Joao Paulo Alexandre
Do Mais Goiás

Marido denunciado como mandante do assassinato de bancária é preso em Goiânia

Crime aconteceu em 2015, enquanto Cibelle Silveira pedalava na BR-060 com o mandante e mais três amigos. Caso inicialmente foi tratado como latrocínio, mas, após novas provas, passou a ser investigado como homicídio

Eduardo de Oliveira Francisco, de 34 anos, foi preso na tarde deste domingo (9) no Setor Celina Park, região Sudoeste de Goiânia. O advogado foi denunciado por encomendar a morte da bancária Cibelle de Paula Silveira, de 31 anos, em 2015. Inicialmente, o caso era tratado como latrocínio – roubo seguido de morte -, mas teve reviravolta após o aparecimento de novas provas.

Segundo a Polícia Militar (PM), Eduardo foi preso após abordagem de uma equipe da Rondas Ostensivas Táticas Metropolitanas (Rotam). Após verificação, foi constatado que havia um mandado de prisão preventiva contra o homem. O documento foi expedido pelo juiz Lourival Machado da Costa, da 2° Vara de Crimes Dolosos contra a vida.

Após a prisão, Eduardo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para a realização de exame de corpo de delito. Posteriormente, ele foi encaminhado para a Delegacia de Capturas (Decap). O caso tramita em segredo de justiça.

Crime

Cibelle Silveira foi morta no dia 30 de novembro de 2015, na BR-060, entre Goiânia e Guapó, enquanto pedalava com Eduardo e mais três amigos pela rodovia. Ao se afastar por cerca de 20 metros do grupo, a bancária foi surpreendida por dois assaltantes, que desferiram um único disparo e atingiu a cabeça da vítima. Eles fugiram sem levar nada.

A bancária foi socorrida pelos amigos e levada para o Cais Bairro Goiá, mas não resistiu ao ferimento e morreu na unidade de saúde. Dois dias depois, a polícia prendeu Pedro Henrique Domingues de Jesus Félix, com 18 anos à época. Em um vídeo gravado, o jovem destacou que realizou o crime para “levantar um dinheiro” e que teve ajuda de um adolescente de 17 anos.

Reviravolta

Após dois meses do crime, a Polícia Civil recebeu o laudo cadavérico e foram constatados que a mulher apresentava diversas lesões pelo corpo. “O inquérito já havia sido concluído e remetido ao Judiciário, e os dois autores haviam sido denunciados por latrocínio, mas quando recebi o laudo cadavérico e vi que a vítima tinha lesões pelo corpo. O perito confirmou que as lesões não tinham nada a ver com a queda do dia em que ela foi assassinada, então resolvi ouvir parentes e amigos, ocasião em que descobri que a Cibelle vivia sendo espancada e ameaçada de morte pelo marido”, relatou o delegado Thiago Martimiano, adjunto da Delegacia de Investigações de Homicídios (DIH).

Em novo depoimento, Pedro Henrique contou que havia sido contratado por Eduardo por R$ 30 mil para matar a bancária. O marido da vítima, porém, havia feito apenas o pagamento de R$ 5 mil, como forma de entrada, e que acertaria o restante do valor após a realização do crime, o qual, segundo o jovem, nunca foi feito e, por isso, decidiu contar a verdade.

Após a nova versão do assassinato, o delegado solicitou um novo depoimento do marido de Cibelle, que negou toda a versão. Como o inquérito já havia sido remetido para o Judiciário, o delegado encaminhou as provas para o Ministério Público, que entendeu que bancária foi vítima de homicídio e não de latrocínio.

Em novembro de 2017, Pedro Henrique foi denunciado por homicídio qualificado, o adolescente por participação no crime e Eduardo como mandante. A motivação do crime seria interesses financeiros, pelo fato da mulher possuir um seguro de vida, e ciúmes.