Fabricio Moretti
Do Mais Goiás

Marília Mendonça afirma que vai se retratar por transfobia na próxima live

"Me retratarei com a mesma visibilidade que teve a piada sem graça", afirmou. Internautas têm criticado a sertaneja desde o último domingo

Marília Mendonça é a artista mais ouvida de 2020 nas plataformas digitais
Marília Mendonça é a artista mais ouvida de 2020 nas plataformas digitais(Foto: Reprodução/Twitter)

A polêmica continua. Desde a noite do último domingo (9), Marília Mendonça tem sido acusada de transfobia após contar uma história de quando um membro de sua equipe beijou uma mulher trans em uma boate de Goiânia. Agora, a sertaneja afirmou que vai se retratar na próxima live, ainda sem data definida.

Na última segunda-feira (10), o Mais Goiás entrou em contato com a assessoria da sertaneja, que afirmou que ela “não iria mais falar sobre o caso”. Contudo, a loira mudou de ideia.

“Depois de refletir, refaço o meu pedido de desculpas. Aproveitei pra aprender mais sobre o assunto. Sobre como ajudar. Tem muita gente do coração bom e explicativo (ainda bem) que mesmo sofrendo com piadas como a minha me ajudam a evoluir”, twittou.

“Acho que esse é o caminho. Estarei aprendendo todos os dias e repassando o que aprender. Me retratarei na próxima live, com a mesma visibilidade que teve a piada sem graça. Conto com vocês, pra me ajudarem a evoluir e me desconstruir todos os dias”, acrescentou Mendonça.

Marília já havia pedido desculpas no Twitter. Contudo, ela foi criticada por não publicar nada no Instagram, onde tem cerca de 27 milhões de seguidores a mais em comparação com o microblog. No Instagram, ela ainda não publicou nada sobre o assunto.

Relembre o caso

Durante uma live, Marília Mendonça riu junto com os membros de sua banda, ao contar de quando um colega beijou uma mulher trans. O fato aconteceu na antiga boate Disel, que fechou as portas em novembro de 2017.

“Quem é de Goiânia lembra da boate Disel“, começa a sertaneja, quando é interrompida por risadas de pessoas que estavam no local durante a live. “E aí eu não vou falar quem, nem vou falar o porquê, vou só ficar calada. Mas quem lembra da boate Disel, lembra”, ri a artista junto com os outros no local.

“Disse que lá foi o lugar que ele beijou a mulher mais bonita da vida dele”, continua, sem citar o nome do colega. “É só isso gente, o contexto aí vocês não vão saber né”, conclui rindo. Em pouco mais de quatro horas de publicação, o vídeo já tinha mais de 31 mil curtidas no Twitter.

Em conversa com o Mais Goiás, a influencer e modelo Bruna Andrade, mulher trans goiana afirmou ser  da cantora, mas que está chateada com a história. “Eu assisto todas as lives dela. Aí quando ela começou a falar da Disel, que foi um local que eu frequentei, fiquei animada“, conta a influencer. Bruna publicou um vídeo que expõe a história e explica o que caracteriza o ato como transfóbico.

“Eu fiz um vídeo como um desabafo e para demonstrar que pessoas trans podem receber afeto, que não é motivo de vergonha. Meu intuito foi mostrar o quão dolorido e perigoso é esse tipo de comentário. Essa piada para ela [Marília Mendonça] é engraçada, mas faz gente morrer“, alerta Bruna Andrade.

 

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No vídeo eu mostro um exemplo claro de como a transfobia é naturalizada na nossa sociedade.

Uma publicação compartilhada por Bruna Andrade (@bru__andrade) em

Osvald Ribeiro, antigo dono da boate Disel, utilizou as redes sociais para se manifestar sobre as acusações de transfobia contra Marília.

“Muitos viram a menção da cantora à Disel, boate que fundei em 2004. Essa durou lá mais de uma década e deixou saudades”, começa o empresário. “A deusa da sofrência foi de fato infeliz ao debochar de um desses romances de balada, uma ficada de um amigo, provavelmente com uma transexual“, continua.

“O que Marília fez foi cruel. Tão cruel quanto o que as mulheres transexuais passam diariamente ao andar na rua, ao ser desconsideradas da vaga de emprego, ao serem insultadas por ser quem são. Não dá para permitir desrespeito. A piada não só agride o coração, mas gera a morte de dezenas. Não nos calemos. Transfobia mata!”, publicou.

Marília Mendonça defende equipes numerosas em lives de sertanejos