fizesse busca em cinco endereços para encontrar novas provas; uma mala de dinheiro e pedras preciosas foram encontradas


Jairo Menezes
Do Mais Goiás | Em: 21/12/2018 às 18:57:18

Médium retorna ao presídio em Aparecida de Goiânia (Foto: César Itiberê/Fotos Públicas)
Médium retorna ao presídio em Aparecida de Goiânia (Foto: César Itiberê/Fotos Públicas)

Um novo mandado de prisão contra o médium João Teixeira Faria, de 76 anos, o João de Deus, foi expedido. Em substituição, o juiz plantonista da comarca de Abadiânia, Liciomar Fernandes da Silva, mandou que ele fique preso preventivamente. A medida judicial também autorizou a Polícia Civil de Goiás (PC) a buscar e apreender objetos, em cinco endereços do investigado, em Abadiânia e Itapaci.⠀

Os investigadores cumpriram, na manhã desta sexta-feira (21), os mandados de busca, como mostrou o Mais Goiás anteriormente, e apreenderam uma mala de dinheiro (o valor ainda não foi informado pela corporação) e pedras preciosas.

Confira os endereços onde foram expedidos os mandados de busca e apreensão: Centro de Espírita Dom Inácio de Loyola, localizado na Av. Frontal, nº 823, Bairro Lindo Horizonte, Abadiânia-GO; Rua Éverton Batista, nº 420, Lt. 10, Casa 04, Vila Goiás, Abadiânia-GO; Avenida Geraldo dos Santos, esquina com a Rua São Paulo, Centro, Abadiânia, “Casa da Sopa Dom Inácio de Loyola”; Casa de cor marrom, em frente à Casa da Sopa, na Rua São Paulo; Rua José Gouveia Lima, esquina com a Rua Pilar, Itapaci-GO.

Dinheiro e pedras preciosas são encontrados pela Polícia Civil escondidos dentro de porão que era fechado no fundo falso de um guarda roupas (Foto: PC-GO)

Dinheiro e pedras preciosas são encontrados pela Polícia Civil escondidos dentro de porão que era fechado no fundo falso de um guarda roupas (Foto: PC-GO)

INVESTIGAÇÃO
Investigação que começou com abusos sexuais como alvo, partiu para lavagem de dinheiro após encontro de valores em cinco moedas de países diferentes,  nas casas do médium.

A Polícia Civil de Goiás (PC) segue a força-tarefa para apurar os crimes cometidos pelo médium João de Deus. Os crimes, inicialmente de cunho sexual, já motivaram a abertura de nove inquéritos policiais, inclusive sobre lavagem de dinheiro, corrupção e posse de arma de fogo de uso restrito. Mais de 500 pessoas informaram ao Ministérios Públicos de Goiás, São Paulo e PC-GO que sofreram algum tipo de abuso.

“Nós temos 16 procedimentos trazidos à Polícia Civil e nove inquéritos instaurados, sendo que um deles já foi concluído por violação sexual. Assim que estivermos com todas as provas formatadas, com certeza teremos mais inquéritos abertos e concluídos, com mais medidas cautelares sendo pedidas e mais interrogatórios do João Teixeira”, disse o delegado geral da Polícia Civil André Fernandes, durante entrevista coletiva na tarde desta sexta-feira (20).

Dinheiro e pedras preciosas são encontrados pela Polícia Civil escondidos dentro de porão que era fechado no fundo falso de um guarda roupas (Foto: PC-GO)

Dinheiro e pedras preciosas são encontrados pela Polícia Civil escondidos dentro de porão que era fechado no fundo falso de um guarda roupas (Foto: PC-GO)

FORÇA-TAREFA
Para que a investigação seja concluída, a corporação dividiu o esquema de investigadores. Os crimes sexuais são apurados pela Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic) em conjunto com a Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), ambos chefiados pelo delegado Valdemir Pereira Branco. “Esses inquéritos são sobre os abusos sexuais ocorridos em Abadiânia-GO. Os atendimentos acontecem de forma individualizada e em locais restritos”, disse o delegado.

O encontro inicialmente de valores que ultrapassam R$ 405 mil e armas de fogo de calibre restrito às Forças Armadas no dia 18 deste mês provocou a convocação de outra frente de trabalho, chefiadas pelo delegado Thiago Torres, do Laboratório de Lavagem de Dinheiro da corporação. O encontro de mais dinheiro e pedras preciosas nesta sexta-feira (21) dentro de uma mala também será apurado por esta frente de trabalho.

Delegado expõe detalhes das apreensões em coletiva de imprensa no auditório da Secretaria de Segurança Pública (SSP)

Delegado expõe detalhes das apreensões em coletiva de imprensa no auditório da Secretaria de Segurança Pública (SSP)

O delegado geral da corporação chamou atenção para a quantidade de crimes diferentes que estão sendo percebidos (veja a lista de crimes com pena máxima, em caso de condenação, abaixo). A cada passo que encaminhamos, achamos situação delituosas. Por isto é preciso a criação de uma força-tarefa, para que a investigação seja concluída mais rápida”.

CRIMES
Violência Sexual mediante fraude (2 a 6 anos de prisão);
Posse de arma de fogo de uso restrito (3 a 6 anos de prisão);
Lavagem de dinheiro (3 a 18 anos de prisão);
Tráfico de pedras preciosas (1 a 5 anos de prisão);
Falsificação de medicamentos (10 a 15 anos de prisão);
Adulteração de produtos medicinais e fitoterápicos até 15 anos de prisão.

SOLTURA
O presidente do Surpemo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli deve julgar nesta sexta-feira o recurso impetrado pela defesa de João de Deus para que ele seja colocado em liberdade. Este é o terceiro habeas corpus que será julgado, porque os dois anteriores tiveram negativas do desembargador Jairo Ferreira Júnior, do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) e do ministro Nefi Cordeiro, da sexta turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), respectivamente.

DEFESA

1. É deplorável que profissionais da imprensa tenham acesso à decisão e os advogados do investigado, não!

2. A decretação da nova prisão preventiva, além de desnecessária, pois o investigado já está preso, se mostra inidônea porque calcada no desejo de calar o clamor público contra a impunidade. A jurisprudência de nossos tribunais é pacífica no sentido de que a prisão preventiva não se presta a punir sem processo e sem defesa. Prisão preventiva serve para tutelar os interesses cautelares do processo, coisa que não se demonstrou.

3. A nova busca e apreensão foi determinada com base em denúncia anônima e foi genérica, o que é inadmissível. Mais: não se lavrou Auto de Apreensão no local como manda a lei. Portanto, a diligência é írrita.

Alberto Zacharias Toron, advogado