Do Mais Goiás

Mark S. Langevin, da BrazilWorks, participa de fórum em Goiânia

Consultor e professor da Universidade George Washington falou sobre os caminhos para o jovem empresário brasileiro

Nos dias 24 e 25 de maio, Goiânia recebe o 1º Fórum Mundial de Empreendedorismo. Grandes nomes da pesquisa, dos negócios e do mercado internacional passarão por aqui para conversar um pouco sobre as perspectivas do Brasil e de Goiás no cenário global, especialmente para os jovens empreendedores.

Entre os convidados está o consultor e doutor americano Mark S. Langevin, criador da empresa de consultoria BrazilWorks que trabalha fazendo a ponte entre investidores e empresários brasileiros e dos EUA. Ele também atua como professor na George Washington University, em Washington DC, e age como conselheiro internacional da Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão).

Com todo esse conhecimento sobre o Brasil e a economia internacional, ele conta que um dos seus principais objetivos no evento é aprender.  “Quando eu participo de fóruns desse tipo, primeiramente eu quero saber o que os jovens estão pensando, como eles estão se preparando para o mundo”, disse ele, “Em segundo lugar é para passar algumas experiências minhas em relação à política internacional e comercial porque esse é um grande desafio e oportunidade para os jovens brasileiros hoje em dia”.

A burocracia e a falta de experiência, explica, são grandes problemas que o jovem empreendedor brasileiro enfrenta hoje em dia, especialmente aqueles com interesses internacionais. Uma questão interessante é saber se a crise política brasileira afetou a balança comercial para os brasileiros.

Mark esclarece que para os pequenos e médios empresários nada mudou, pois a grande barreira continua a mesma: “De modo geral, o desafio para os brasileiros tentando crescer e investir em produtos e serviços a nível global é a política externa brasileira que sempre joga na defesa ao invés de ir para o ataque. Hoje em dia essa política não tem mais relevância”, disse.

A mudança dos valores globais, a fragmentação da produção de bens e serviços requerem que o Brasil tenha uma agilidade na entrada e saída de produtos, na transação de valores. “Este é um trabalho a longo prazo que o jovem empresário do Brasil precisa atuar no nível político para abrir o caminho para que o governo e a indústria brasileira se tornem agentes do mercado global”, defende o consultor.

O jovem brasileiro não tem medo do mundo de concorrência, “mas as grandes associações e empresas de produtos agroindustriais estão sempre criando obstáculos para a integração da economia brasileira no mundo de hoje”, explica. Sendo assim, o empresário precisa se engajar, pois cada modificação na política externa brasileira vai abrir mercados e será uma grande oportunidade para os jovens. “Mas é um trabalho político: os empreendedores precisam se unir e atuar a nível político para alcançar isso”, arremata.

E ele sabe do que diz, não apenas pelo doutorado, mas pela experiência. A BrazilWorks atua desde 2009 e é apenas a formalização de um longevo trabalho de assessoria e consultoria feito no Brasil. E fora daqui, Mark conta que acumula experiências atuando em negociações em Honduras, Nicarágua, México, Argentina e outros países da América Latina e da África.

Mesmo com todo este currículo, se você jogar no nome dele do Google, provavelmente a primeira coisa que vai ver é um vídeo compartilhado no Twitter por Eduardo Bolsonaro e postado em 2017 que mostra Langevin à frente de uma bandeira do PT. No tuíte, o deputado acusa o doutor de armar uma cilada para o seu pai, Jair Bolsonaro.

Na realidade, conta Mark, se trata de “um discurso no PT de Boston em 2010 durante a primeira campanha da Dilma”. Ele conta: “Bom, eu trabalho com muita gente e eu tenho uma certa afinidade com a causa do PT de décadas atrás. Eu participei de um conselho independente de economistas para o Lula na campanha de 1994 antes do lançamento do plano Real. Acho que a saída para o Brasil é uma democracia social e de boa governança”. Na ocasião, ele conta que foi convidado pelo partido para falar em um evento de campanha.

O professor diz que não enganou o político brasileiro: “Bolsonaro, ele já sabia de tudo da minha história. Um grupo dele me solicitou para organizar um evento para ele aqui na George Washington University. Ele tem um problema com a verdade. Ele já sabia que eu trabalho com vários segmentos da sociedade política e da economia brasileira, mas quando não foi conveniente, ele mudou a história dele. Mas tudo bem, política é política”.

Falando em política, Mark defende que este é o caminho para que o Brasil decole no mercado global. “Acho que primeiro o jovem deve dar uma olhada na sociedade civil brasileira. Muita gente acha que se você corta a cabeça do monstro ele morre; em relação à corrupção de atividades do governo, não é assim, nem no Brasil nem em qualquer país”, disse.

“A única forma de se combater a corrupção é ter uma sociedade civil organizada para fiscalizar o Estado. O Estado ativo, atuante na economia, como o brasileiro, precisa de ainda mais fiscalização. Sei que tem essa onda liberal passando pelo Brasil, mas quase todos os setores são vinculados ao Estado de alguma forma”, disse ele, “O verdadeiro empreendedor global ele quer um Estado internacional com regras claras e regras fiscalizadas para todos os agentes de mercados. O que ele quer é clareza e fiscalização”.

Mas, ainda assim, é importante para o jovem empresário entender que o Estado possui um papel: “O jovem empreendedor tem que entender que o governo tem o papel de fiscalizar os contratos. O Brasil também precisa de um plano de governo com investimentos a longo prazo na infraestrutura, na pesquisa e tudo mais e aí está um papel legítimo do Estado nessas atividades. Mas o jovem brasileiro precisa lutar por seu espaço e essa luta passa por Brasília e pelo mercado internacional”.

Essa fiscalização do Estado, ele diz, precisa ser de fato apartidária: não importa quem está no poder, o governo precisa estar sempre sob uma lupa. “Eu sei que o pessoal no Brasil fala em escola sem partido – o que é uma ideia ridícula – mas é preciso de uma fiscalização apartidária da sociedade civil sobre o Estado. Você pode ter o seu partido, as suas afinidades, suas ideias de políticas públicas, mas nós precisamos juntar todos na praça pública para fiscalizar o Estado e é isso que você não vê”, finaliza, dizendo que os movimentos postos são partidários  e não por uma causa comum.

Por fim, para ele, quem lutar por estas mudanças vai ajudar a revelar quem são os verdadeiros empreendedores de quem está apático: “O jovem vai ganhar muito mais com regras transparentes e fiscalização igual para todos, podendo confiar no seu investimento sem ter que pensar na jogada política. Isso vai deixar claro quem realmente está lutando por um Estado democrático e quem está lutando para na verdade apenas tirar vantagem do Estado”.