Sofrência

Marília Mendonça: “Evoluí uns 20 anos durante o ‘Todos os Cantos'”

Cantora lança nesta quinta (23) turnê do 'Todos os Cantos' durante a Pecuária de Goiânia; ideia do registro, segundo ela, veio em um sonho


Murillo Soares
Do Mais Goiás | Em: 22/05/2019 às 19:37:49

Cantora sertaneja Marília Mendonça (Foto: Divulgação)
Cantora sertaneja Marília Mendonça (Foto: Divulgação)

As gravações do DVD Todos Os Cantos ainda não acabaram, mas a cantora Marília Mendonça já sente que é hora de inaugurar a turnê do projeto. O primeiro show será nesta quinta-feira (23), na Pecuária de Goiânia.

Caso você não esteja familiarizado, neste novo tipo de registro ao vivo, a sertaneja aparece de surpresa em alguma capital do país e grava o vídeo para uma música inédita. Tudo em um único dia! Em Goiânia, Marília cantou o hit Bem Pior Que Eu em um palco improvisado na Praça Cívica.

Relembre Bem Pior Que Eu, de Marília Mendonça, parte do projeto Todos Os Cantos:

“Evoluí uns 20 anos durante o projeto”, disse Marília. “Tive contato com pessoas – fãs de verdade -, fui para a rua. Me sinto tímida de verdade quando as pessoas chegam e me abordam de um jeito diferente durante a panfletagem”, afirmou, completando que tem muita gente que não acredita que é ela ali, em carne e osso.

A luz para o projeto, contou Marília, veio em um sonho. Segundo disse, estava desacreditada da ideia de gravar um DVD. “Eram muitas músicas e, na maioria das vezes, faixas legais ficavam perdidas porque a gente só conseguia trabalhar três ou quatro”, explicou.

Ela, então, foi dormir, pedindo a Deus uma direção. “Sonhei que eu chegava em uma cidade, sentava em um banco de praça e começava a cantar. Enquanto isso, algumas pessoas panfletavam por mim, o lugar ia enchendo e no final, a gente gravava”, narrou. A ideia amadureceu após conversas com o produtor Pepato, e o projeto nasceu.

Todos os Cantos ainda não tem uma data para acabar e constantemente é adiado por compromissos da agenda de shows da sertaneja. Mendonça já passou por 14 cidades brasileiras. Se a ideia é passar por todos os estados, ainda faltam 12 (e o Distrito Federal). “Pretendo terminar até o final do ano”, pontuou. “Mas, se não der, a gente continua em 2020 e ‘tá tudo certo'”, brincou.

Segundo Marília Mendonça, não está saindo barato viajar em todas os estados do país com uma equipe para gravar um DVD. “Estamos gastando para caramba”, afirmou. Mas, para ela, vale o esforço pela repercussão que Todos os Cantos gera nas redes sociais e plataformas digitais.

(Foto: Divulgação)

“É o meu melhor momento”, diz Marília

Para Marília Mendonça, a carreira dela está muito bem, obrigada. “É o meu melhor momento. Me sinto muito mais madura para lidar com tudo que acontece”, afirmou. “Aprendi a parar para pensar no que faço de errado, a ter mais paciência com meu trabalho e a entender que tipo de repertório as pessoas querem ouvir”, continuou.

“E os números não mentem”, pontuou e não mentiu. Na última semana, por exemplo, os fãs conseguiram criar um hit antes mesmo de ele ser lançado. Todo Mundo Vai Sofrer, gravado em Boa Vista, estava na boca do povo desde a gravação. “O vídeo amador da música, com áudio ruim, já tinha 4 milhões de acessos”, contou.

A voz do povo falou tão alto que Marília e a equipe criaram uma ação de marketing às pressas para divulgar a música. Deu certo. Até o fechamento desta matéria, Todo Mundo Vai Sofrer já tinha 15 milhões de views no YouTube e ocupava o primeiro lugar nas mais tocadas do Deezer e do Spotify.

Ouça Todo Mundo Vai Sofrer, de Marília Mendonça, do projeto Todos Os Cantos:

Setlist difícil

Com o Todos os Cantos, Marília Mendonça soma três DVDs (e dois volumes do projeto paralelo em parceria com Maiara e MaraisaAgora É Que São Elas). É muita música para colocar na setlist de um show.

“Tem muita música nova. A gente teve que colocar todas elas e também as do Realidade (2017) e as do Ao Vivo (2016)”, explicou. “A gente fez um bloco incrível só com as músicas do primeiro DVD no final do show, também um só com participações,… É um show a cara da Marília Mendonça”, completou. Segundo ela, duas queridinhas do público (e do repórter que vos escreve) voltaram: ImpasseSilêncio.

De acordo com o diretor artístico da turnê, Tiago Silva, que divide o cargo com a própria Marília, a ideia é contar uma “novela da vida real”. “Em cada música contaremos uma história com atores, que serão projetados no telão de led”, explicou.

As luzes, os atores e Marília, segundo Tiago, farão todo o espetáculo e despertarão no público uma avalanche de sentimentos: alegria, tristeza, sofrência ou saudade. Ao todo, foram mais de seis meses de produção.

A sertaneja que ultrapassou seu nicho

Marília Mendonça saiu do seu nicho e tem impactado a cultura pop brasileira como um todo. A Rainha da Sofrência está atualmente em todos os tipos de playlist, um fenômeno que não acontecia desde Evidências. Até mesmo quem diz não gostar de sertanejo escuta uma ou duas faixas dela e canta junto os refrões-chiclete da cantora goiana.

“Eu percebo isso desde a época de Infiel (2015)”, afirmou. “A minha música passa por vários estilos. Eu intitulo sertanejo porque é a minha raiz, mas com certeza tem muita gente que rotula o que eu canto como Brega ou Romântico, por exemplo”, opinou.

Ser brega é um problema para Marília Mendonça? De jeito nenhum! “Agora [com o Todos os Cantos], estou mais brega do que nunca! Amo quando uma pessoa me considera uma cantora brega porque o brega tem sentimento e tem tudo que eu gosto de escutar”, brincou ela.

“Esses assuntos polêmicos do brega que estão nas minhas músicas – tristeza, traição – me ajudaram muito na construção da minha musicalidade. E a verdade das letras, né? Que ultrapassa qualquer barreira de estilo musical”, completou.

É sucesso. “Tudo de maior que eu esperava não chega aos pés do que está acontecendo”, finalizou.

(Foto: Divulgação)