Joao Paulo Alexandre
Do Mais Goiás

Marcha da Maconha em Goiânia apresenta debate sobre legalização da droga

Ação será concentrada na Praça Universitária. Organização declara que debate visa esclarecer tabus sobre a planta tida como benéfica para a medicina

Goiânia será palco de mais uma Marcha da Maconha marcada para esta sexta-feira (31). A concentração ocorrerá a partir das 16h20 na Praça Universitária. O objetivo do evento, que já chega a sua nona edição na capital goiana, é apresentar um debate social sobre a legalização da droga no Brasil.

De acordo com o sociólogo e coordenador do coletivo Mente Sativa, Marcelo Soldan, a atual política de drogas oferece resultados piores do que os benefícios prometidos. “No texto ressalta que o objetivo era erradicar o uso e produção das drogas, o que não acontece. Pelo contrário, vemos o aumento nos números de diversos tipos de violência. Além disso, não existe registro de malefício, como um tipo de overdose por causa de maconha, por exemplo”, destaca.

Marcelo pontua que a cannabis – gênero do qual a maconha faz parte – tem contribuído para um avanço de medicamentos para doenças que não existem tratamento. “Muitas pessoas sofrem com a desinformação sobre o benefício que essa planta causa no tratamento de várias doenças tidas como incuráveis. Não somente isso, a indústria também seria beneficiada, pois a cannabis também é capaz de produzir papel. Tanto que a primeira Bíblia impressa por Gutemberg, em 1450, foi em papel de maconha”, ressalta.

O sociólogo expõe que o movimento também tem como objetivo acabar com a chamada “guerra das drogas” e que a legislação da droga iria seguir os padrões das políticas de venda de álcool e cigarros no país. “Na atual situação, vemos várias vidas sendo perdidas. Jovens, principalmente negros e pobres não violentos, sendo presos para que seja levado a um traficante”, salienta.

O debate já chegou na segunda principal esfera da Justiça do país. O Supremo Tribunal Federal (STF) iria retornar o julgamento do Recurso Extraordinário 635.659, que prevê a descriminalização de uso de drogas para consumo no Brasil. Porém, o julgamento que estava marcado para o próximo dia 5 de junho, foi adiado e sem nova data para acontecer.