Do Mais Goiás

Mais de 75% dos estudantes em Aparecida têm só um aparelho com internet

Pesquisa aponta ainda que, dentre as crianças com acesso à internet, a maioria tem à disposição apenas smartphone

(Foto: Agência Brasil/EBC)

Pelo menos 75,3% dos estudantes das escolas e Centro Municipal de Educação Infantil (Cmeis) da rede municipal de Aparecida de Goiânia têm apenas um dispositivo de conexão à internet em casa, em contexto de aulas remotas. Outros 6,2% não têm nenhum dispositivo com acesso à rede mundial de computadores. Ainda não há previsão para retorno das aulas presenciais no Estado de Goiás.

O levantamento feito pela Secretaria Municipal de Educação no primeiro quadrimestre de 2021 aponta ainda que, dentre as crianças com acesso à internet, a maioria tem à disposição apenas smartphone. Ou seja, não há laptop, netbook ou tablets para a realização das atividades escolares de forma remota.

O universo pesquisado envolve 20.671 respostas dos 47.685 estudantes matriculados da Educação Infantil ao Ensino Fundamental na rede muncipal de Educação de Aparecida de Goiânia. Deste total pesquisado, 83,5% disseram ter acesso à internet. Outros 16,5% não tem conexão em casa.

Ações

As aulas da rede pública de Educação estão suspensas desde abril de 2020. Em novembro, decretro municipal autorizou a retomada das aulas presenciais na rede pública e privada. No entanto, o município manteve as aulas remotas.

O secretário municipal de Educação, professor Divino Gustavo, afirma que os professores têm se esforçado para
executar rigorosamente o planejamento de ensino de suas aulas aos alunos que estão em casa. Ele salienta que a realidade de acesso é uma questão de ordem social e para reduzir os impactos aos alunos que não têm acesso à internet, as unidades escolares entregam regularmente as atividades impressas aos pais ou responsáveis.

“Além disso, os profissionais da Educação auxiliam com um plantão de dúvidas via ligação telefônica para a coordenação pedagógica das unidades escolares”, diz o secretário.

Brasil

A United Nations International Children’s Emergency Fund (Unicef) alerta que o acesso à internet é fundamental para que crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade consigam exercer seu direito à educação, cuidar da saúde mental, se proteger e ser protegidos contra a violência e ter acesso a informações confiáveis.

Em novembro de 2020, mais de 5 milhões de crianças e adolescentes de 6 a 17 anos estavam sem acesso à educação no país – seja por estarem fora da escola, seja por não conseguirem acessar atividades escolares. O número equivale a um retrocesso de duas décadas, voltando aos números da exclusão escolar no ano 2000.

Uma das principais razões para a exclusão é a falta de acesso à internet. Em 2019, 4,8 milhões de crianças e adolescentes de 9 a 17 anos de idade viviam em domicílios sem acesso à internet no Brasil.